10 acessórios bisonhos que você pagou caro e não prestaram pra nada

Nos quase vinte anos que esse véio cachaceiro tem de videogames, muita coisa mudou, não apenas o storyline do Megaman e os clones vagabundos do Famicom e seus nomes incríveis e criativos (que o diga o Sistema Fantasma). A principal mudança desses tempos pra cá foi nos acessórios, e não estou falando naquelas estrovengas disformes que eram as pistolas do Master System e do NES.

Hoje em dia todo mundo tem uma guitarra do Guitar Hero e do Rock Band pra ficar botando banca (sim, leitor, sabemos que o senhor fica o dia inteiro fazendo covers da Hannah Montana, do Justin Bieber e do Tonico & Tinoco, não adianta negar), ou então o Wii Fit pra queimar aquela bendita feijoada com farofa do domingo, ou brincando de dançar axé no Kinect e utilizando o Playstation Move com fins claramente sexuais. Mas houve um tempo em que, se você tivesse um acessório qualquer no seu videogame, nem que fosse uma pistolinha comprada no importabandista, você já virava o rei da cocada preta, catava todas as meninas da sua rua e era obrigado e emprestar todas as suas fitas pr’aquele moleque de nariz escorrendo e que tomava remédio pra cabeça e não tinha nenhum amigo, que sua mãe te obrigava a ter amizade.

Porém, naquelas eras geológicas em que não existia Internet e o Cine Privê tinha audiência recorde, os acessórios para videogames tinham uma característica peculiar: ERAM UMAS TRANQUEIRAS! Não funcionavam direito, os comandos eram uma atrapalhação só e a jogabilidade ia pro espaço, um festival de Game Over. Sem contar que Konami, Capcom, Nintendo e empresas chinesas de fundo de quintal tinham o bom gosto dos projetistas bebedores de vodca do Lada, produzindo as maiores maravilhas em matéria de design, merecendo figurar no desfile de moda do Pirituba Fashion Week na Laje.

Nós do Fliperama do Zé Doido selecionamos a fina flor e o filé de pescoço das maiores traquitanas que a indústria videogamística quis nos enfiar goela abaixo e sem fazer carinho. Sente só o drama, mas não se esqueça de cuspir na pontinha:

10. Laser Scope

Procedência: Japão, aquela terra cheia de monstros gigantes, colegiais vestidas de marinheiro e raposas de nove caudas. É a Konami forçando a amizade dos gamers. Se ficasse só na placa rosa com calcinha de babados…

O freguês: O NES/Famicom, o videogame mais zoado, pirateado, clonado, jogado, detonado e violentado da história dos games.

Como funcionava a bagaça: Esse treco horrendo era colocado na cabeça como um headset e esse terceiro olho aí na frente servia de mira nos jogos de tiro ao alvo. Então, usando um microfone que ficava ao lado, perto da boca, a gente gritava “Fire”, em alto e bom som e com sotaque do Borat, e o negócio disparava. UAUUUUU! Comando de voz! Imagina jogar Duck Hunt imitando a voz do Silvio Santos?

Os defeitos. Ora, estamos falando de comandos digitalizados de voz em pleno início dos anos 90! E o Laser Scope tinha uma trava anti-sotaque de primeira, bastasse falar uma sílaba fora do lugar e ele não atirava nem a pau! Nesses casos, o melhor era declamar os Salmos na voz de Cid Moreira. Por isso, treine seu sotaque britânico! O Príncipe Charles deve ter adorado essa bagaça.

Avaliação FZD: nota 0,1. Equipamento politicamente incorreto recolhido do mercado pela Associação Internacional dos Mudinhos Cantores de Ópera e Thrash Metal, que se sentiram profundamente ofendidos.

9. Menacer

Procedência: o Japão, aquela filial gigantesca do Bairro da Liberdade. Quem fabricou foi a Sega, seita demoníaca que sacrifica ornitorrinos e gansos mansos para uma divindade parecida com um rato-ouriço azul.

