Final Fight

É o Fliperama do Zé Doido de volta às origens, sem precisar de password. Com vocês, mais um clássico dos fliperamas de rodoviária, dos botequins pé-sujo risca-faca e das casas de jogos dos shoppings de contrabando. O lendário arcade da fase do metrô. Quem apostou em nosso querido e sempre lembrado FINAL FIGHT acertou na mosca pousada no canto do bigodón do nosso Doutor Mike Haggar, prefeito de Metro City eleito pelo PPG (Partido da Porradaria Gamer).

Lendário papa-fichas, Final Fight já fez muito gamer experimentado nas artes do esmagamento de botões e do torcimento de alavancas pedir arrego com código de Game Genie. Também não é pra menos: é um dos arcades mais apelões da Capcom. Se você achava os chefões do primeiro game das Tartarugas Chapadonas Ninjas brutalhões, é porque nunca apanhou de Sodom e de Rolento. Se você sempre achou que a quantidade de inimigos era exagerada em Sonic Blastman, jogue uma partidinha de Final Fight e se prepare pruma horda de punks, garotas de programa saltadoras e açougueiros atiradores de faca, todos juntos e ao mesmo tempo, acompanhados pelos gentis irmãos Andore! Sim, essa família muito louca que apronta as maiores confusões vai azarar sua vida nesse game. Família que briga unida permanece unidam, até nos piores sopapos.

Lançado em 1989 e primeiramente programado como uma sequência de Street Fighter 2 (duvida?! Confere lá nas Curiosidades Curiosas), Final Fight logo se tornou um clássico entre os maloqueiros, os enforcadores de aula, os pingaiadas com pendores videogamísticos e os nerds de plantão. E conferiu ao prefeito Haggar um monte de mandatos, umas boas negociatas e uma bela teta pra mamar na prefeitura de Metro City!

VAMOS LÁ ANTES QUE COMECE O HORÁRIO POLÍTICO!

PRA SITUAÇÃO NÃO PIORAR, VOTE NO HAGGAR!

Metro City era uma cidadezinha bem pacata, exceto por uma chacina ou outra na periferia, uns arrastões no West Side, uns quebra-quebras na beira da praia, uns assaltos a banco, uns ônibus queimados no meio da avenida, umas gargantas cortadas, umas tripas jogadas na sarjeta…enfim, um ótimo local para se viver. Quem comandava a carnificina confraternização universal era uma tal de Mad Gear, uma gangue de psicopatas e estupradores e raparigas seminuas saltadoras turma de bons sujeitos, todos boa praça, suas moças todas de boas famílias. Enfim, nas seis áreas de Metro City, imperava a paz celestial, igualzinha à daquela pracinha bucólica da China onde nunca ninguém foi fuzilado.

Nas últimas eleições municipais, vencendo o candidato Tiririca (cujo vice era a Mulher Melancia) por uma margem estreita de votos, os ex-lutador de rua Mike Haggar resolve abandonar a carreira de brigão depois de levar uma surra do Maguila e assume a carreira de homem público, ou seja, o putão de Metro City o prefeito de Metro City. Entre um superfaturamento aqui, uma maracutaia ali, uma licitação acolá e um emprego pros parentes, Haggar recebe uma ligação em seu gabinete e sintoniza a sua TV: a gangue Mad Gear escolheu o mais feio de seus capangas para anunciar que Jessica, a filha de Haggar, foi raptada pelos terríveis comparsas da Mad Gear. E, pra piorar, sem calcinha!!! Os caras exigem a renúncia do prefeito e um milhão de cestas básicas, do contrário, Jessica não será mais donzela.

Adotando uma política democrática e humanista, Haggar vai resolver a situação da melhor maneira possível: NA PORRADA! Descendo o cacete, sentando a mão, enfiando um chute nos bagos, mandando lenha…enfim, o que se espera dum prefeito competente. Nesse balaio de gato, entrou também o namorado chifrudo de Jessica, o marombeiro Cody, dando um tempo em suas doses de anabolizantes, e seu amigo Guy, o amarelo da turma, mestre em ninjitsu e vestindo sempre o seu quimono vermelho, cheio de raiva depois que o Godzilla e o Satan Goss destruíram seu país natal com um tsunami.

