Jogos que repetem a mesma história

O Fliperama do Zé Doido é assim: pega a problemática, a solucionática, leva pruma ilha deserta e ainda serve polenta frita com mussarela no jantar. Esse post é especial para você leitor de meia idade que mora no interior do Amapá, se diverte com os clones de Tetris e Enduro no minigame do camelô e se orgulha de ter sido fiscal do Sarney. Enfim, alguém que gosta de repetições e não perde uma reprise do Pica-Pau nos buracos de programação da Record.

Tem games que, embora já estejam na décima ou vigésima sequência, sempre contam a mesma história: o mesmo herói, o mesmo coadjuvante, o mesmo vilão, a mesma aventura, as mesmas armas, os mesmos glitches. E não tem jeito: do NES ao Nintendo 3DS, lá está o herói com sua juventude eterna, resgatando a mesma princesa que já foi raptada pelo mesmo vilão insistente, desde o tempo em que se assoprava a fita.

Nós do Fliperama do Zé Doido selecionamos os melhores games de histórias repetidas para os nossos anônimos e inexistantes autores. Somos que nem o pinball da Taito encostado ali debaixo da samambaia: não mudamos nem os erros de português.

Insira a ficha e vamos lá!

Super Marios Bros. (Nintendo- NES, SNES, Virtual Boy, Nintendo 64, GameCube, Nintendo Wii, Game Boy, Game Boy Advance, Nintendo DS, Satella View, Phillips CD-I, Arcades, PC e, ufa, em qualquer bugiganga produzida pela Nintendo)

O mote: num reino cheio de cogumelos, nuvenzinhas sorridentes, encanamentos verdes e tartarugas neurastênicas que arremessam martelos ao acaso, a princesa Toadstool é sequestrada toda semana pelo Rei Bowser, uma tarturga gigante e cuspidora de fogo com mais tempo de trono que a Rainha Elizabeth. Como todos os habitantes de cabeça de cogumelo do reino são um bando de hippies chapados sem sexualidade definida, sobra sempre pro encanador carcamano Mario e seu irmão-magrelo-eterno-coadjuvante Luigi entrarem pelo cano e salvarem a princesa pela enésima vez. Porém, cogumelos vermelhos engordam e fazem crescer, estrelas os transformam em ensandecidos clubbers invencíveis, flores carecas os fazem disparar bolas de fogo, penas os fazem voar sem Red Bull, e por aí. Pelo visto, a princesa Toadstool é da família real do reino de São Tomé das Letras.

Exceções. Pô, cada jogo do Mario e, mesmo passando mais de vinte anos, eles sempre trazem uma inovação: cebolas arremessadas no Super Mario 2 USA, tela do mapa no 3, fases secretas do Star Road e Yoshi no Super Mario World, mundo aberto no Super Mario 64…sem contar que o tiozão bigodudo sem idade já jogou tênis, fez manobras com bicicleta, participou dos Jogos Olímpicos, correu de kart, viajou numa máquina do tempo, ensinou macacos amestrados a datilografar no PC…e até dono de hotel ele já foi! Bem, sobre Hotel Mario…prefiro não comentar!

O que esperar do futuro? No próximo jogo, Bowser vai raptar a princesa Toadstool e prendê-la no seu castelo cheio de lava e fogo. Toad vai ficar desesperado e, como sempre, Mario vai atravessar oito intermináveis mapas para salvá-la, enchendo o bolso de moedas no caminho. E o Luigi…bom, ele aparece na capa do jogo, já tem seus quinze pixels de fama. Será que essa princesa não sofre de síndrome de Estocolmo? E o Bowser, nesse negócio de morrer e ressuscitar sem parar (que o diga o Bowser zumbi do New Super Mario Bros.), tá mais pra vilão da Marvel. Talvez ele seja um usuário viciado dos cogumelos verdes.

Sonic the Hedgehog (Sega- Master System, Mega Drive, Game Gear, Sega Saturn, Dreamcast, PS2, PS3, Nintendo DS, PSP e minigame de cinco conto da Tec Toy)

O mote. Robotnick é um cara mau, muito mau, que não penteia nem o bigode. Ele não gosta de animaizinhos e não votou na Marina na última eleição. Ele constrói mais robôs do que um colegial japonês que ainda não perdeu a virgindade nos seus horários de folga do Persona. Ele transforma todos os bichinhos da floresta em robôs malignos e quer se apossar das sete esmeraldas do Caos, os artefatos mais valiosos do mundo desde as sete esferas do Dragão e as calcinhas usadas da Lara Croft no final do jogo. Mas sempre há um porco-espinho azul com sotaque carioca e tênis de emo (que já acharam que fosse um gato, um rato, um ornitorrinco) para correr (muito rápido) em seu encalço e arrebentar com suas engenhocas. Para pegar todas as esmeraldas e perdê-las de novo no jogo seguinte. Aliás, alguém aqui já ouviu falar duma esmeralda QUE NÃO FOSSE VERDE? A equipe de Geologia do Fliperama do Zé Doido não conhece esmeraldas de outras tonalidades.

