The Simpsons Arcade

É pau, é preda, é o fim do caminho! O Fliperama do Zé Doido é assim: mata a cobra, mostra o pau e limpa na cortina! Assim como o Sílvio Santos e o Canal Animax, nós não avisamos sobre a nossa estreia, já chegamos chutando o pau da barraca.

Pro nosso primeiro post, reservamos aqui o primeiro game que este que vos escreve zerou em sua vida. Sim, aquele clássico dos fliperamas vagabundos, a máquina mais democrática de todas, encontrada nos parques de diversão de shopping de madame e até nas bibocas da perifa. Sim, o clássico The Simpsons Arcade.

Essa família muito louca que apronta as maiores confusões

Bem, você aí, nosso querido leitor, com o controle do seu Master System enrolado no pescoço e aquela cara de quem passou a noite no RedTube, querida leitora que empunha um Game Boy Classic tijolão manchado de sorvete de pistache, todos vocês conhecem a desregrada disfuncional problemática virtuosa família Simpsons, não é? Criados pelo cartunista Matt Groening, um sujeito tão sociável quanto o Squall do Final Fantasy VIII, tão educado quanto o Dr. Willy e mais gente boa que o Dalton Trevisan com dor de dente, essa família que sofre duma perene febre amarela ganhou as telas dos EUA em 1989, mais precisamente no dia 17 de dezembro, com aquele famoso especial de Natal que a Globo já reprisou até queimar a fita. No Brasil, a série estreou em 1991 nas tardes de sábado da poderosa Rede Globo, mudando tanto de horário pra testar a paciência de nós espectadores ao limite.

Muito bem, em 1991 qualquer traquitana com a cara do Bart rendia uma grana veiaca, então os japas da Konami, lá nas terras inóspitas do Japão, pra lá do Acre e dobrando a esquina do Suriname, resolveram também encher os seus bolsos de cascalho. Utilizando-se da famosa “placa rosa”, para celebrar a diversidade e roubar mais algumas moedinhas, a Konami lançou um dos beat’em ups mais simpáticos da história dos fliperamas, mesmo com alguns defeitos (leia-se: chefões indefensáveis na fase 7, setas que sacaneiam, bonus stages com comandos que não funcionam, etc).

Vamos lá que vai começar a jogatina

Este Arcade, que conta com até 4 jogadores simultâneos (embora existe uma versão modificada para gabinetes de somente dois controles) começa com a nossa simpática família de portadores de malária passeando pelas ruas de sua querida Springfield. De repente, alguns malfeitores chefiados pelo metrossexual Smithers (com direito a cabelo pintado de azul e tudo mais) explodem uma joalheria para roubar um valioso diamante. Eis que o amante lacaio do Sr. Burns tromba com nosso querido Homer Simpson (DUH!) e a valiosa gema vai parar na boca da pequena Maggie. Então Smithers e Mr. Burns raptam a fedelha para submetê-la às piores sacanagens pedófilas, filmar e botar no YouTube para se apossar da pedra, e a nossa querida família, como seres humanos civilizados e cumpridores da lei, resolvem resgatar Maggie com a maneira pacífica que todo personagem de videogame adota: NA PORRADA!

Round One, FIGHT!

Pode-se optar por jogar com cada um dos quatro biliosos lutadores: Bart (o melhor de todos e preferido da molecada maloqueira, rápido e com golpes de longa distância), Homer (o preferido desse blogueiro, forte mas lento como um donut mutante), Marge (a única coisa que presta é o aspirador, que acerta longe) e Lisa (nem o Milhouse aguenta, fraca e frágil, morre muito fácil).

Escolhendo-se o lutador, começa aquela peregrinação que estamos acostumados desde o primeiro Double Dragon (e da qual nunca enjoamos): a família Simpsons deve enfrentar hordas de malfeitores, gordões que atropelam, zumbis, patinadores vestidos de coelhos e até ursos (??!) pelas ruas da cidade de Springfield, com um arsenal de marretas, estilingues, mochilas com bombas, vassouras, copos descartáveis, vasos de flores e até estrelas cuspidas por uma nuvem com cara do Krusty (!!!). Depois de lutar com um Mike Tyson cover que não se decide se luta boxe ou luta-livre, vamos ao parque de diversões de Springfield, ao cemitério (com a tradicional fase do elevador de todos os beat’em ups), a um cassino clandestino, à floresta, ao mundo dos sonhos (com direito ao bonus stage de acordar o dorminhoco aos tapas, DÁ CARRIM NÃO MÁ!), à fase lazaraneta morfética mil vezes amaldiçoada do estúdio de TV e, por fim, chegamos à usina nuclear para enfrentar o Sr. Burns (ou seria o Zé Serra?) em pessoa, com uma roupa robótica (desenhada por Clóvis Bornay?) digna de dar inveja num GUNDAM da vida.