Escolhendo entre um dos três brigões (Guy é rápido e ágil mas é um fracote desnutrido, Cody é o mezzo mussarella e mezzo calabresa equilibrado, que não cheira e nem fede e Haggar é o gordão lento mas que arrebenta), você precisará atravessar os seis bairros principais de Metro City, incluindo as favelas do Slum, o metrô, os inferninhos e lupanares do West Side, a zona (epa!) industrial, a Bay Area e a Cidade Alta, onde se localiza o terraço do chefe da Mad Gear.

Prepare-se pra muita facada, murros, chamas que saem do chão, inimigos com nomes ridículos e gordões que atropelam. Somente o filé de coxão mole dos beat’em ups!

UM JOGO SEM DEFEITO, É O HAGGAR PRA PREFEITO!

Vá andando pelas telas e arrebentando as gangues de inimigos, com socos, chutes, voadoras e o deathblow, aquele golpe que arranca um pedaço da sua energia. Vez ou outra, em alguns caixotes e tonéis, você encontrará facas, canos de ferro e até espadas ninjas que te ajudarão a dar porrada nos bandidos. Não espere por revólveres, armas de raios, maçaricos, lançadores de foguetes, porque em Final Fight a premissa é mais pé no chão, essas apelações só foram surgir em seus sucessores, como Cadillacs & Dinossaurs, The Punisher e outros. Aliás, Final Fight foi o jogo mais influente da Capcom, de certa maneira todos os beat’em ups famosos se inspiraram (do verbo copiar sem vergonha!) nele, como Violent Storm e Vendetta (Konami) e Streets of Rage e, duma certa maneira, Spider-Man (Sega). Sério mesmo, Final Fight é um dos jogos mais plagiados da história, perdendo apenas para Mario, Tetris e Pac-Man (o famoso Come-Come, videogame politicamente incorreto conhecido pela sua libido descontrolada e pelas suas tendências à glutonaria). Até a Sunsoft arrancou uma lasquinha com seu “excelente” jogo da morte do Superman!

Pois bem, atravesse os seis bairros enfrentando os cafumangos da Mad Gear e os Andore, um sindicato criminoso formado apenas por irmãos gêmeos abandonados no nascimento e desmamados na maternidade! Leve no pacote duas fases de bônos de quinta categoria, com o selo Capcom de qualidade imprestável, como a famosa quebradeira de automóveis chupinhada do Street Fighter e uma outra de arrebentar chapas de vidro. É, Capcom, seu lance sempre foi mesmo a porrada, viu. Dê porrada nas várias cópias-carbono dos Slash e dos Axl (porque o Chinese Democracy foi uma porcaria e o Slash’s Snakepit e o Velvet Revolver não servem nem pra animar batismo e enterro de anão!), grandalhões peritos em defender seus ataques, enfrente as surfistinhas Roxy e Poison mas não se esqueça de pagar, se irrite com os El Gado e Holly Wood, os dois açougueiros atiradores de facas, sem se esquecer de desviar do atropelamento dos Oriber e Bill Bull, os gordões chifrudos. Nesse meio tempo arrebente a cara do Andore que estiver de plantão na área.

E temos os chefes, é claro! O motivo de maior irritação no Final Fight! Os maiores apelões! Nesses, a Capcom pegou pesado! Fale a verdade, você já aproveitou que um banana ou um pivete estava apanhando deles pra “roubar” a ficha prometendo ensiná-lo como passar. Vamos a eles:

Damned (chamado de Thrasher nas versões do SNES e do Sega CD): bombado que era tão fã da Xuxa quando pequeno que, após ser quebrado de porrada pelo pai bêbado depois de se vestir de paquita e dançar o Ilariê, juntou-se ao Mad Gear para descarregar suas emoções reprimidas. É um chefe até que fácil, o que enche o saco é quando ele fica saltando pela tela e desferindo suas voadoras certeiras quando você está numa rodinha de inimigos. O pior é quando ele se pendura na mureta da estação de metrô e chama os cupinchas pra ajudar! Vai amarelar, maluco? Tira essa cabeleira ensebada de Simony e cria vergonha na cara, moleque!

