As 5 cagadas clássicas da SNK

E vamos lá, leitores e leitoras que acompanham as peripécias do Fliperama do Zé Doido sentados na privada com o laptop e uma lata de talco a tiracolo, para mais um post diarreico e com a mola fraca, estrelando aquela companhia famosa pelos seus arcades de porrada e por ter lançado o videogame mais caro do mundo. Ora, estamos falando da inesquecível Shin Nihon Kikaku, a nossa saudosa SNK! Praticamente a Rede Manchete do mundo dos games, a empresa falida mais querida de todos os fãs, que sonham até hoje com seu reerguimento!

Foderenga a softhouse do “Projeto Novo Japão” (parece até nome de igreja pentecostal de fundo de quintal!) sempre foi: com ela tivemos a relação romântica homossexual entre tapas e beijos lendária história do conflito entre Kyo Kusanagi e Iori Yagami na série The King of Fighters, a odisseia dos parceiros de cachaçada Ryo Sakazaki e Robert Garcia para se tornarem a dupla sertaneja mais famosa do Brasil para resgatar a doce Yuri da gangue de Mr. Big e a porradaria entre os irmãos Bogard e a corrumaça de Geese Howard em South City para vingarem a morte do pai, do mestre Tung Fu Rue e do gatinho zarolho de estimação que foi transformando em tamborim. Isso dos ótimos shmups (Aero Fighters, Samurai Aces) e do tiroteio incessante do Metal Slug, jogo famoso por suas lesmas de metal e por ter mais matança do que fazenda improdutiva.

Porém, assim como duas empresas conhecidas da rapaziada, uma que achou que era só um peido escapulido e outra que quis soltar um passarinho e libertou um urubu, a SNK também teve seus dias de rei no trono de porcelana. Tudo bem que, em se comparando com outras softhouses, a casa do Neo Geo foi a que menos cometeu amarelices, sem lançar acessórios inúteis e ruins; porém, teve jogos que não valiam nem uma ficha furada e que foram programados por equipes viciadas em hentais de estupros com tentáculos e jogos de simuladores de encontros.

Nós aqui do FZD selecionamos cinco jogos cagados que chamuscaram o fiantã de quem se arriscou neles. Deixamos o portátil do Neo Geo (talvez o único acessório lançado pela SNK) para o final, depois que nossos leitores gamers já tomaram um banho e dissiparam o futum de latrina.

Erga a tampa do vaso e vamos lá, que a caganeira é mais rápida do que a luz e o pensamento:

Cagada n.5 (cagotinho): Spin Master/ Miracle Adventure

Manja aquele delicioso X-Tudo da padaria da esquina, que mistura todos os ingredientes possíveis, tipo alface, tomate, cebola, hambúrguer, salsicha, bacon, maionese, picles, filé de barata? É mais ou menos o que acontece com Spin Master (Miracle Adventure nas terras a leste da Rússia): uma misturança total, que só pode terminar mesmo numa dor de barriga.

Curioso é que esse título é o único aqui da lista que foi feito por uma third-party da SNK, no caso a Data East, velha conhecida de caganeiras anteriores (THEEEE AAAAAAAVEEEEEENGEEERS!). Vejamos o estrago e avaliemos o desarranjo: o jogo é um side-scrooling de plataforma para arcades ao estilo Chiki Chiki Boys e Willow (ou seja, ladroeira desgraçada pra extorquir suas fichas!), a jogabilidade com ioiôs e armas arremessadas lembra Ghouls’ n’ Ghosts (mas dessa vez ninguém fica só de cueca arejando os perendengues pra lá e pra cá), num estilo que anos depois influenciaria Metal Slug. A história, como sempre, envolve uma princesa raptada e deflorada, um vilão cientista louco com pinta de ciborgue e sua gangue interminável de capangas iguais, mudando só as cores das roupas e um tesouro escondido, cujos pedaços do mapa você recupera ao matar cada um dos chefões.