Exceções. Bom, excetuando-se o nefasto Sonic Fighters (Arcades e Saturno) e os quadrinhos vagabundos que a editora Escala publicava, nosso querido Sonic nunca se aventurou tão bem em outras mídias. Tentou plagiar o Mario 64 com o inovador Sonic Adventures (Dreamcast e PS3, via PSN), copiou descaradamente os Mario Kart da vida em Sonic R (Saturno), criou um RPG sem pé nem cabeça no Sonic Chronicles: The Dark Brotherhood para DS tentando refazer o Super Mario RPG…epa, seriam o encanador italiano e o rato-ouriço primos distantes?

Curiosidades curiosas. Tails é uma mulher, ou melhor, uma fêmea de raposa solteirona que corre atrás do Sonic durante todo o jogo Sonic 2 para arrastá-lo pro casório. O primeiro nome do Robotnick é Ivo e, aliás de ele se autointitular doutor, o seu currículo não está disponível na plataforma Lattes e ninguém sabe que raio de tese o cabocro defendeu pra ganhar o título. Sonic já teve um caso com Michael Jackson e, assim como Uri Geller e Macaulay Culkin, é um dos suspeitos de tramar a morte do Rei do Pop junto com a maçonaria dos Irmãos do Grande Oriente Ocidental. Knuckles foi candidato a deputado federal por Roraima pelo PHS mas não se elegeu.

O que esperar do futuro? Sonic se transformou em lobisomem em Sonic Unleashed (PS3 e XBox 360) e, depois duma consulta com o Dr. Gregory House, foi diagnosticado com a síndrome rara da catapora intestinal paranoide na garganta. No próximo domingo estará no Programa do Gugu contando o seu drama, mas ele já deu entrevista para a Sônia Abrão (“acompanhem o drama do Sonic, que já foi astro dos videogames”). Tails tentou um papel de figurante no filme “Lula, o Filho do Brasil” e fez testes para novelas no SBT, mas recentemente pode ser vista no pornô “A ninfeta de três rabos”. Knuckles perdeu a eleição mas não esconde sua pré-candidatura para a prefeitura de Tanabi/SP.

Megaman (Capcom- NES, SNES, PS1, PS2, PS3, Game Boy, Game Boy Advance, Nintendo DS, Arcades, revistinha do Zé Roberto Pereira…eu ia falar Mega Drive, mas deu vergonha daquele jogo…)

O mote. Dr. Willy enche a cara de cachaça num futuro não muito distante e, puto da cara, desgraçado da cabeça, baixando o Alborghetti, resolve tocar o maior puteiro em seu mundo futurista, reunindo um exército de oito (8, não é nove e nem é sete) robôs malignos de nomes autoexplicativos. Mas o seu antigo colega de jogatinas nerd Dr. Light envia o seu pupilo Megaman, acompanhado do Rush, um cruzamento de lulu da Pomerânia com pitbull sanguinário. Megaman não só vai matar um por um dos oito facínoras, mas ainda roubar suas armas, matá-los de novo e arrebentar com o Dr. Willy. E já por 10 vezes o cientista bitolado tentou, sempre com seus oito robôs, e já vão pra dez surras que ele já levou…mas afinal, eu sou brasileiro e não desisto nunca, matuta o velho de jaleco.

Exceções. A série Megaman X (SNES) se passa mil anos depois do Megaman original, quando o Dr. Light e o Dr. Willy já estava mortos, e X é um novo robô, sem relações com o antigo Megaman, e…ELE PRECISA DERROTAR OS OITO ROBÔS E ROUBAR SUAS ARMAS PARA LUTAR CONTRA O CHEFÃO FINAL! Mudou realmente alguma coisa? Sim, a Capcom trocou seis por meia dúzia e o sujo pelo mal-lavado.