O freguês: o saudoso Mega Drive, conhecido nos Estados Unidos como Genesis, em até 12x sem juros no cartão do Panamericano num camelô perto de você.

Como funcionava a bagaça? Uma bazuca que fazia as vezes de pistola nos jogos de tiro, que a Sega lançou às pressas para competir com o SNES e para pegar o lançamento de Terminator 2: The Arcade Game. Basicamente é mirar o treco na TV, apertar o gatilho e sofrer de tendinite com os três botões mal posicionados na frente. E se arrepender do dinheiro gasto, que melhor seria aproveitado comprando-se um quilo de abobrinha paulistinha.

Os defeitos: Primeiramente, o Menacer precisava dum sensor colocando em cima e bem no meio da tela do televisor para captar a mira. Não se preocupe: o pinguim da geladeira, o vaso horrendo que sua tia de 80 anos deu de aniversário e a imagem de Nossa Senhora Aparecida da sua mãe têm um efeito muito mais preciso. O pior ainda era o cartucho que acompanhava a bazuca, com aquele jogo do Toejam & Earl jogando tomates…nem com Game Genie se suportava aquilo!

Avaliação FZD: nota 2. Muito útil pra assaltar o boteco da esquina. Mas nem tente invadir o fliperama aqui, senão vai levar porrada!

8. Super Magicom.

Procedência: A China, aquele lugar onde reina a paz celestial, detentor da maior plantação de pen drives do mundo. Eu ia falar o nome do fabricante, mas estou com um punhal na garganta e não consigo digitar direito.

O freguês: O Super Famicom, o Super Nintendo de cor amarela, olhos puxados e tara por calcinhas e sutiãs de colegiais.

Como funciona a bagaça: Instalava-se o negócio aí no conector de cartuchos do Super Famicom, encaixava-se a fita e aí era só alegria: o aparelho copiava o jogo inteiro para um disquete. Não sabe o que é disquete? Quando não existia o RedTube, era o que a gente usava para trocar fotos de mulé pelada. A Nintendo deu cria, esperneou, rolou pelo chão fazendo manha, ficou de castigo e proibiu o Magicom. Porém, por um milagre de Santa Efigênia, padroeira dos eletroeletrônicos, a pirataria comeu solta com muito rum.

Os defeitos: A Nintendo dando piti e quebrando o barraco. E dando mau exemplo pra Sony.

Avaliação FZD: nota 10! YO-HO-HO, UMA GARRAFA DE RUM!

7. Super Scope 6

Procedência: Europa e Estados Unidos, duas terras inóspitas ao norte do Suriname. Foi fabricada no Iraque por um tempo, mas, considerando-se a sua natureza de arma de destruição em massa, seus lotes foram inteiramente apreendidos pelo Bushinho.

O freguês: O Super Nintendo, console que morava em Krypton e que, depois de fracassar na carreira como jornalista do Notícias Populares, tentou a sorte como console de videogame. Vez ou outra é visto voando pelos céus de Metrópolis.

Como funciona a bagaça: mesmo funcionamento do Menacer. Com a diferença de que foi a primeira tranqueira wireless da história, comendo mais pilhas AA do que um GameBoy que trabalha de pedreiro. Ótima para ser utilizada para bater no seu irmãozinho mais novo.

Os defeitos: o Super Scope 6 (não, não existiram outras cinco bazucas antes dela) não tinha quase nenhum jogo próprio! Servia para jogar Yoshi’s Safari e o nojento X-Zone, e olhe lá! Na Alemanha e no Japão, devido aos problemas da Segunda Guerra, o acessório nem foi vendido. Mas até que ele rende um estiloso vaso de flores.

Avaliação FZD: nota -1,3333333, uma dízima periódica. Reiteramos: muito bom para bater no seu irmãozinhos pentelho ou naquele primo folgado.

