As 5 cagadas clássicas da Sega

O nosso considerado Sonic the Hedgehog, o solteirão mais cobiçado das Colinas Esmeralda, perseguido pelas ninfetas Tails e Amy, também dá as suas trupicadas quando inventa de ultrapassar os etíopes voadores da São Silvestre! E, pior ainda, antes de chegar no Anhangabaú. Pois é, depois que a Poderosa dos games também provou que é suscetível às piores diarreias videogamísticas, chegou a vez da sua eterna concorrente, a Sega, a única softhouse portadora de necessidades especiais que têm visão de mercado. Até mesmo a casa dos Bárbaros Fedorentos, do Porco-Espinho Sônico e das Ruas da Raiva já teve seus dias de mola solta e de flatulências flamejantes. C0mo dizia o velho profeta Edin, “nem só de Bayonetta viverá a Sega”.

Manifestando o seu mais puro sentimento de puxa-saquismo à la Rolando Lero, este blogueiro destaca que, apesar das cagadas, a Sega teve bem menos desconfortos intestinais em suas andanças no mundo gamer do que a Poderosa. Porém, os deslizes foram equivalentes: se a Nintendo teve o Satella View, os disk drives do N64 e do Famicom, o Virtual Boy e o hype do chip Super FX, o que dizer da torcida fanática em cima da trilogia Shenmue (que virou trilogia dum capítulo só)? Ou dos “sensacionais” óculos 3D do Master System, que só faltavam vir com o comprimido de Dramin incluso? E o horrendo 32X e seus jogos mais horrendos ainda (minuto de silêncio por Chaotix, que dá de dez a zero em muito jogo de plataforma recente). Pois é, foi aquele acarajé que tava meio encharcado, o caldinho de mandioca com picadinho de urubu que não desceu bem, mas ainda suspeitamos que a culpa foi daquele feijão-fradinho com manteiga de garrafa.

Vamos lá então antes que acabe o papel higiênico. Confira abaixo uma seleção criteriosa de cinco grandes cagadas da Sega em sua história. Não se esqueça de lavar a mão e passar Hipoglós depois:

Cagada n.5 (quando a barriga começa a roncar e o funcionário do intestino avisa a chefe bunda): óculos 3D + tecla de Pause do Master System

O Sistema Mestre no Brasil entrou para a história como um dos videogames mais simpáticos e preferidos dos jogadores, graças à Tec Toy, que, eras geológicas antes daquele Jogo que quer ser Justo, já legalizava a pirataria desenfreada e a distribuição via camelôs de seus produtos. Contudo, quem comprou o Master System I aí do lado (cópia-carbono do Sega Mark III, o console japa. Ora, onde estão o Sega Mark I e o II? Mistérios da meia-noite…) tinha um pequeno problema: ao ter de pausar o seu Alex Kidd, o seu Jogos de Verão ou o seu Mônica no Castelo do Dragão, você constatava, boquiaberto, que o Start não estava no seu controle. O botão de Pause estava ali no console, naquela distância absurda entre o fio e você, perto do conector dos cartuchos. Sim, naquele abismo infinito, naquela lonjura metafísica, lá nos quintos dos Infernos, onde o Judas perdeu a unha encravada! Especialistas viciados em Dwarf Fortress contratados pelo FZD afirmam: a distância dum joystick para o seu console é maior do que a distância que separa o Resto do Mundo do Piauí.

Pra piorar, em RPGs (como Wonder Boy, Turma da Mônica, Golden Axe Warrior, Ultima) e em aventuras em plataforma com elementos de RPG (Alex Kidd, Psycho Fox), você precisava acionar o Pause no console para ver sua tela de itens e status. Ou seja: para pausar o game rapidamente, você tinha que cruzar toda a sala, tropeçar no cachorro dormindo no tapete, esmagar os carrinhos esparramados do seu irmãozinho, pisotear os restos de pipoca e Fandangos de milho, tropeçar no seu pai bêbado dormindo sem camisa no chão depois da despedida de solteiro do seu primo afrescalhdo e enrolar no dedão a calcinha que sua namorada escondeu debaixo do sofá. Nesse meio tempo, você já perdeu duas vidas, dois Continues, a paciência e a vontade de jogar. Só depois que a Sega lançou aquele controle gigantesco wireless do tamanho dum X-Tudo de rodoviária que esse terrível problema se resolveu, e os segamaníacos puderam voltar para sua serena vida de sedentários.

