Teenage Mutant Ninja Turtles

O que são os lucros, hein? Em 1989, os japas da Konami na era pré-Hideo Kojima se aproveitaram para criar mais um beat’em up ensandecido com o uso da placa rosa-choque com bolinhas laranjas, e o tema e os personagens escolhidos para mais essa sessão de pancadaria insana e explícita foram as Tartarugas Ninjas, personagens dos quadrinhos e dum desenho animado que você, leitor imberbe que só curte o Ben 10 e sonha em cheirar as calcinhas da Isa TKM, certamente nunca ouviu falar. Sorte sua, porque, quando a Globo exibia as Tartarugas Ninjas em mil novecentos e Betty Faria na capa da Playboy, não se falava em outro assunto.

Criados em 1984 pelos dois nerds desocupados Kevin Eastman e Peter Laird, publicados pelo selo independente Mirage Comics, as Tartarugas nasceram dum brainstorm de Eastman, na verdade uma crise de alucinação após o abuso de LSD em supositórios, quando ele começou a desenhar uma tartaruga com nunchakus e espadas na mão. E daí a surgiu a ideia duma história estrelando o quarteto de tartarugas adolescentes treinadas por um ratão mestre ninja e que lutavam contra o Destruidor, um samurai de meia pataca que enfiou uma batata quente na boca e esqueceu de engolir.

Além dos quadrinhos e do desenho (que durou de 1987 a 1996, com mais temporadas do que o Sai de Baixo), a máquina de lucros dos Tartarugas ainda deu origem a quatro filmes, um seriado em que eles contracenavam num crossover com os Power Rangers, bolachas Passatempo, xampus, bonequinhos, jogos de tabuleiro e uma porrada de jogos de videogame. Dentre eles, este arcade aqui, que roubou muitas fichas e levou muito jogador à falência. Duvida? Então saca só a malandragem…

SANTA TARTARUGA!!!

Bom, a origem dos quatro cascudos quase todo mundo conhece, né, visto que já reprisaram esse desenho até depois do Corujão. Um belo dia, um moleque nova-iorquino, futuro coadjuvante do Seinfeld, andando por uma área que não era patrulhada nem pelo Homem-Aranha, nem pelo Demolidor e menos ainda pelo Jack Bauer, levando seu aquário cheio de tartarugas aquáticas, vê um frasco cheio dum líquido radiotivo caindo dum caminhão e, num surto heroico típicos dos americanos (pode crer que esse moleque virou soldado no Iraque ou inventou de sair vestido de morcego por aí, dando porrada nos bandidos), salvou um ceguinho de ser encharcado pela estrumela. No meio do rolo, esse Yusuke Urameshi de araque deixou o aquário e as tartaruguinhas escorrerem pelo esgoto, junto com o tal líquido radioativo.

Acontece que as tartarugas caem no meio desse sopa fluorescente e, milagre, ao invés de pegarem um câncer generalizado e precisarem de quimioterapia, se transformam em tartarugas gigantes e inteligentes e, pior ainda, NINJAS! Logo um mestre ninja que vivia nos esgotos também sofre a mutação e vira uma ratazana com cara de Senhor Miyagi e passa a treinar os adolescentes na arte da punheta e de dichavar a erva na milenar arte ninja.

Entre um baseado e uma visita ao banheiro com as fotos da Claudia Ohana pelada (e curando a larica com as pizzas), Leonardo, Michelangelo, Rafael e Donatello ainda têm que salvar o mundo do Destruidor, o vilão mais mal dublado da história, e Krang, um terrível chiclete mastigado vindo da Dimensão X (um adorável recanto entre Trabiju e Boa Esperança do Sul) que mora dentro da sunga dum androide marombeiro. Sem contar os infindáveis ninjas do Foot Clan (o clã de ninjas mais chulé da história…TUDUMPAH!), que são como os soldados dos seriados de super sentai, levando porrada dos tartarugas em todos os episódios e ainda recebendo o 13. atrasado e sem carteira assinada.

Entre uma aventura e outra (e um comercial de brinquedos da Estrela), os Tartarugas conheceram a jornalista April O’Neil, que logo passou a queimar um banza com eles e a ser raptada pelo Destruidor em todos os capítulos. Pronto: já temos o mote do fliperama! Sim, no arcade é aquela mesma história de resgatar a mocinha raptada.

OOOOOHHHH, SHELL SHOCK!

Pois bem, uma bela noite o Destruidor ficou de saco cheio de seus filmes pornôs e de sua coleção da Turma da Mônica e botou fogo no apartamento da April. Escolhendo um dos quatro quelônios metidos a Jiraiya (quem você queria? O Ryu Hayabusa? O Shinobi? O Chapolin Colorado? A falta de ninjas no mercado anda braba), vocês precisam invadir o condomínio em chamas e o apartamento de móveis fabricados em Itu (duvida? Olha só o tamanho da escrivaninha e do sofá na tela do chefão) da moça. Depois de perder uma duas fichas só na primeira fase (e aguentar a zoação dos maloqueiros do fliperama), o Destruidor aparece e rapta a moça. E tome mais uma fase na cidade, no esgoto e num ferro velho de Caddilacs (mas sem dinossauros) para resgatar o pitéuzim.

Mas, depois que a April já está sã e salva e virgem no furgão das Tartarugas, o Mestre Spliter é raptado pelos poodles robóticos do Baxter Stockman (antes de se transformar num mosquitão de banheiro de rodoviária) e lá vão os tartarugas resgatá-lo numa construção, não sem antes passar pela fase da prancha-skate motorizada, onde você vai ficar puto, quebrar a manete do fliperama de raiva e derramar toda sua Fanta uva nos controles.