6. Activator.

Procedência: O Japão, aquela terra…ah, esgotamos nossas piadas preconceituosas, mais delas só na semana que vem.A responsável pelo desplante foi a Sega, famosas pelos seus jogos com bárbados fedorentos e com um moleque com cara de macaco com uma luva de boxe milagrosa, que arrebentava até aço.

O freguês: O Mega Drive e seu irmão siamês, o Sega CD. Juntos até na pior das tragédias, verdadeiros Irmãos Coragem.

Como funciona a bagaça: O cidadão entrava no meio desse octógono aí e, através de raios infravermelhos, a engenhoca traduzia a sua movimentação em movimentos no jogo. Caramba, um precursor do Kinect? E tinha nego que dizia que dava pra jogar Street Fighter e Eternal Champions, os mais mentirosos falavam até no Mortal Kombat, mas na verdade o que o Activator melhor fazia era dar uma escoliose do cão.

Os defeitos: bem, tente ganhar uma luta do Deadly Moves com o Activator que a gente te conta. Você pode até perder no jogo, mas vai ganhar um belo ombro deslocado e uma dor nas costas que não passa nem com Dorflex.

Avaliação FZD: nota zero com gosto. Nós do Fliperama do Zé Doido apoiamos os videogames que incentivam o sedentarismo, se quiser perder quilos vá brincar de esconde-esconde e polícia-e-ladrão.

5. Jaguar CD

Procedência: Estados Unidos, uma ilha do continente americano onde os ratos e patos falam o mais fluente inglês, apesar de nunca usarem calças. A arte é da Atari, aquela empresa expert em produzir múmias em série.

O freguês: O Atari Jaguar, aquele videogame bizonho que ninguém tem, mas que você morreu de vontade de comprar após ver uma matéria na Supergame, só para jogar Kasumi Ninja.

Como funciona a bagaça: plugue a privada na entrada de cartuchos de seu Jaguar e se divirta. Mas não troque as bolas: a privada do banheiro é a que tem a descarga.

Os defeitos: O Jaguar CD, pelo contrário, é um dos acessórios mais úteis dessa lista, principalmente depois duma crise de dor de barriga. Ah, sim, e os jogos são uma merda, só para constar. Esse Jaguar tá mais parecendo é churrasquinho de gato preto desbotado.

Avaliação FZD: sem nota por falta de subsídios. Afinal, alguém aqui já viu ao vivo um Jaguar? Já jogou? Ele existe mesmo ou é uma pegadinha do Mallandro?

4. Power Glove

Procedência: A bagaça aí foi fabricada pela Nintendo, então quem acertar o país e o videogame ganha uma paçoquinha carunchada e vencida há uma semana, cortesia do Fliperama do Zé Doido.

O freguês: adivinha? Começa com Super e termina com Nintendo. Também conhecido como Super Computador da Família.

Como funciona a bagaça: e alguém por acaso entendia o porquê dessas luvas para videogame? Será que era algum simulador de pedreiro ou de proctologista? No mínimo, dava para jogar um injusto jogo de luta de cinco contra um.

Os defeitos: e as pessoas com polidactilia, como usavam esse acessório?

Avaliação FZD: na falta duma nota melhor, vamos dar 3,14, o número do pi, já que ninguém entende essa luva mesmo.

3. Placa M2

Procedência: Canadá, a terra da Panasonic, fabricante do 3DO, o videogame oficial do Wolverine e da Alanis Morrissete.

O freguês: o 3DO, mas ele está reclamando no Procon até hoje, porque prometeram a tal placa e o upgrade e até hoje nada, está mais atrasado do que o Tim Maia na abertura de seus shows.

Como funciona a bagaça: se tivesse sido lançada, você compraria a M2 e pagaria o safado e careiro do técnico da locadora pra instalá-la dentro do seu videogame e, milagre, o 3DO se transformaria de Fusquinha queimando óleo numa Ferrari Testarossa. Sim, quem te traria o 3DO seria o Papai Noel, o M2 seria presente do coelhinho da Páscoa e quem te venderia os jogos seria o Homem do Saco. Mas cuidado que esse videogame trazia um bicho-papão escondido na caixa.