Porém, mesmo com esse botão escondido na região pélvica do console, o Master System não poderia deixar de ser um primor de tecnologia. Aliás, ele foi o primeiro videogame a ter óculos 3D, com uma incrível tecnologia de realidade virtual nos games. SANTA MUTRETA, BÁTIMA! Por essa nem o Coelhinho da Páscoa esperava. Pois bem, comprando o acessório aí do lado, esse ray-ban de pagodeiro, ótimo para ir assistir jogo no estádio em dias de sol, você conseguia entrar no fantástico mundo 3D dos videogames. Jogue Outrun e depois sofra de horríveis dores de cabeça! Aprenda a incrível arte de resistência a enjoos e controle de vômito com Zaxxon 3D! É a evolução natural da tecnologia do celofane azul e vermelho.

Peritos contactados pela reportagem do FZD advertem: vomitar no controle do Master e ejacular no leitor do DreamCast causam danos irreversíveis ao videogame e gargalhadas infindáveis nos técnicos. Vamos prezar a saúde dos profissionais da gambiarra evitando tamanhos vandalismos.

Cagada n.4 (o peidinho que vem sempre acompanhado): jogos tupiniquins

A Tec Toy sempre foi uma empresa camarada com os gamers brasileiros, sempre enrolados com o preço do Playstation e da cesta básica. Por isso, desde que o Master foi lançado, eles tentaram de todas as formas adaptar e mesmo criar games voltados ao público tupiniquim. Seja trocando os gráficos e textos de jogos já lançados e seja ela lançando produções próprias. O resultado, evidentemente, é digno de ganhar um Troféu Imprensa: as adaptações eram como os piratões do Mario no Nintendinho e os jogos próprios…bem, confira aí em cima o do Pica-Pau e saiba porque o Walter Lantz está dançando a Macarena no túmulo.

Primeiros, os clones: como só os bonecos dos personagens, os textos e algumas telas foram trocados, os games se pareciam com aquelas “ótimas” adaptações do Sonic pro NES ou com o nosso querido Campeonato Brasileiro do SNES. Daí Psycho Fox virou Sapo Xulé contra Os Invasores do Brejo (embora nem tivesse brejo), Wonder Boy II virou Mônica no Castelo do Dragão (com o Capitão Feio aparecendo apenas na tela título), Wonder Boy III virou Turma da Mônica: O Resgate, Teddy Boy virou o game do Geraldinho, e por aí vai. Um mundaréu de jogos sem charme, sem um estilo gráfico próprio, sem um contexto, totalmente aleatórios em seus cenários e desafios. Afinal, trocar o Wonder Boy pela Mônica não engana nem no Jardim da Infância. Deveriam chamar o Shyamalan para dirigir esses jogos.

E os jogos próprios? Em 1996, após uma “longa” pesquisa, a Tec Toy descobriu que um dos personagens mais queridos dos gamers era…o PICA-PAU, aquele astro da TV Record que roubou o espaço dos pastores da Universal. Sim, estamos em 1996: Cavaleiros do Zodíaco, Power Rangers, Shurato, nenhum desses personagens existia nessa era geológica de meteoros de Pégasus. Pois bem, a Tec Toy fez um esforço homérico, cortou muita cana, carregou muito tijolo, e voilà: eis que surge um game 100% brasileiro de plataforma, estrelando o Pica-Pau a salvar os seus amiguinhos do cruel Zeca Urubu, inteiramente em português. Os gráficos até que eram bons, competindo de igual pra igual com o Super NES, mas…a jogabilidade era um desastre! Melhor que ela só o Sarney fazendo um plano econômico.

Mas, como desgraça pouca é bobagem, começaram a surgir outros games nacionais: um RPG do Castelo Rá-Tim-Bum (CREDO EM CRUIZ!), um Street Fighter 2 para Master System (não força a amizade não, Tec Toy) e o SHOW DO MILHÃO! Até o Sílvio Santos se aventurou como astro do Mega Drive. Depois dessa, só faltou um simulador do Programa Raul Gil ou o incrível Guitar Hero Zezé di Camargo & Luciano.

Ó, e agora, quem poderá nos defender? Não, Chapolin x Drácula não, nem em mil anos, nem com Game Genie e nem no emulador com save state.

Cagada n.3 (a chapiscada):Activator

Desse nós já falamos num outro post que procurando você encontra, ô preguiçoso! Esse octógono aí no meio emitia raios infravermelhos e captava os seus movimentos, transportando-os para o jogo. Você dá um chute, seu personagem chuta; você anda, ele anda; você dança, ele dança; você dá BADUKEN, ele solta o Tiger Robocop. Ele só não te imita quando você corre pro banheiro, porque cagada maior que o Activator nunca houve.

