As 5 cagadas clássicas da Nintendo

Pra você que joga o Wii até dar reumatismo e está com o DS calejado de tanto pegar as estrelas do Super Mario 64 DS (se esse é bom, imaginem os 63 outros?), saiba que nem sempre a Rede Globo dos videogames marcou golaços dignos dum Janco Tianco, dum Capitale ou dum Allejo. Na verdade, durante boa parte dos anos 90 e começo dos 00, o empório gamer do Tio Miyamoto fez várias vezes o Mario entrar pelo cano e 0 Pikachu matar inocentes criancinhas japonesas de epilepsia.

Foram acessórios largados pelo caminho; games prometidos e depois esquecidos; promessas que ficaram só na conversa e na publicidade exageradas das feiras; novidades que ganharam só o Japão e nunca foram além de Okinawa. Aqui no Fliperama do Zé Doido você pode conferir as melhores diarreias sofridas pela Big N, quando ela inventou de comer aquele acarajé de rua com muito dendê, aquela pratada de feijoada enlatada com ovo frito e paçoquinha de sobremesa ou aquele pastel de camarão com catupiry que estava há uns dois dias de plantão na estufa do botequim. Prepare uma garrafa de xarope Emulzec e uns rolos de papel higiênico e corra pra privada mais próxima (ou pro primeiro Jaguar CD que você encontrar) que aqui o negócio é sério e não dá risada nem com piada de português:

Cagada n. 5 (peidinho molhado): Drive de LD do Super Famicom

Em 1992, aquele ano longínquo e recôndito no qual esse blogueiro cursava a Primeira Série na turma da Tia Celina, em que o Brasil se tornava a maior piada pronta durante as Olímpiadas de Barcelona e Itamar Franco instaurava no país a primeira ditadura mineira, instituindo a obrigatoriedade do pão de queijo na cesta básica e tranferindo a capital prum “lugarzim” entre Beraba e Belzonte, a Nintendo um belo dia resolveu fazer amizade com a Sony e, juntas, planejaram o lançamento dum drive periférico para o Super Famicom (mais conhecido como SNES no Ocidente), com jogos mais potentes e mais elaborados para o console de 16 bits. Seria mais ou menos como um console que funcionaria acoplado ao Super Nintendo, rodando jogos em laser disc, o LD, um formato de mídia tão famoso quanto vice-campeão de Big Brother, fruto dum relacionamento incestuoso de novela das seis entre o bolachão de vinil e os CDs prateados. Qualquer semelhança com o Sega CD é um plágio descarado e desavergonhado.

Pois bem, a Nintendo anunciou a parceria, prometeu o periférico, deve ter planejado uma meia dúzia de jogos do Mario em LD, deixou as revistas brasileiras em polvorosa a soltarem toda sorte de notícias loroteiras…pra tudo acabar numa cagotífera pizza de quatro queijos com atum. Duma hora pra outra não se falou mais nesse drive e as duas empresas desfizeram a parceria. A Sega soltou no mercado o Sega CD (Mega CD para quem gosta de comer peixe cru) e ficou tudo por isso mesmo. O tal drive que a Sony planejava se transformou numa engenhoca chamada Playstation, que você com certeza não conhece, enquanto que a Nintendo foi lá chorar com os seus advogados pra impedir o lançamento da bagaça em 1995.

Essa é pra ficar no banheiro ouvindo no seu Motoradio uma ótima sonata de Leandro & Leonardo: “Entre tapas e beijos, é ódio e desejo, é paixão é loucura, um casal que se ama, até mesmo na cama…”

Cagada n. 4 (freada de bicicleta na cueca/calcinha): Project Reality

Depois de se puxarem o cabelo no meio da rua e irem pedir o DNA no Programa do Ratinho, logo após o seu divórcio com a Sony, a Nintendo começou a falar dum tal de Project Reality, algo tão claro, fácil de entender e concreto quanto livro do Edmund Husserl. O Reality do nome tinha a ver com realidade virtual, ou seja, era a Nintendo querendo dar um upgrade naqueles óculos ray-ban do Master System. Mas todo jogador experiente já sacou de primeira a mutreta: o Project Reality, fosse dum acessório, dum hardware ou do console sucessor do Super Nintendo, faria tanto sucesso quanto uma terceira temporada dos VR Troopers copiando as cenas do Jaspion.

Lendas urbanas começaram a surgir sobre o tal projeto, que existia de verdade mas ninguém nunca tinha visto, assim como Jesus Cristo e a mulher do Bill Gates: de que ele seria a matriz do Nintendo 64, de que ele era o hardware da placa Ultra 64, de que o Killer Instinct seria o seu primeiro jogo…no final das contas, o Project Reality deu origem ao Virtual Boy. SANTA CAGANEIRA, BÁTIMA! Reservamos o último tópico desse post para este que é o mais flamenguista dos portáteis, segure as pontas e desça a tampa da privada que nós chegamos lá.

