As tripas vão rolar: Splatterhouse!!!

Atendendo a pedidos do amigo Renê, grande leitor e frequentador do fliperama (é aquele cabeludo ali viciado que não sai da máquina do Street Fighter), vamos hoje fazer um dossiê dum crássico do terror eletrônico. Peguem um crucifixo, uns dentes de alho, umas lágrimas de cigana e uma cueca nova, que o posto de hoje não vai deixar ninguém dormir à noite. O Fliperama do Zé Doido não é o Padre Quevedo e nem os irmãos Winchester mas mesmo assim vai fazer um post sobrenatural dedicado a um dos clássicos com K grande e cê-cedilha do terrir terror videogamístico. É aquele game do Sexta-Feira 13 pra Nintendinho, aquele cartucho amaldiçoado, que deve dar azar até hoje pros vagabundos desprovidos de talento programadores que o lançaram? É do jogo dos Tomates Assassinos, outra pérola da tosquice nos 8 bits? É o Warlock, aquele jogo maravilhoso, baseado num filme mais maravilhoso ainda, tão maravilhoso que deveria ganhar um Troféu Imprensa?

NÃO, NÃO E NÃO! Estamos falando dum game de terror legítimo, com TH maiúsculo, tripas de borracha, sangue de ketchup, atores canastrões, mocinhas peladinhas e estripadinhas e o roteiro digno do Zé do Caixão! Só pode ser o nosso querido e sempre lembrado Splatterhouse, um dos arcades mais cabra-hômi e sem amarelices que a nossa gloriosa Namco espalhou por fliperamas e botequins nas quebradas do mundo todo. A saga do nosso corajoso Rick Taylor, cruzamento de Freddy Kruger com Jason Vorhees e umas pitadinhas de Toninho do Diabo e sua poderosa máscara de carnaval da Nenê de Vila Matilde dotada de poderes místicos! UAU!!!!! Esse argumento renderia até um tokusatsu pra ser exibido de tapa-buraco na Rede Manchete!

Numa era dominada por uma horda de beat’em ups ruins (feitos só para te roubar fichas) e com comandos toscos e shmups que não ofereciam nada a não ser uma desgraçada chuva de mísseis e tiros, a Namco inovou e, criando vergonha na cara (sem a ajuda da máscara da caveira), botou a japaiada pra trabalhar por vinte horas diárias sem CLT e fundo de garantia e a pão e água (leia-se: sushi e Guaraná Picolino) e o resultado taí: um jogo decente, classudo, à prova de bundões e de revistas frescas.

TÁ COM MEDINHO, LEITOR? VAI AMARELAR? ENTÃO NÃO LEIA AS LINHAS ABAIXO E MUDE DE SITE, SEU CAGÃO!

Splatterhouse: a primeira vez dói mas é inesquecível!

Em 1988, pegando carona nos clássicos do terror que faziam muitas plateias se mijar de rir de medo nos cinemas do mundo todo, como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Poltergeist, A Profecia, O Exorcista, Lua de Cristal e Inspetor Faustão e o Mallandro, a Namco reuniu sua melhor equipe de plagiadores e tascou um beat’em up pros Arcades com um protagonista sanguinário, vestido com farrapos de roupas e a máscara dum assassino de slasher movies, armado com cutelos, facas, tacos de beisebol, pedaços de pau e serras elétricas, pronto para trucidar zumbis, demônios e monstros gosmentos. Tudo isso ambientado numa mansão assombrada caindo aos pedaços, cheia de fantasmas e poltergeists. E nós fomos brindados com Splatterhouse, o jogo que salvou a indústria do ketchup, dos figurinos baratos, dos atores canastrões, responsável por triplicar a venda de papel higiênico e de Maracujina no mundo inteiro!

Rick e Jennifer eram dois universitários (ou seja, tinham só um punhado de neurônios e só queriam saber de cerveja, sexo e brigas entre fraternidades), estudantes de parapsicologia (ESTUDANTES??? hahahahahahahahahahahahahaahaha…ai, ai, essa foi boa!), que foram investigar uma misteriosa mansão nos arredores da floresta de sua cidade, onde, supostamente, segundo uma lenda urbana, aconteciam experimentos sobrenaturais e rituais satânicos (praticamente um motel grátis, com champanhe e feijoada no quarto!). Durante a noite, os dois foram sozinhos até a tal mansão, e o gamer ingênuo e pudico que nos lê acredita realmente que eles iam fazer uma investigação séria e científica…porém, antes de beberem a segunda garrafa de vodca, de queimar uma erva e da Jennifer ver o tamanho da coisa, zumbis raptam a moça e Rick é nocauteado no escuro. Porém, antes que Jennifer deixe de ser donzela, uma máscara de hóquei voadora aparece rodeando o nosso azarado Rick, até que ela se funde a ele. Agora, dotado dos poderes demoníacos da máscara, Rick precisa atravessar os cômodos assombrados do casarão e ir até os quintos do Inferno pra salvar a sua ficante.