Grandes mistérios da humanidade. Será que Megaman e Protoman já fizeram um exame de DNA para descobrirem se são irmãos mesmo? E se o Mega comer a Roll, é incesto ou não é?

Citações famosas. “A esperança é a única que morre” (Amaral, ex-Palmeiras).

Robôs que gostaríamos de ver. Condom Man: poder de disparar camisinhas usadas; Macho Man: robô que dispara dildos para celebrar a diversidade; Vegan Man: robô que não come carne e luta pelo verde com mísseis de cenouras; Michael Mann: robô que faz filmes; Machine Man: herói japonês que não conseguiu emprego depois que a série acabou; Rapadura Man: pense num robô arretado cabra da peste com uma peixeira nas mãos, vissi; Rain Man: robô com autismo, basta mirar e Mega Bustar e atirar, o chefão mais fácil; He-Man: robô que luta com os poderes de Greysskull, etc.

O que esperar do futuro? Dr. Willy voltará com mais oito robôs, principalmente depois de ter lido nossas sugestões acima. Mate-os, roube suas armas e enfrente o Willy. Enfim, na hora que cansar, pegue o Vanquish, a evolução espiritual do Megaman.

Wild Arms (Sony/Contrail/Media Vision- PS1, PS2 e tomara que saia pro PS3!!!)

O mote. Filgaia é um planeta que está morrendo: florestas viram desertos, a água acaba, as alterações climáticas vão destruindo os animais e ninguém quer votar na Marina Silva. Os culpados por isso são robôs monstruosos, aliens vindos do espaço sideral, ou demônios de outra dimensão, ou robôs-aliens-demônios, dependendo de quanto o roteirista força a amizade. Mas três jovens com nomes de filmes de western empunham suas armas e, vasculhando os despojoso duma civilização antiga, erguem os seus golems e enfrentam bravamente os vilões para salvar Filgaia. E isso num mundo cheio de caubóis, saloons e cosplayers do Clint Eastwood.

Exceções. Bom, no Wild Arms 4 (PS2) quiseram inovar um pouco, no 5 até arriscaram uma história elaborada, com algumas tramas políticas, mas tudo acaba voltando pra salada western-Indiana Jones-robôs gigantes. Mas, mesmo que as balas de sua arma acabem no meio das batalhas, Wild Arms ainda consegue ser um RPG instigante, com um sistema de batalha porradeiro e bem-feito e com uma história melhor que a de alguns Final Fantasy da vida.

Teoria conspiratória. Seria Sunset Riders (arcade, SNES e Mega Drive) o prólogo secreto de Wild Arms?

DLCs que gostaríamos de ver. Filgaia em Red Dead Redemption (PS3), podendo jogar com o famoso trio do primeiro jogo. Com golems e tudo mais.

O que esperar do futuro? Que não transformem Wild Arms num arcade de tiro de movimentação automática. E que JAMAIS lancem um FPS ambientado em Filgaia.

Katamari (Namco- PS2 e PS3)

O mote. O universo foi destruído: não sobrou nenhuma constelação, lua, asteroide, planeta, nebulosa, estrela…o Darth Vader pegou pesado dessa vez! Então, a entidade conhecida como Rei do Cosmos (cabocro Rei du Cosmo vai baxá ni ocê, mizifio!) convoca o pequeno príncipe e seus milhões de primos para reporem os astro do universo utilizando a Katamari, uma bola mágica que gruda qualquer coisa em si. Mais grudenta que sertanejo do César Menotti! Assim, começando com algums átomos de poeira, pedrinhas e papeizinhos, até grudar prédios, a Torre Eiffell, as Cataratas do Niágara, meteoros…enfim, nessa hora você percebe que é hora de tomar Engov e parar…

Exceções. Fala sério, vocês queriam o quê com a jogabilidade lisérgica do Katamari? Um open world? Um MMORPG? Um jogo tipo Sim City? Um adventure point and click? Sem chances…

O que esperar do futuro? Futuro? E Katamari lá tem algum futuro, ora pois?

Doom (Id Software- PC, SNES, PS1, Nintendo 64, 3DO…esqueci algum? Ah, sim, a versão quadradona do Saturno…)

O mote. Cientistas pesquisam um portal dimensional numa estação no espaço. De repente, um xabu do tamanho do mundo acontece e aparecem portais do Inferno cheios de demônios malucos para beber sangue, comer tripas e estripar velhinhas virgens. Sobra prum bengaludo mariner do exército fuzilar, explodir, decepar, trucidar e pulverizar os demônios, mesmo que por vezes ele precise ficar zanzando pela base à procura de cartões magnéticos de todas as cores.