Sodom (chamado de Katana nas versões americanas, exceto a do arcade. O que não ajuda muito, porque uma espada pode ser introduzida em quaisquer orifícios, tudo depende da preferência do freguês…): depois de encontrar uma arena montada no meio do metrô (imagina se a moda pega? Um ringue para o pessoal que frequenta a estação Corinthians-Itaquera e a galera da Palmeiras-Barra Funda resolver as diferenças?), relaxe e prepare um tubo de vaselina, que esse samurai da periferia ainda vai te sodomizar! Esse sim é um inimigo chato! Apesar de você poder roubar as suas espadas, Sodom vai entrar com tudo por trás, numa estocada só, sem dó nem piedade e ainda nem vai ligar no dia seguinte!

Eddie E., o gambé: esse é aquele policial safado e corrupto que vive nos puteiros! Vai virar chiclete de caveira! Cuidado para não tomar uma geral do home, que ele é dos brabo! Roube sua goma de mascar e ganhe um pouco de invencibilidade temporária, o suficiente para escapar dos seus pipocos. Pelo jeito, o policial Eddie não conseguiu entrar no Bope e pediu pra sair. Se estiver com muita dificuldade, peça para o Coronel Nascimento botar uma ficha e entrar como 2P para acabar com a festa do fanfarrão.

Rolento, o chefão nojento: e bota nojento nisso! Esse mercenário italiano pula o cenário todo, faz a bolinha do Blanka, corre numa velocidade vertiginosa, se esquiva de seus ataques, enche a tela de granadas…no mínimo, umas três fichas dá pra perder com ele. Enfrente-o na tradicional fase do elevador, fichinha em todos os games de briga.

Abigail, um rapaz, digamos…sensível: esse você encontrará na baía (mas não é a Bahia de Caetano, de Gil, de Gal e de Todos os Santos), perto duma réplica da Estátua de Liberdade, depois de atravessar uns banheiros públicos habitados pelas cepas mais resistentes de gonorreia. Abigail é um rapaz macho, viril, musculoso, alto, forte, de rosto maquiado, respeitável, mas, depois de tomar uns tabefes, ele grita, fica com a pele cor de rosa vermelha, vai pra cima de você…bom, deixa pra lá, o FZD é um blog sem preconceitos e pré-julgamentos, exceto que é unânime em dizer que não jogou e não gostou do jogo do Super-Homem pro N64.

Belger, o chefão: esse é o cara! Enfrente-o na cobertura tropical de seu apartamento, primeiro numa cadeira de rodas (com a Jessica em seu colo…vije, isso vai terminar mal, compadre Haggar!) e depois desvei de seus tiros de arpão, até mandá-lo pela janela. Combine a agilidade do Rolento, a safadeza do Sodom (mas com camisinha!), a resistência do policial, a chatice da Xuxa da primeira fase, e teremos um último chefão de responsa!

Jogue com o Haggar…e, se ele não for um bom lutador, nunca mais jogue comigo!

Final Fight é um crássico com K maiúsculo e cê-cedilha! Não conhecemos nenhum gamer que nunca tenha perdido seus níqueis e apanhado a valer das hordas de punks que infestam as telinhas corroídas dos fliperamas do mundo todo. E com uma dificuldade CABULOSA, como não vemos mais em jogos de hoje. Basta ver o quanto de inimigos juntam na tela. Pra piorar, tem sempre os Andore que aparecem pra atrapalhar, e os Holly Woods vestidos de vermelho, que lançam granadas de fogo, esses sim uma presença obrigatória em todos os estágios.

Final Fight lançou praticamente todos os clichês dos beat’em up: desde os itens de energia (comida para restaurar sanguinho, pedras preciosas e dinheiro para pontos extras) até cacoetes de chefões (confira, dos Captain Commando ao Gaia Crusaders, sempre vai ter um chefão forçudo e lento, um chefão rápido, um chefão especializado em agarrões e jogadas, um com armas de fogo, etc.). Até as inimigas apelonas, mais perigosas que os homens, os gorduchos e a tela do mapa o Final Fight trouxe! Por essas inovações é que podemos chamá-lo de clássico!