E os chefes, ah, os chefes são um caso à parte: além do cruzamento consanguíneo entre Mike Tyson, Maguila e o tio da borracharia na primeira fase, temos um balão com a cara de Bozo chapado de ácido do Krusty, pai e filho mafiosos na terceira fase (aliás, quem são esses personagens? Eles têm nome? Ou foram sacanagem dos produtores?), um cachaceiro primo de terceiro grau do Jeremias Muito Louco no quarto estágio, o urso com pinta de Zangief na fase da floresta, a bola de boliche gigante da fase dos sonhos e um ninja velho digno de pôr medo no Ryu Hayabusa na estação de TV.

Uma coisa bem sacada nesse jogo é que todas as fases parecem ter uma ligação, e, vencendo-se o chefão, é como se houvesse uma passagem dum estágio pro outro. Exemplo: na primeira fase, após o bonus dos balões, viaja-se com eles para o parque de diversões, depois, no chefão desse estágio, o Krusty balão estoura o chão quando morre e logo abaixo do parque está o cemitério, etc. A melhor passagem, com certeza, é da quinta pra sexta fase: seu personagem sai nadando no rio atrás da Maggie e, caindo da cachoeira, cai em sono profundo e vai pra fase do pesadelo. Essa, com certeza, é o estágio mais viajandão e mais maluco (e engraçado!) de todo o game.

São três vidas por personagem (ou umas dez por ficha, ou nenhuma, dependendo de como o safado do dono do fliperama regula os Dip Switches), perdendo-se as dita-cujas o Bart demônio vem te visitar e roubar sua ficha. O mais legal é que, quando os personagens retornam após perderam a vida, eles vêm em forma de super-heróis! O melhor retorno de fase desde a chuva de granadas do Caddillacs & Dinossaurs. Para recarregar a barra de “sanguinho”, há hambúrgueres, cachorros-quentes, sanduíches de maconheiro do Otto e laranjas que caem das árvores, desde que sejam orgânicas, cultivadas sem agrotóxicos e abençoadas pelo Padre Fábio.

Resumindo…sem resumir

The Simpsons tem todas as características dum bom Arcade: sacana até o último fio de circuito, mais ladrão que político em época de eleição, dificuldade de arrancar os cabelos e os pentelhos, jogabilidade de minigame de cinco reais que vende na feira, gráficos desenhados por um Carlos Zéfiro chapado de Caninha 51 com Biotônico Fontoura e som de enceradeira paraguaia. E é imperdível, mesmo tendo o mesmo defeito do Arcade das Tartarugas Ninjas: você nunca consegue bater no vilão em sequência, ele sempre consegue revidar um golpe indefensável, e lá vai um caminhão de energia pro buraco.Mas mesmo assim, jogando de 4(jogadores simultâneos) e com bastante vaselina(pra não dar calos nos dedos), é bem divertido.

Vale destacar que este foi o primeiro jogo terminado por este blogueiro, aos 8 anos, jogando tão bem quanto uma velhinha com reumatismo e gastando umas 30 fichas, colaborando para o aquecimento global, a gastança de energia e a extinção dos ursos pandas. E a primeira vez é inesquecível, mesmo que você acabe gozando fora…

 

– A mãozinha do “Hurry Up” que te indica o caminho é sacana: experimente demorar mais do que o permitido e ela vem pra te matar com uma porrada só. Sacanagem dos produtores.

– Como vários jogos da placa rosa e sem preconceitos da Konami, esse ilustre game, como o foderengo Violent Storm e o bagaceiro Vendetta, nunca ganhou uma conversão para outras plataformas. Para o iPhone há um jogo muito parecido e que faz várias referências a esse fliperama, mas não é a mesma coisa. NÃO ACEITE ORIGINAIS, EXIJA O PIRATA DE RESPONSA!

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