Escolha os dois peões Johnny e Tom e vá salvar a princesa Mary do cientista safado usando o poder dos seus incríveis IOIÔS! UAU, EU ESCUTEI A AGULHA CAINDO DO OUTRO LADO DA SALA! No caminho, estoure baús ao estilo 3 Wonders e dê poderes incríveis ao brinde da Coca-Cola que você chama de arma: transforme-o numa bola de fogo, numa farpa de gelo, numa bola de ferro de bomba, numa luva de boxe, em shurikens ninjas, dentre outras apelações. Os cenários não são menos clichês: cruze bases aéreas, florestas cheias de armadilhas, corredeiras cheias de piranhas mal-intencionadas (mas mantendo o respeito e os bons costumes), castelos atulhados de inimigos, desertos cheios de escorpiões e pirâmides abarrotadas de múmias. Nada do que você já não tenha visto num jogo de plataforma manjado, do verbo cópia de Super Mario. Espere até por tartarugas que te atacam rolando com o casco.

Esse jogo não chega a ser ruim, mas…a dificuldade é nula! Bote no level 5 dos dip switches do Neo Geo e você nem sentirá a diferença. De certa maneira, Spin Master é um jogo até divertido; o duro é que ele faz um brodo incrível de vários estilos de game, como beat’em up, plataforma, tiro, aventura…e tome cuidado com a água! Assim como os bárbaros anti-higiênicos do Golden Axe, a água em Spin Master arranca sua energia e é capaz de matar! Um ótimo jogo pra quem há tempos não bate um papinho com a ducha nem tem intimidade com o sabonete.

Por incrível que pareça, Spin Master foi lançado para o Zeebo.

Cagada n. 4 (cagote): Burning Fight

Imagine a situação: estamos em 1991, e nos fliperamas só se fala dos jogos das Tartarugas Chapadas Ninjas, daquela Luta Final, daquele Dragão Duplo e daquelas Ruas da Raiva. Todo mundo só quer gastar suas fichas em jogos que apresentam personagens porradeiros e mal-encarados, enfrentamente uma gangue boca quente pelas ruas duma cidade violenta e numas quebradas risca-faca, armados com facas, revólveres, pedaços de pau, canos e garrafas, arrebentando palcas e cabines telefônicos para encontrar hambúrgueres e frangos assados que recuperam a energia. E lá está a SNK chupando o dedo e organizando campeonatos para decidir quem é o Rei dos Lutadores. Como as palavras “japonês” e “prejuízo” só aparecem juntas quando entre elas está um “não gosta de”, a melhor saída era apelar para a boa e velha cópia descarada. Sorte nossa que o plagiado não foi o Karate Blazers, graças a Sheng Long, Amaterasu e Exu Caveira.

Bom, o que falar dessa Luta Flamejante, que está há anos-luz duma Tempestade Violenta? Bem, escolha entre três lutadores genéricos (um equilibrado meio a meio, o ágil porém fraco e o fortão devagar…EPA, JÁ VI ISSO EM ALGUM LUGAR!), atravesse as ruas de Tóquio tomadas por um sindicato do crime de capangas gêmeos (UAI, ISSO NÃO ME É ESTRANHO…POR QUÊ?), pegue canos e facas para ajudar a dar porrada, destrua caixotes e latões para pegar pontos com joias e moedas e, se a barra pesar, o hamburguer recarrega sua barra de sanguinho (JÁ VI ISSO EM ALGUM LUGAR!) e, no final dos estágios, enfrente chefões forçudos que pulam que nem sapo-montanha depois de tomar Biotônico Fontoura e que dão umas voadoras apelonas (EPA, AÍ JÁ É COINCIDÊNCIA DEMAIS!). Se você estiver com bastante vida, aperte juntos o botão de pulo e o de ataque e seu boneco dá um especial que tira parte do seu life (PERALÁ…ISSO NÃO ERA DAQUELE OUTRO JOGO?).

Pois é, Burning Fight é a maior coleção de clichês já vista num beat’em up. Pra piorar, é um jogo lento, os golpes não saem muito bem, os agarrões com jogada, as armas preferidas dos jogadores de games de porrada, não funcionam como deveriam. Tudo isso embalado com um som AGRADABILÍSSIMO de jogo japa do Mega Drive.

Mas não se preocupe: se for pra matar aula ou pra chegar atrasado no serviço, até que vale perder tempo com Burning Fight. Só cuidado com os inimigos gordões (SIM, ELES ATROPELAM…). Aproveite os incríveis estágios de bônus de destruir elementos do cenário (NÃO FIZERAM ISSO JÁ COM UMA PILHA DE TIJOLOS E UM CARRO VELHO?).