Daí é ir pro Tecnódromo e encher Krang e Destruidor de porrada, não sem antes perder umas dez fichas com o golpe que encolhe sua tartaruga e te faz perder uma vida! Pois é, te prepare, este jogo vai extorquir até o seu vale-transporte! Recomendamos o uso dum bom antidepressivo antes de zerar este jogo, porque o final…sinceramente…dá vontade de chorar pelas criancinhas famintas da Etiópia que não têm nem um Dynavision pra jogar.

Calma Panga, ops, COWABUNGA!

Uma porcaria. Um lixo. Um desperdício de bytes. Um cú, um toba, um fiofó, um peidante, uma rosqueta. Um troço esplendoroso do mais fétido e infecto exemplar de fezes. Uma máquina que merece ficar lá no fundo do salão, no canto mais escuro, ao lado do Mad Dog McCree que ninguém mais joga. Poucos são os adjetivos poéticos para descrever essa diarreia majestosa da Konami, essa overdose de Lactopurga.

Primeira coisa: apesar de ter existido, por incrível que pareça, um anime das Tartarugas Ninjas (confira lá nas curiosidades), o game inteiro se baseou no cartoon norte-americano. Ou seja, tome censuras politicamente corretas: os ninjas do Foot Clan são robôs porque não podem sangrar, o jogo não tem sangue e tripas de jeito nenhum, não tem armas brancas e nem de fogo, revólveres só disparam raios laser e a April não pode ficar de paquete. Sim, isso mesmo, as armas que fazem a alegria de todos os beat’em ups não estão presentes aqui: no máximo, dá pra acertar os inimigos com os postes de ponto de ônibus, com os jatos de água dos hidrantes e com os cones de trânsito, e nada mais. Nem itens de energia tem direito: as pizzas aparecem muito pouco e em locais inacessíveis. Mais ladrão que isso só o arcade do Capitão América (THEEE AAAAAAAAAAAAAVEEEEEEEENGEEEEEEERS).

Os chefões e subchefes, além de muito fortes e rápidos, possuem uma originalidade de novela das oito: na primeira fase é o Rocksteady, na segunda o Bebop, daí no quarto estágio os chefões são…OS DOIS JUNTOS! Depois, até a sexta e última fase, tirando Krang e Destruidor, aparecem uns robôs brutamontes de cores diferentes. Mas o pior é que esses chefes contra-atacam com uma facilidade incrível, seus golpes nocauteiam numa pancada só e ainda arrancam um tolete inteiro de energia. A desproporção com os outros inimigos e os jogadores é gritante. Só não grite muito alto pra não acordar os vizinhos, viu.

Resumindo nas normas da ABNT

Você gosta de sofrer? Então seus problemas se acabaram-se, nós temos o arcade perfeito para você. Não tem dinheiro pra comprar um PS3 com Ninja Gaiden Sigma e Demon’s Souls? Jogue o arcade das Tartarugas Ninjas que tá tudo certo. Mas lembre-se de usar sempre camisinha e manter as prestações do carnê do Baú da Felicidade em dia.

A única boa foi que esse arcade serviu de base, além da engine do fliperama dos Simpsons, para o foderengo TMNT-Turtles in Time e seu primo pobre e comedor de farinha, o TMNT The Hyperstone Heist, para Mega Drive. Pois bem, nessa obra-prima da arte de enfiar a sola do sapato na cara dos cidadãos, tema para um futuro post, o Destruidor rouba a Estátua da Liberdade (para vendê-la no MercadoLivre???) e sai numa fuga desbragada pelo tempo, seguido pelos Tartarugas. Muito mais original do que ficar sequestrando a April e o Mestre e escondendo-os em ferro-velhos e construções.

Com cara de jogo americano mas cheio de amarelices, aproveite o drama do arcade das Tartarugas Maconheiras Ninjas com uma boa Country Cola sabor uva, comendo salgadinhos Fofura de churrasco e não se esqueça de assistir ao terceiro filme dos quelônios, aquele em que eles viram samurais, que têm um bom time de japinhas gostosas e bochechudas. Relaxe e goze!

– O gabinete oficial deste arcade tem a foto duma modelo caracterizada como April. Destaque para o cabelo armado estilo anos 80 e a cara de atriz pornô: outro ponto positivo para esse game que não presta nem pra roubar ficha dos molequinhos mais novos.

– As Tartarugas Ninja já estrelaram até um anime, que nunca ganhou as telas do Ocidente. Nele, elas passam por transformações tipo Pokémon e Digimon e se fundem em lutadores como no Dragon Ball Z e GT. Duvida? Procure nos VocêTuba da vida.

– O que diabos quer dizer “Shell Shock”, que aparece num balão sempre que o personagem perde todas as vidas?

– O final desse jogo é tão decepcionante que parece que fica tirando com a nossa cara. Sério mesmo…não merece nem spoiler.

– Este arcade foi adaptado com uma certa competência para o NES, rebatizado (mas sem crisma) como Teenage Mutant Ninja Turtles 2. Ah, no Nintendinho o primeiro foi um RPG com perspectiva vista de cima, ruim que nem o diabo com bicho-de-pé, enquanto que o terceiro foi um jogo de plataforma mais simpático. Por essa razão o Turtles in Time é consideado o TMNT 4. E há alguns que dizem que o TMNT Tournament Fighters seja o 5, mas aí já é intriga da oposição.

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