Lançaram essa parafernália aí para acompanhar o sucesso que Eternal Champions, o jogo de luta mais espírita que já existiu, andava fazendo naqueles tempos tristonhos de 1994, Copa do Mundo na terra do Tio Sam, Plano Real e Lílian Ramos à vontade. Para variar, o Activator só foi lançado no Brasil além do Japão e hoje é uma peça de museu, mais raro do que o Santo Graal e as fotos da Xuxa pelada na Playboy.

Aproveite para deslocar o ombro jogando com o Dhalsim ou apanhando dos capangas das Ruas da Raiva. Destronque a coluna, ganhe um torcolo e dê um mau jeito, pois o Activator é contra-indicado em casos de suspeita de dengue e para usuários terminais do Wii e do Kinect.

Cagada n.2 (aquela que entope a privada): o hype absurdo em cima de Shenmue

Que Shenmue prometia (e foi!) um puta jogo inovador e classudo pro DreamCast, isso todo mundo sabe. A história do psíquico Ryu Hazuki e sua jornada para conseguir salvar o Espelho da Fênix da máfia japonesa fechou o século passado com chave de ouro, inaugurando um novo tipo de jogo que a geração PS2 não tardou em copiar, reinventando os RPGs, construindo uma baita história boa, vendendo cocada preta a cinquenta centavos…mas o que queimou Shenmue foi a expectativa maluca que revistas de videogame, sites e fofoqueiros de locadora fizeram.

Foram previstos três jogos, com um grau de interatividade absurdo, mas, por problemas financeiros, a Sega lançou apenas a primeira versão para o Ocidente, jogando o Shenmue 2 apenas para redes sociais no Japão. As SuperGamePower, Ação Games e Gamers da vida, entrentanto, botavam uma pilha exagerada nesse fulano: no Shenmue daria para ver a passagem do tempo, seu personagem ficaria doente e tal, daria para jogar os arcades clássicos da Sega, seria como um simulador de vida real…

No final das contas, como todo hype termina em pizza, ficamos com um bom adventure de imersão, com uma das histórias mais bem construídas dos videogames. Já as revistas fofoqueiras preferiram ficar fazendo tricô e vendo a novela das oito, porque hype maior só se veria anos depois com Final Fantasy XII, outro que terminou numa esplendorosa pizza…de jiló com jatobá. Ainda se Shenmue tivesse uma ocarina do tempo…

Cagada n.1 (aquela que te faz se arrepender de comer pimenta): 32X

Esse aqui já frequentou o nosso fliperama também não teve lá muito sucesso em sua primeira análise. O Fliperama do Zé Doido bate o pé e não arrebita: o 32X é uma das engenhocas mais inúteis do mundo dos videogames, um acessório tão vagabundo e enganador que não dá nem vontade de comentar. Olhando mais atentamente, a incrível máquina que “turbinaria” o Mega Drive nada mais é do que um adaptador pega-trouxa. Os “muitos” jogos do 32X, que somam menos audiência do que reprise do Jaspion na Gazeta, não valem os tostões gastos com a porcaria. Economize uma grana e compre aquele incrível Polystation com dois controles e duas pistolas no importabandista da esquina que você leva mais vantagem.

Com dois chips de 32 bits e processador para gráficos 3D, bastava ligar os dois cabos do 32 X no Mega e na TV e conectá-lo na entrada de cartuchos para desfrutar duma verdadeira experiência de 32 bits. UAU, EU ESCUTEI A AGULHA CAINDO DO OUTRO LADO DA SALA! Então quer dizer que enfim o meu Mega Drive emparelhou com o Super Nintendo em desempenho técnico? O Rubinho ultrapassando o Schumacher? A banana sodomizando comendo o macaco? Enfim as preces puxa-saquísticas da Ação Games foram ouvidas? Sim, sim, você poderá jogar Doom no seu Mega Drive com sangue esguichando pelas paredes, sem slowdowns, ou então o Mortal Kombat 2 numa versão idêntica ao arcade que você joga no Fliperama do Zé Doido? SEUS PROBLEMAS SE ACABARAM-SE!

Mas, como não poderia deixar de ser, o Sega Saturn já tinha sido lançado na época (em 1995) e, um ano depois que lançaram o incrível 32X, a divisão da Sega responsável pelos jogos anunciou que o acessório seria abandonada para dar mais ênfase ao Saturn. Aí você sente que a cueca esquentou e que sua flatulência pesou nos fundilhos. Você olha para a lista de jogos e vê uns cinco decentes, o resto uma porcaria e um deles exclusivo para o Japão. Aí o caldinho desce melando as pernas…

Para piorar, há jogos do 32X que só funcionam com o Sega CD acoplado ao Mega Drive. Eis o digimon da Sega: Mega Drive que se combina com 32x, que digivolve para Sega CD, que MEGA-ULTRA-DIGIVOLVE  PARA…MEGA SEGA CD 32X!!!