Bote uma ficha na máquina e se aventure por Metro City para salvar a filha do Haggar! Só não podemos garantir a honra da moça, porque, sabe, com um chefão de nome Sodom, tudo pode acontecer…sem crise, Haggar, todo pai passa um dia por isso…

Curiosidades Curiosas:

– O título inicial para Final Fight seria Street Fighter ’89. Sério, o jogo foi pensado primeiramente como uma sequência para Street Fighter II- The World Warrior. Isso dá pra perceber especialmente pelo design dos personagens e dos cenários. Mas, mesmo assim, Final Fight nunca deixou de ter uma ligação com a série dos Lutadores de Rua, como você vai ver abaixo.

– Os personagens de Final Fight aparecem em vários outros games da Capcom: Haggar é estrela de Saturday Night Slam Masters e aparece também em Marvel vs Capcom 3 e, em Street Fighter Alpha, podemos encontrar Guy, Rolento, Sodom e Cody (como presidiário e fazendo cosplay dos Mamonas Assassinas!).

– Final Fight ganhou duas conversões para consoles domésticos: uma para Super NES, que é uma PORCARIA! Só dá para jogar com Cody ou Haggar, os continues te obrigam a voltar para o início do estágio, sumiram com a fase da Bay Area e do Abigail…anos depois, os programadores da Capcom, provando que possuem uma sucursal lusitana, lançaram o Final Fight Guy (???), que nada mais é do que o primeiro jogo mas só podendo-se jogar com o ninja garoto-propaganda da Pomarola! Pra compensar, tivemos o lançamento duma versão DE RESPONSA pro Sega CD, com direito a vozes digitalizadas, um modo time attack completamente novo e cenários exclusivos, como o da ponte estaiada. Dessa vez, a Sega passou a perna na Nintendo. Ó O FUMO, NINTENDO!

– Duas sequências foram lançadas exclusivamente para o Super Nintendo (para compensar o pecado gamer que foi aquela primeira adaptação): Final Fight 2, um jogo bem legalzudo, e Final Fight 3, um mais legalzudo ainda, com novos personagens e novos cenários. Além delas, há o Mighty Final Fight para Nintendinho, um spin-off com os personagens cabeçudos e em estilo cartoon, com um lado mais infantil. Mas que ainda é bem divertido!

– Final Fight ainda rendeu um game de luta mano a mano, chamado Final Fight Revenge (1999), para Saturn e arcades, estragando o aniversário de 10 anos da série. Mais um game oportunista copiando KOF e Street Fighter, sem muita graça. Depois, em 2006, tivemos o apagado Final Fight Streetwise, para PS2, um beat’em up em 3D que faria Fighting Force parecer um game do Hideo Kojima. E, por fim, o Final Fight Double Impact (2009), comemorando os vinte anos de série sem cerveja e sem mulheres peladas, lançado como DLC na Live e na PSN. É, pelo visto o Haggar anda mal nas urnas…

– Ficar procurando referências do Final Fight em beat’em ups (só no Punisher, no Captain Commando e no Alien vs Predator, ficando só nos títulos da Capcom, renderia um post inteiro!) é doideira, é uma tarefa de Solid Snake. Contudo, o jogo que mais condensa influências do Final Fight é o ótimo Violent Storm, lançado pela Konami como uma sátira ao Final Fight e aos beat’em ups em geral. Confira umas imagens abaixo e tira a sua prova:

– Censura: nas versões para SNES, as pu…digo, moças de vida fácil Roxy e Poison estão bem mais comportadas: ao invés dos bustiês e das tangas, elas vestem camisetas longas e bermudões jeans. Além disso, os respingos de sangue foram retirados e o nome de alguns chefes, como o Sodom, foram alterados. Exigências da Poderosa, que não quer ver seus fãs corrompidos por uma sociedade cruel e violenta. Pô, Nintendo, até quando você vai impedir seus gamers de descobrirem as delícias do sexo solitário e da violência gratuita?

E NÃO SE ESQUEÇA: EM 2012 É HAGGAR NA CABEÇA! Por um governo democrático e porradeiro, sem gameshark e Anões do Orçamento, vote nos candidatos do PPG!!!

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