Relaxe, encoste a cabeça nos azulejos e olhe para o teto, a cagada está feita e nada a reverterá. E prometa para si mesmo que nunca mais vai comer picadinho de urubu com pimenta malagueta.

3. Cagada n.3 (aquela que te pega no ônibus ou no carro sem nenhum banheiro por perto): Satellaview/BS-X

Em finais de 1995, com Donkey Kong saqueando toda a produção de bananas do Vale do Ribeira, com a Sega indo pra lá de Saturno e a Sony se refrescando na sua Estação de Jogo, que não é a estação de águas termais de Águas de Lindoia e nem a estação de metrô do Jabaquara, a empresa de Hokkaido colaborou com o aquecimento global fazendo com que o Super Famicom entrasse num quadro de obesidade mórbida. Esse tijolão aí que os gamers japoneses tiveram que engolir (sem shoyu e com muita raiz forte, pra faiscar o peidante) chamava-se Satellaview, ou, no nome que ficou mais conhecido em terras tokusatsônicas, BS-X.

A parafernália era um modem via satélite que ia encaixado no Super Nintendo sem KY e sem jeitinho que o conectava naquele mundo incrível de mulheres nuas e correntes de e-mail chamado INTERNET! Já ouviu falar? É bem legal, tem até bate-papo…no caso, o Satellaview se conectava com um serviço online, que disponibilizava arquivos de mídia, programas de interação e comunicação, remakes de clássicos do SNES e jogos exclusivos, como Mario Picross e Radical Dreamers, a continuação espiritual e psicografada pelo Chico Xavier de Chrono Trigger, pagando-se um cafezinho mensal para o Miyamoto. Uma Live movida a lenha!Para gravar esses desvarios, utilizava-se um cartão de memória, como aquele visto lá em cima do console na foto, num tempo em que USB era feitiçaria da braba!

Resultado: O SATELLAVIEW FOI O MAIOR SUCESSO MUNDIAL desde a novela Antônio Alves, Taxista. Não serviu nem como peso de papel para os estudantes de Tecnólogo em Hentai da Universidade de Tóquio. E os jogos…bem, como no SNES todos os jogos recebiam o prefixo “Super” (Super Metroid, Super Star Wars, Super Buster Bros., Super Rádio Tupi) e no N64 todos os jogos eram sempre a 64. sequência (Super Mario 64, International Superstar Soccer 64, Resident Evil 64, Quest 64, Starfox 64…praticamente a maior concentração de games da terceira idade do planeta!), os títulos do Satellaview recebiam o prefixo BS: era BS Mario, BS Zelda, BS Metroid…por isso o BS daquelas roms obscuras que você, gamer contraventor que não cumpre a Lei e tá mais sujo que o Cascão depois duma micareta, vive baixando em suas tardes de ócio e angústia existencial.

Não se apresse em dar a descarga e voltar para seu Assassino Cruz-Credo (conhecido erroneamente como Assassin’s Creed) online: como diriam Zé Bento & Tôcera, “dor de barriga não dá só uma vez, ela dá uma, dá duas, dá três…”

Cagada n.2 (escorrendo pelas pernas): Super FX

Em princípios de 1993, ano de inflação braba, com índices maiores e mais volumosos que as belezas naturais da Fafá de Belém, e ainda por cima sem silicone, um espírito de porco se infiltrou nas equipes da Big N e, para fazer invejinha na sua comadre Sega, que nunca teve uma boa visão de mercado (ALERTA DE PIADINHA DE MAU GOSTO! TUDUMPAH!) e criou, durante uma crise de cefaleia no pâncreas com complicações de mijo na urina, um chip acelerador que possiblitaria à engine 2D do SNES processar gráficos poligonais sem grande gasto de memória, chamado Super FX, proporcionando jogos em três dimensões para os nintendomaníacos, antes mesmo dos sopapos quadradões e dos carros de Formula 1 de papelão de Virtua Fighter e Virtua Racing. Antes mesmo do Playstation e dos arcades, o SNES teria jogos com cenários em três dimensões, UAU, e daí você acordou com o som estridente do despertador e o galo do vizinho a cantar Sepultura…

Pois é, a pecinha milagrosa fez todo mundo jogar o Mega Drive e o Nintendinho no lixo pra comprar o Super, todo mundo queria jogar Starfox (e abrir a fase secreta do asteroide negro), e tome a Ação Games a fazer uma das maiores rasgações de seda em uma de suas edições. E a Nintendo não parava de botar pilha: anunciava um jogo atrás do outro com o chip Super FX, era um tal de Starfox 2 pra cá, dum revolucionário jogo de corrida pra lá, um jogo de luta chamado FX Fighter, outro de nave com o nativo nome de Comanche, e rumores falavam até duma adaptação poligonal do anime Macross…

