Megaman Soccer: a bola murcha da Capcom

Bem amigos do Fliperama do Zé Doido, alô você que detona no Inazuma Eleven e no PES sem dar carrim, voltamos ao vivo e em definitivo para resenhar hoje mais um clássico da era dos 16 bits. No caso, um clássico apreciado pelos gamers mais pernas-de-pau, para acabar com a carreira brilhante de um dos mais queridos heróis do videogame, um dos símbolos da Capcom, uma daquelas vergonhas que a gente tenta esquecer a todo custo mas que nunca deixa de nos atrapalhar a vida. Com Megaman Soccer, um jogo de futebol a estrelar os robôs do Dr. Light e do Dr. Willy, a Capcom deu um bicudo, acertou na trave, pegou no zagueiro e marcou um golaço…um gol contra de placa!

Lançado em maio de 1994, aproveitando a onda da Copa do Mundo no país dos hambúrgueres e da Cientologia, Megaman Soccer foi anunciado com muito fervor durante a Winter Electronic Show de 1993 nos Estêites. Um jogo de futebol com os personagens da série Megaman, pensava o jogador ingênuo, com bolas energizadas, armas espetaculares, jogadas incríveis…UAU, EU ESCUTEI A AGULHA CAINDO DO OUTRO LADO DA SALA!!! Quando a tranqueira foi lançada, bem…aí sim virou várzea. A Capcom pisou feio no tomate e lançou uma porcaria de game que envergonha o Super NES e que mais parece partida de queimada do que futebol. Pior que um peladão entre União São João e Oeste de Itápolis num domingo chuvoso.

Cartão amarelo à mão, xingando a mãe do juiz e comprando o amendoim carunchado do tiozinho da arquibancada, vamos lá que vai começar a baixaria! Esse é o Fliperama do Zé Doido e seu compromisso social de ensinar os gamers sedentários, espinhentos, comilões e punheteiros de que o futebol é a melhor forma de incentivar a violência gratuita e que ele nos ensina de que é na porrada, no xingamento e na malandragem que se resolvem as pendengas.

Pimba na gorduchinha e ripa na chulipa!

Os 16 bits foram uma época em que os gamers futebolistas lavaram a égua com os games de futebol. Não é pra menos: nos 8 bits, os jogos de futebol, pelas próprias limitações dos consoles, não conseguiam alcançar um mínimo patamar de qualidade e, com míseros 5 minutos de jogo, você já se arrependia de não ter alugado a fita do Ninja Gaiden.

Nós tínhamos games de primeira (International Superstar Soccer & clones, Fifa Soccer, World Cup, Super Sidekicks), jogos medianos que até que valiam a pena (Human Pro League Soccer, Prime Goal, Prime Goal 2), peladas de várzea de quinta categoria (Sega Soccer, Super Copa, a enxurrada de jogos da J-League para o Super Famicom) e tranqueiras intragáveis que não valiam nem um tostão furado (os RPGs de futebol do Captain Tsubasa, Pelé Soccer, Zico Soccer, dentre outras bizarrices). E, abaixo dessa escala, no último lugar, o nosso querido Merdaman Soccer, digo, MEGAMAN SOCCER.

Para começar, quiseram botar nesse game um arremedo de história, que você vê iniciando o jogo no modo Capcom Championship: num domingão de sol, com o estádio lotado, o Dr. Willy faz um ataque surpresa e, depois que a fumaça assenta, todos os jogadores são trocados por robôs. Sim, por uma seleção café-com-leite formada por Proto Man, Dust Man, Fire Man, Cut Man, Chill Man, He-Man, Rain Man, Lion Man, Banana Man, Macho Man…enfim, a velha corrumaça do Dr. Willy. O velho cientista queria conquistar o mundo usando esse esporte incrivelmente popular (na verdade, seu plano era de se tornar técnico do Timão). Depois duma dessa, os designers da Capcom deveriam escrever romances de sacanagem que vendem em banca.

Sim, você poderá dar chutões incríveis na bola que a deixam com poderes apelões, capazes de desmontar o goleiro robótico. Sim, seus personagens poderão trapacear à vontade sem serem expulsos, no melhor estilo Mario Kart. Sim, o game não tem impedimento, nem lateral, nem pênaltis (exceto quando dá empate nos modos de campeonato), nem cartões, nem cobrança de falta, nem bandeirinhas gostosas que posam nuas, nem o tiozinho que vende churros na plateia. Aliás, nem juiz existe nesse jogo. Qualquer semelhança com o gol a gol da sua rua com bola de meia e traves de chinelo não é mera coincidência não, É PLÁGIO DESCARADO.