Aproveite para platinar o Primal Rage, aquele “perfeito” jogo de luta com primatas e dinossauros distribuindo patadas e mordidas, e descubra que “a nível de” vagabundagem existe sim um jogo de luta que supera Martial Champion e Rise of the Robots. A propósito, vejam abaixo o que um Nervoso Nerd do Videogame, um dos ídalos desse blogueiro, fala sobre o 32X e o jogo da Raiva Primitiva:

Bom, o melhor agora é tomar um banho e passar talco antes que asse, mas não podemos nos esquecer de outras “obras” da Sega. Vem aí a…

Menção Difamatosa: os protagonistas sem carisma

Todo videogame que se preza precisa ter o seu mascote, o protagonista do jogo principal de seu sistema, que vai defender as suas cores. Os videogames da Nintendo têm o Mario; o Playstation já teve Crash Bandicoot, Jak e Daxter e Nate Drake; a SNK tem Kyo Kusanagi; a Atari teve Pitfall; até o obscuro Bandai Playdia teve os personagens do Dragon Ball. Pois bem, a Sega já teve bons protagonistas…num passado distante quando ainda existiam pirulitos de chiclete do Zorro e guarda-chuvinhas de chocolate, quando a Pan fazia CIGARRINHOS e não Tubinhos de Chocolate.

A Sega teve antes dos 16 bits um mascote, o Alex Kidd, o orelhudo moleque príncipe do planeta Radaxian, com sua luva de boxe que dava uns jabs de deixar o Maguila com inveja. Daí, na época do Mega Drive, para competir diretamente com a Nintendo, criaram um bom protagonista, carismático, rápido, com uma história convincente e um time de coadjuvantes interessantes. Sim, o nosso considerado Sonic, corredor da São Silvestre. Porém, no final da era Mega Drive, quando começava o reinado do Saturn…

…eis que nada de jogo novo do Sonic para o novo sistema! Mistério…e eis que começam a surgir os protagonistas mais apagados da história em alguns games que bem que mereciam ser esquecidos, mas sempre aparecem nas benditas coletâneas da Sega. Afinal, um onanista que desenha quadrinhos e é tragado para dentro do gibi (Comix Zone), uma estrela com braços e pernas e uma sexualidade andrógina de ornitorrinco desfilando na Mangueira (Ristar) e um pardal com uma dinamite no lugar da cabeça (Dynamite Headdy) renderiam um bom game, um jogo memorável? Não, nem que corressem a mil por hora e vivessem recuperando esmeraldas do Caos.

Daí chegamos ao Saturn e o que vemos? Um Street Fighter de lutadores de papelão (Virtua Fighter), uma entidade viajando nos sonhos das pessoas (Nights) e um cavaleiro de dar corda indo atrás de sua amada (Clockwork Knight). CADÊ O SONIC, MACACADA? CADÊ O ALEX KIDD, HOMEM DE DEUS? O QUE FIZERAM COM OS BRIGUENTOS DO STREETS OF RAGE, JISUISCRISTIM! Nem o Space Harrier perdoaram…e a sequência do E-SWAT?E os bárbaros do Golden Axe, resolveram tomar banho?

Pois é, a Sega abandonou seus protagonistas mais idolatrados, investiu numa turma mais carismática que o elenco de apoio d’A Turma do Didi, e aí a cagada estava feita e só restava tomar um belo banho de ducha fria pra tirar a catinga. Muito tarde, a Sega resolveu ressuscitar alguns de seus protagonistas (vide Sonic 3D Blast, Sonic Adventures, Sonic Fighters…aliás, não vide este último!), quando o Saturn já tinha perdido a briga de foice contra o Playstation e o sexagenário da Nintendo. Para piorar, esse elenco de segundo escalão está presente em praticamente TODAS as Sega Collection da vida. Possivelmente escalarão Nights e Ristar para a próxima edição d’A Fazenda, mas isso é boato.

Bom, querido leitor, esta é a vida da Sega, cheia de buracos, degraus, sarjetas e vagas para deficiente. Depois dessa caganeira, nós do FZD recomendamos ao leitor que procure ajuda médica urgente, antes que a salmonela dê um fatality.



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2 respostas para As 5 cagadas clássicas da Sega

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