Mas daí a gente acordou e Starfox 2 nunca saiu (tem o do 64, jogo de estreia do Rumble Pack, o único vibrador desprovido de intenções sexuais), nenhum dos jogos conheceu a luz do dia e o famoso (?) sucessor de Starfox e único cartucho com o Super FX foi Stunt Race FX (mais conhecido como Wild Trax FX no Oriente), uma das maiores TRANQUEIRAS da história dos games, uma VERGONHA para a Nintendo e a Rare, um MONTE DE ESTRUME num videogame que teve jogos de corrida do calibre de Mario Kart. Um jogo tão irritante, com comandos tão ruins, e com aquele efeito ridículo dos olhinhos do seu carro girando, cujo único jogo comparável em ruindade e incompetência é o Krusty’s Fun House do Mega e o ET do Atari. Uma pena que ninguém teve a ideia de enterrar lotes inteiros de cartuchos do Stunt Race FX no sertão da Paraíba.

Esse é pra barriga ficar doendo e roncando uns três dias direto, comendo só arroz com batatinha!

Cagada n.1 (queimando o fiofó do freguês): Nintendo 64 DD

Mal lançou o seu sistema de 64 bits que vinha com Multitap embutido, a Nintendo já começou com as fofocas dum periférico sensacional, que seria anexado ao N64 e rodaria jogos exclusivos e em alta definição a partir de…DISQUETES! Putzgrila, aí sim forçaram a amizade! E seriam uns disquetões do tempo do DOS com tela verde! Sem contar que ele acessaria a Internet assim como seu concorrente DreamCast, com todas as “extraordinárias” vantagens que o Satellaview oferecia. Se bem que tavam mais pra ordinárias do que pra extras…

Enfim, assim como argumento de Super Sentai, o N64DD, como bom videogame marxista, repetiu toda a história dos outros periféricos fracassados e aposentados com antecendência e sem INSS: prometeram um mundaréu de jogos (numa época, o próprio Zelda: Ocarina of Time foi cogitado como um dos exclusivos, depois falaram do Majora’s Mask, mas ambos saíram em cartucho), como o Dragon Quest VII, as sequências de Banjo & Kazooie, de Mario 64 e até do Super Mario RPG, e mais uns jogos japas obscuros…e no final lançaram o acessório só no Japão, com uma dúzia de jogos com o carisma do Pedro de Lara tomando injeção na bunda.

Pelo menos, a sanha da Nintendo em lançar “Disk Drives” inúteis para suas plataformas (não nos esqueçamos que o Famicom teve um também) acabou, sorte que não tivemos um GameCube DD ou um Wii DD. Já não era sem tempo.

Agora saia da privada e vá tomar um banho, e não se esqueça de passar perfume!

Menção Difamatosa: Virtual Boy

Deem uma olhada nessa bugiganga aí em cima. Eu botei uma imagem enorme de propósito, pra conscientizar o mundo gamer pra nunca cair no conto do vigário e adquirir tamanha barbaridade como essa. Essa EXCRESCÊNCIA eletrônica foi lançada em 1995, dizendo-se ser o primeiro portátil com processador de 32 bits e o videogame pioneiro em realidade virtual. Para jogar esse troço, você montava o tripé e enfiava a cara nesses óculos descomunais, e, dentro deles, num fundo preto com figuras e sprites em vermelho, sofria com uma sequências de enjoos, labirintite, tonturas, alucinações, vista cansada e seborreia causados pelos seus esdrúxulos jogos. Aliás, como as imagens eram duplicadas, o joystick desse irmão bastarado do Game Boy também era duplicado!

E o que jogar de bom no Virtual Boy? Teleroboxer? Mario’s Tennis? Wario Land? Nem pra ele foram lançadas as figurinhas carimbadas da Nintendo, prova maior de seu “sucesso”. Não é somente dengue, Pikachu e bomba atômica que mata, o Virtual Boy tem um poder destrutivo de dez bombas de varíola. E ainda por cima é torcedor fanático do Flamengo e do Atlético Paranaense! Tragédia maior é besteira.

Depois duma cagada dessas, nós do Fliperama do Zé Doido recomendamos que você procure por ajuda médica imediatamente. Ainda quer comprar um Virtual Boy? Procure no ferro-velho mais perto de você e aproveite as promoções, quem sabe dá pra pegar uma Kombi sem motor no pacote com desconto!

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: O USO PROLONGADO DO VIRTUAL BOY CAUSA IMPOTÊNCIA, DEMÊNCIA E ERISIPELA, NÃO NECESSARIAMENTE NESSA ORDEM!

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3 respostas para As 5 cagadas clássicas da Nintendo

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