Exceções. E precisa? Doom é bom do jeito que é simplesmente porque é um cabocro carregando uma metranca e fuzilando tudo o que vê pela frente. Simples assim, sem nhenenhéns. Nada que não se resolva sem um canhão de plasma.

O que esperar do futuro? Mais bases infestadas de monstros! Mais demônios cuspindo bolas de fogo! Mais tiros de metralhadora! Mais sangue! Mais tripas! Mais munição! Mais life! Porém, se eles acabarem, digite IDDQD e IDKFA no teclado e aí é só alegria!

The Legend of Zelda (Nintendo- a mesma lista do Mario lá no começo do jogo, incluindo o CD-I. É verdade!)

O mote. No longínquo reino de Hyrule, em algum grotão de Rondônia, a princesa Zelda é raptada pelo maligno Ganon. Junto com ela, é roubada a Triforce, um artefato cujo mistério só é maior do que o seu poder, tão valioso quanto as esmeraldas do caos, as esferas do Dragão, as calcinhas da Lara, etc. O elfo Link, um moleque espinhento que está na fase das dez punhetas ao dia, é o único que pode resgatar a princesa e recuperar os triângulos da Triforce. Para isso, ele tem que percorrer sete templos, recuperar os sete poderes de sua espada, dormir nos sete bordéis, etc.

Exceções. A série iniciada com Hourglass Princess (GBA) e seguida por Phantom Hourglass (DS) e pelo soberbo Spirit Tracks inovaram sem essa palhaçada de enfiar a espada na triforce da princesa. Fora isso, é só a velha ladainha dos fãs, que brigam para ver se Ocarina of Time ou A Link to the Past qual é o melhor. É o Miyamoto com uma falta de criatividade dos diabos.

Lição de vida. Ganon e Dr. Willy nunca desistiram, mesmo com vinte anos de derrotas nas costas. Relaxe, um dia você conseguirá platinar Demon’s Souls, nunca desista.

O que esperar do futuro? Como castelo de Hyrule é o local mais seguro do mundo, a Triforce será de novo roubada e Zelda vai de novo para o cativeiro. Link pegará sua pá, sua flauta, seu bumerangue, sua lâmpada, sua rede de pegar insetos, sua vara de pescar, e mais uma vez ele estará na estrada. Aliás, como é que Link não cresce? Cogumelo do Sol? Dieta vegan?

Golden Axe (Sega- Arcades, Sega Mark, Master System, Mega Drive, Saturno e PS3)

O mote. Em mil novecentos e cachorro amarrado com linguiça a. D. (antes da Dercy), numa aldeia de bárbaros, o lendário machado de ouro é responsável por manter a paz e a harmonia. Só que a tribo rival sempre rouba a arma e aí começa a pancadaria. Escolha entre o Conan de sunguinha, a prima da Xena e o anão chifrudo e desça a lenha em bárbaros suados, mulheres fedidas, caramujos que cospem fogo e em duendes com sacos nas costas. E tome magias de tela inteira.

Exceções. Fizeram um jogo de luta para o Saturno com as típicas apelações da era pós-KOF, com combos infinitos, especiais ao estilo Marvel vs Capcom, cenários coloridos, etc, mas não deu muito ibope. Teve também anos antes o Golden Axe Warrior (Master System), um plágio do Zelda com uma dificuldade absurda. E o Golden Axe 3 do Mega Drive, com quatro lutadores, um lobisomem e um gorducho no lugar do anão.

O eterno vilão. Death Adder, soberano da tribo inimigo, que já se escondeu até num castelo construído na mandíbula dum dragão. Não tira a armadura nem pra tomar banho, mas, no tempo do Golden Axe, com aquela subaqueira danada, sem sabonete, nem fazia muita diferença.

PRA DIZER DUMA VEZ POR TODAS: NÃO, ESTE NÃO É O JOGO DO HE-MAN, NÃO INSISTAM. A CAVEIRA DO PLAYER SELECT NÃO É O CASTELO DE GREYSKULL.

No fliperama do Zé Doido. O Golden Axe é aquela máquina ali atrás do pinball, filho. A ficha tá dez centavos.

O que esperar do futuro? Que nossos bárbaros do Machado Dourado aprendam a tomar banho, escovar os dentes, lavar os pés, tirar remela e cera, arrancar bicho de pé, passar perfume, usar desodorante, raspar o sovaco e praticar o banho tcheco.

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