Os comandos também não têm nada de complexo: com o B você toca, o Y dá bicudo e o A dá aquelas bolas altas de cobertura com as quais o Júnior Baiano sempre ferrava a Seleção em 98 e o Start pausa game quando você resolve arrancar os cabelos de raiva por perder o seu tempo com a pelada de várzea do Megaman. Sem a bola, o B serve pra você cabecear, matar no peito e dar carrinho por trás de maneiras sensuais. Já o X e os botões de ombro estão de enfeite; o Select, como sempre, é aquele coadjuvante que não serve pra nada. Bem, os comandos são esses, pelo menos quando eles funcionam.

Aliás, fazer gol em Megaman Soccer é uma tarefa praticamente impossível, mais impossível de que fazer o Rogério Ceni descer dos tamancos: os comandos são ruins, a resposta é péssima, o recurso de trocar de jogadores é automático (do verbo “não presta”) e os goleiros controlados pelo computador são mais frangueiros que o Taffarel depois duma noite de bebedeira. Além do quê, como aqueles arcades papa-fichas de antigamente, o inimigo no Megaman Soccer está sempre a dois passos na sua frente, nas melhores posições, agindo sem o mínimo erro. Prepare-se prum humilhante chocolate de oito gols, até você desencanar do cartucho e jogar um Megaman X de responsa.

DÁ CARRIM NÃO, MÁ, TU É DOIDO, É?

OLHO NO LANCEEEEEEEEEEE!

São quatro os modos de jogo com os quais você pode passar nervoso:

Exhibition: o modo dos amistosos, que tão mais pra amigo-da-onça, isso sim. Dispute uma partida contra o computador ou contra o folgado do seu colega da rua, ou se juntem contra o computador, ou arranje mais dois bananas e joguem de quatro com muita vaselina. Nesse modo, você pode escolher quais os robôs que vão fazer parte do seu time, ou jogar  com um time inteiro de clones. No Megaman Soccer não há times, apenas equipes formadas por um bando de robôs iguais e apenas com as cores diferentes (confira nas Curiosidades Curiosas). UAU, POSSO JOGAR COM UM TIME INTEIRO DE MEGAMEN CONTRA UM COMBINADO DE PROTO MEN? Infelizmente sim! Vá ainda nas Curiosidades Curiosas para ver como essa escalação de robôs é malfeita.

Capcom Championship: o modo história. Você só poderá jogar com o time do Megaman contra os times dos oito Robot Masters: Cut Man, Fire Man, Wood Man, Pharaoh Man, Skull Man, Eleck Man, Needle Man e Dust Man. Avançando no game, outros robôs genéricos da série vão entrando no seu banco de reservas e você vai mudando a escalação. Vença os oito e enfrenta a seleção do Dr. Willy, pior que o escrete do Dunga. Os poderes absurdos aparecem nos bicudos dos jogadores-clones: Cut Man deixa o goleiro em pedacinhos, Fire Man dispara a bola de fogo, Needle usa agulhas que paralisam os meio-campistas, Eleck Man dá choques, Dust Man só faz cagada, etc.

Tournament: um torneio mata-mata no mesmo esquema do Capcom Championship. Quem vencer a Copa ganha o troféu, a animação do final do jogo e a glória de ser considerado o maior pé murcho na vizinhança. Aqui nesse modo dá para jogar com os times dos Robot Masters e também de fazer uma escalação mais sortida da sua esquadra. A dica do FZD é: desligue o videogame e vá assistir ao Desafio ao Galo que você ganha mais.

League: campeonato de todos contra todos com pontos corridos ao estilo do Brasileirão e da Copa dos Campeões. Você está à vontade para montar a sua equipe com os robôs adversários misturados com as duplicatas do Megaman. Só não vale subornar o juiz, xingar a torcida, chorar no tapetão, alterar a certidão de nascimento dos jogadores e escalar o Serginho Chulapa. Na segunda rodada você já estará com um saldo negativo de gols e na lanterna do campeonato, com a Matonense te ameaçando na zona do rebaixamento. E sem repescagem.

Pelas barbas do profeta! Que que eu vou falar lá em casa!