Cagada n.3 (cagarote flamejante): Aggressors of Dark Kombat

A SNK sempre foi especialista em jogos de luta, mas nada disso impede que eles algum dia lançassem um game podrão de briga de galo. Bem, foi o que aconteceu: logo que a SNK realizou a suprema cagada compra da coreana ADK (produtora de World Heroes…o nome desse jogo aliás é um trocadilho de péssimo gosto com a sigla), os novos empregados da SNK despejaram essa tranqueira em fliperamas de quebradas do mundo todo.

Estranho é que o título dos Agressores do Kombate Negro (nada a ver com outro Kombate) mais parece uma versão beta test do que um jogo mesmo. Tudo está pela metade: não tem os nomes dos lutadores nas barras de energia, as lutas têm um round só, os golpes não saem direito, há uma barra de special (essa aí marcada como Crazy) mas não existem golpes especiais, os lutadores são completamente genéricos (tem uns brutamontes que só mudam a roupa e a altura, um pivetinho jogador de basquete, uma ninfeta gostosinha e até, pasmem, o Fuuma de World Heroes), os golpes e agarrões são todos iguais.

Quem sai mais agredido disso somos nós, os coitados jogadores e nossas mãos suadas e febris sobre as manetes dos arcades! Até parece que a SNK fez um software de teste para um jogo, empacotou de qualquer jeito e lançou o arcade, tamanho o amadorismo.

Troque um olhar 43 com seu oponente antes do início de cada contenda e, antes que a gente passe pra próxima cagada: o que quer dizer o status CanCan dos lutadores? É algum bug malfeito? Ou eles vão dançar que nem numa gafieira da terceira idade? Ou é um pedaço do código-fonte que os japas virjões deixaram escapar? Alguém por aí com um conhecimento mínimo de programação faça o favor de terminar esse jogo pra fazer um arcade decente?

Cagada n.2 (cagarreia): Guerrilla War

Essa é pra você dizer pra sua mãe, seu gamer enforcador de aula, que o FZD também é cultura e que você pode estudar História e Política jogando naquela máquina ali à esquerda, bem ali na esquerda mesmo, longe da direita conservadora, neoliberal e capitalista. Nesse jogo, você vivenciará a revolução de Cuba, onde o Filé à Cubana é chamado apenas de “Filé”.

Nesse shooter de 1989 com visão vertical copiando a engine de Mercs e Smash TV, você poderá controlar Che Guevara (1P) e Fidel Castro (2P) durante as guerras de guerrilha em Sierra Maestra até chegar a Havana e derrubar os ianques e o governo do ditador Fulgencio Batista. Vivencie a história da América Latina no século XX jogando videogame! Guerrilla War é o melhor game educativo desde Mario’s Time Machine e Barney Hide and Seek Game. E você pensando que as únicas coisas úteis que os jogos ensinavam eram fuzilar seus coleguinhas de classe e resolver tudo na porrada…pobre mortal…

Daí, se a tia de História der prova, você pode responder o seguinte: Qual era a situação de Cuba na época da Revolução? Resposta: bem, os gráficos não eram lá essas coisas, as cores eram meio desbotadas, as palmeiras e os cenários eram repetitivos, a grama era quadradona, o som parecia uma caixa de abelha. Qual o papel de Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara? Resposta: Che era o controle 1, Fidel era o 2, tudo depende de onde você punha a ficha, e ainda dava pra jogar em duas pessoas. Quais as maiores dificuldades do povo cubano na época? Resposta: aquelas que o Zé Doido regulou nos dip switches, tirando os Continues e fodendo no nível de dificuldade. Na sua opinião, qual o momento crucial da Revolução Cubana? Resposta: quando acabaram as granadas no chefão da quarta fase.

Responsa desse jeito e tire um dez, só que é aquele dez que a fessora esqueceu de pôr o 1 na frente do zero. Em resumo, como arcade, Guerrilla War é um zero à esquerda.

Cagada n.1 (disenteria mortal): Street Smart

Dê uma olhada na foto ao lado. Sim, você conhece esse jogo. No fliperama, era aquele que sempre ficava jogado no canto, perto dos pinballs veiacos da Taito, debaixo da samambaia seca, onde os maloqueiros iam fumar e ver revista de sacanagem. O som da tela-título, uma musiquinha irritante de realejo e de parque de diversões, é inconfundível.