Os defeitos: são três no total, chamados 3, D e O, respectivamente.

Avaliação FZD: nota raiz quadrada de 2.

2. Aladdin

Procedência: Duvidosa. A empresa responsável por essa ilustre tranqueira foi a estadunidense Camerica, que teve que fugir para não ser apedrejada e estuprada por uma legião de gamers enfurecida capitaneada por cosplayers do Ninja Gaiden e do Bionic Commando.

O freguês: o NES, mais conhecido como Famicom, Nintendo 8 Bits, Nintendinho, Dynavision, Turbo Game, Phantom System e outros nomes esquisitos.

Como funciona a bagaça: O Alladin, como bom acessório ladrão que não realizava nem três desejos, era um adaptador oco (igualzinho à cabeça dos que o produziram) onde se encaixava um cartucho menor do que os produzidos para o NES. Ele supostamente turbinava os gráficos e sons dos jogos do Nintendo e possibilitavam a produção de cartuchos melhores e mais baratos…mas, como diria o Padre Quevedo, essas coisas NON ECZISTEM!

Os defeitos: pô, meu, pensa só: o adaptador é mais vazio do que a cabeça do Tiririca! Você estava comprando gato por lebre acreditando que aquela engenhoca ia fazer um milagre. Os fabricantes do Alladin ainda diziam que o acessório ia revolucionar o mercado dos 8 bits…assim, o Alladin entrou para a história como um dos maiores mistérios parapsicológicos do Nintendinho. E com um dos piores jogos da história, a aventura em plataforma chamada Dizzy the Adventurer.

Avaliação FZD: nota zero pela funcionalidade, nota 2 por Dizzy the Adventurer e nota 1000 em safadeza.

And the Oscar goes to…

1. Sega 32X

Procedência: Sega, a única softhouse do mundo gamer com necessidades especiais e dívidas siderais.

O freguês: o Mega Drive em estado terminal na UTI, com as carpideiras chorando ao redor e o jogo do Pica-Pau pra estragar o velório.

Como funciona a bagaça: corria o ano de 1994. O Brasil era tetracempeão graças à cagada fenomenal de Roberto Baggio;  o Plano Real fazia mais sucesso que os Engenheiros do Hawaii e, na política, Esperidião Amin inaugurava o primeiro aeroporto internacional de mosquitos e moscas em sua cabeça. O Mega Drive levava surras homéricas do Super Nintendo, nem a Ação Games mais queria puxar o saco da Tec Toy. Então, com uma incrível ideia de jerico, os engenheiros da Sega (surda e muda também) resolveram despejar no mercado o 32X, um incrível acessório que dava level up em seu Mega Drive, fazendo-o se transformar num potente videogame de 32 bits! Éééééééé…um ano depois do lançamento do dito-cujo, a Sega anunciou que iria encerrar sua linha de jogos, concentrando-se apenas no Sega Saturno. RÁ, PEGADINHA DO MALLANDRO!

Os defeitos: jogos do 32x eram mais difíceis de achar do que mocinhas virgens na Holanda! Depois, no máximo, o 32X dava um verniz nos gráficos do Mega Drive e melhorava o som, mas nada do que o Sega CD já não tenha feito melhor. E, além do Chaotix, um dos poucos jogos lançados para a tranqueira foi o Primal Rage, eleito por unanimidade no Fliperama do Zé Doido como o pior jogo de luta da história.

Avaliação FZD: nota 6 pelo Chaotix, o jogo do Knuckles, que, junto com a primeira trilogia do Sonic mais o Sonic CD, está entre os melhores jogos dos ouriçados corredores.

É isso aí! Por isso pegue lá no fundo do seu armário a sua Super Scope 6 pra bater no seu irmãozinho, compre um Aladdin pra dar de presente pro seu amigo gamer viciado em PS3 e não se esqueça de jogar Streets of Rage no Activator. Com sorte, você quebra a coluna.


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