Megaman Soccer não é um jogo de futebol. Também não é um jogo de ação do robozinho invocado-a-ferro-e-fogo da Capcom. Como game, é um cartucho completamente obscuro, para ser deixado empoeirando no fundo da caixa de sapato junto com os jogos japas obscuros, as cópias do Street Fighter e a trilogia Rushing Beat/Rival Turf. É daqueles clássicos que sempre ficam sobrando na locadora no sábado de tarde, depois que as fitas boas já foram rapinadas.

Nada funciona direito em Megaman Soccer: os controles são imprecisos, os passes são tortos, as bolas especiais nunca saem direito, os goleiros se forem controlados no manual não funcionam e no auto eles vivem falhando e só o computador consegue jogar sem erros. Cartão vermelho pra Capcom por nos dar um game tão fuleiro quanto esse, apenas uma jogada caça-níqueis pra aproveitar a oportunidade da Copa do Mundo de 94. Para piorar, como é praxe nos jogos do Megaman, a capa é horrível. Pior que ilustração de livrinho de novena.

Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo! Megaman Soccer em resumo é um ótimo game para ser jogado pra escanteio.

Curiosidades curiosas:

– Nos modos League e Exhibition, você pode escolher vários robôs pro seu time. Mas com uma safadeza dos programadores: você não escolhe um por um, mas um grupo de robôs para ocupar toda uma posição. Funciona assim: num time só de Megamen, você pode escolher um grupo de três Cut Men para a defesa, ou de dois Fire Men pro meio de campo, ou de dois Skull Men como centroavantes, etc. Outra bola da Capcom que deslizou pra linha de fundo.

– Porém, os times no jogo são sempre formados por um único tipo de robô. Imagine se a moda pega: um time inteiro de Violas, outro de Luíses Fabianos, outro de Galeanos e de Neis Paraíbas…

– Os times são sempre formados por oito jogadores, e não tem tiro de meta, lateral e não há juiz para marcar faltas. Ou seja, é várzea mesmo.

– Megaman Soccer é um dos poucos jogos do SNES que pode ser utilizado com o Multitap, acessório que possibilitava conectar quatro controles ao mesmo tempo no console. Dava para jogar Megaman Soccer de quatro tranquilamente, desde com muito carinho e jeitinho…

– Pesquisando imagens na net, esse blogueiro encontrou uma versão em CD lançada para PC desta maravilhsa futebolística. Porém, é uma versão não-autorizada pela Nintendo e pela Capcom, ou seja, é um piratão legítimo de barba ruiva e tapa-olho lançado apenas lá pros lados de Hong Kong e Conchinchina do Norte.

É isso aí! O Fliperama do Zé Doido entrou oficialmente no ramo dos jogos de esporte. Logo estaremos com as canelas arrebentadas e uma bela fratura exposta na panturrilha, mas nada que um Phoenix Down não resolva.


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5 respostas para Megaman Soccer: a bola murcha da Capcom

  1. Pingback: Super Mario, o trabaiadô! | Fliperama do Zé Doido- fichas a dez centavos

  2. Paulo Aquino disse:

    KKKKKKK
    Realmente, o pior futebol não-realista ever! Não serve nem pra pelada de sábado (domingo) de manhã! Série V (de várzea) na certa!

    Isso aí era melhor que fosse outra coisa na vida porque foi reprovado na minha peneira!

  3. Mauricio disse:

    Um jogo fantástico para o SNES era o Super Soccer. Esse jogo tosco, à primeira vista, era muito divertido, pois foi o único jogo até hoje no qual o goleiro fazia toda a diferença, além de jogadas de bola aérea muito melhores do que o PES do PS3 de hoje.

    • zemarcelo disse:

      Cara, e você acredita que lançaram o Super Soccer também pro PS1, todo refeito pros 32 bits? Ele era até que divertido! Mas desses jogos mais obscuros de futebol eu curtia o Human League Pro Soccer e a sua sequências oportunista, o Human World Cup. O legal é que os bonecos dos jogadores eram todos iguais, hehehehehehe!

      Valeu, mano, Mauricio, aquele abraço e volte sempre ao nosso humilde estabelecimento, antes que algum assistente social politicamente correto o feche!

      • Fernando disse:

        Eu achei Megaman Soccer melhor que muitos jogos de futebol para SNES. Mais divertido que os japoneses Excite Stage e aquele RPG com Tsubasa. O jogo é mais complexo do que parece, e só corrigindo, tem lateral, escanteio e tiro de meta sim, apesar do campo ser todo cercado as vezes a bola acaba saindo. E eu sei que você ficava horas jogando isso, não? Vou até tirar meu Super Nintendo da caixa, jogar um dos poucos cartuchos que ainda tenho…

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