Junto com Aggressors of Dark Kombat, Street Smart foi outro vergonhoso jogo de luta lançado pela SNK, que não vale um peido molhado. Os comandos são ruins pra diacho; não existem golpes (na verdade, você só vai usar o botão de chute e o de soco e variantes, como voadoras tortas e rasteiras capengas), não tem como defender os ataques dos adversários, os agarrões não funcionam (correção: só funcionam com o computador) e a jogabilidade é irritante.

Jogue com um clone malfeito do Ryu (mas sem Baduken, Choriúken e Tréki-Tréki Turuken), com direito a quimono e faixa-preta (só se for daquela arte marcial esdrúxula, o sai-qui-ieu-dô) e atravesse os States enfrentando uma horda de brigões de rua. Enquanto a porrada come solta pelas cidades da fazendola do Obama, o povão fica inteiro ao redor botando lenha na fogueira, até parece final de partida do Timão contra o Parmêra. O mais bizarro é que o chão dos cenários parece besuntado duma mistura viscosa de baba de quiabo, sabonete e KY, pois os lutadores não andam, eles DESLIZAM pelo cenário todo, escorregando até o canto da tela. Duvida? Imagine um Street Fighter numa arena inflável de futebol de salão e confira o resultado.

Caso você consiga vencer a luta sem perder a paciência (pequeno detalhe: seu inimigo não tem barra de energia. SANTA FALTA DE SACANAGEM, BÁTIMA!), uma baranga local, típica maria-tatame, aparece pra abrir as pernas te dar um beijo e te premiar com um troféu sucateiro. Jogando de dois, depois de vencer o brutamontes local, você e o player 2 se enfrentam pra ver quem fica com o tribufu. E, assim, você percorre os Estados Unidos recolhendo troféus (mas nenhum é de platina) e colecionando raparigas. Que beleza! Zere o jogo e pegue uma bela gonorreia, uma infestação de chatos ou ganhe um exame de DNA de graça pra ver quem é o pai do bacurim da moça!

Já que o cagote de esguicho tá feio, entre na ambulância do SNK Hospital (que socorre todos os inimogos nocauteados) antes que você termine desidratado!

Menção Difamatosa: Neo Geo Pocket e Neo Geo Pocket Color

Como toda boa softhouse amarela, comedora de peixe cru, fã de lutas de sumô e torcedora fanática do Kashima Antlers, a SNK fez a cagada suprema de pegar o hardware de seu Neo Geo e transformá-lo numa engenhoca portátil. Porém, todo mundo sabe que portáteis não-Nintendo são que nem novela do SBT: em tudo tentam copiar a Poderosa, mas, no final das contas, acabam sendo só o refugo.

Primeiro foi o Neo Geo Pocket modelo clássico: compacto, monocromático, com um processador mais lento do que Brasília com o radiador queimado. A SNK lançou uns poucos jogos, a maioria adaptações de bolso de seus títulos, como Samurai Shodown e KOF, mas, depois de um ano, aprontou a mesma safadeza da Sega com seu 32X: tirou o Neo Geo Pocket de linha e lançou o Neo Geo Pocket Color, para concorrer com um tal de Game Boy. O resultado: O NEO GEO POCKET COLOR FOI O MAIOR SUCESSO desde a estreia do Ryukendo na Rede TV!. Você conhece alguém que comprou um portátil do Neo Geo? Só se for o japonês do Paraná que mora em Rondônia e que joga até hoje o seu querido Jaguar.

Junto com Nokia N-Gage, Cougar Boy, Atari Lynx, Game Gear, Watara! e outros, o Neo Geo Pocket entrou para o limbo dos portáteis obscuros e fracassados, ou seja, que não foram fabricados pela Poderosa (com exceção, é claro, do foderoso PSP, irmãozinho menor do Negão da Bala Chita). Em vez de ir pro bolso, o Neo Geo Pocket foi pro saco mesmo.

É, SNK, não adianta ir cagar no banheiro da Playmore não, o seu passado te condena. Vamos repor o papel higiênico antes que o Iori Yagami queime a rosca com as chamas púrpura (purpurina?!) e a Leona freie as calcinhas com o temível Cardim de Orochi, aquele que desce pelas pernas e chega na meia.



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