Transformado num brucutu de roupas rasgadas e cara amarrada, armado com pedaços de pau, porretes e tudo o que lhe vier à mão, praticamente um torcedor fanático da Gaviões da Fiel depois duma derrota do Timão, Rick agora vai arrancar muita cabeça de zumbi e dar porrada em muito fantasmão brabo. Atravesse várias dependências da mansão, como os porões infestados de mortos-vivos, salas e quartos possuídos por poltergeists que arremessam cadeiras, quadros e até lustres, jardins infestados de cachorros-zumbis e assassinos de serra elétrica, a biblioteca cheia de morcegos e almas penadas, para enfim chegar ao Inferno e dar de cara com o diabão gelatinoso saído do filme d’A Bolha Assassina.

A jogabilidade pra época é muito boa, com uma variedade de movimentos que vai além (Além-Túmulo) do simples soco e chute: Rick pode socar, chutar os bagos dos monstros, pular, dar socos no ar, desferir voadoras e dar até uma providencial rasteira do tipo “aspirador desgovernador” para se livrar de cabeças voadores, vermes comedores de carniça e mãos decapitadas que se movem sozinhas. A variedade de armas também é assombrosa (TUDUMPAH!!! ALERTA DE PIADA SEM GRAÇA!), contando, além dos já falados porretes de beisebol e cutelos, com rifles (na terceira fase), arpões (na quarta) e até machados de bárbaro (nos últimos estágios). Aliás, você vai NECESSITAR dessas armas, do contrário vai virar lanchinho do capeta com muito molho de hemoglobina, vide os monstros aquáticos no esgoto da segunda fase.

Já os itens de energia, bom…faça uma reza brava antes de colocar a ficha e ponha uma imagem de São Snake do Quixeramobim em cima dos controles da máquina, porque não tem nem um hambúrguer ou um franguinho assado pra restaurar os seus corações (que, ao contrário dos Castlevania da vida e dos games de plataforma, é um coração mesmo que mede seu life, sangrento e infartado, nada de coraçãozinho guti-guti), tem que jogar na raça mesmo. E as armadilhas, é só coisa fina, tipo as engenhocas das provas das Olimpíadas do Faustão: espetos retráteis no chão e catarradas ácidas dos cadáveres estropiados (na fase 1), bolas cheias de tachas flutuando na água (fase 2, para relembrar os arcades das Tartarugas Boladonas Ninjas), buracos lotados de espinhos (fase 3) e por aí vai, até os troncos rolantes em chamas da fase 7, a maior apelação possível, um aperitivo pro último chefão.

Splatterhouse tem uma porrada de limitações técnicas, culpa dos processadores lentos da época e da baixa memória RAM. Veja os gráficos: os sprites, embora tenham bvoa definição e uma generosa paleta de cores, são extremamente repetitivos: você vai ver quase sempre os mesmos monstros com cores diferentes, a mesma lareira, a mesma estante de livros, os mesmos quadros e lustres, as cadeiras saltitantes iguais em todas as fases…sem contar que as texturas do penúltimo estágio são copiadas da primeira fase e as árvores da fase final vêm da verdade da terceira! O cenário mais copiado com certeza é o do chefão dos vermes, com as paredes cheias de sangue e de restos de corpos.

Aliás, mostrando como os enredos eram irregulares nesses primeiros anos dos arcades, você só verá um chefão realmente digno do nome lá pra terceira fase, a fase do jardim macabro. Nas duas primeiras fases, você só enfrentará uma onda de inimigos seguidos, de vermes gigantes (na primeira) e de móveis e punhais que se movem sozinhos (na segunda). Daí, da terceira pra frente, pintam uns chefões até que simpáticos (mais simpáticos do que um alien de baba corrosiva ou do que a menina d’O Exorcista!), como um Leatherface morto-vivo com duas motosseras no lugar dos braços (morra de inveja, Ash!), a cruz invertida rodeada de cabeças na fase da capela e uma versão maligna do Penadinho.

Aliás, destaque para o chefão da fase da biblioteca: ninguém menos do que sua querida Jennifer, deflorada, desonrada, estuprada, seviciada, safada, arrombada, quebrada, espancada, desdonzelada…E TRANSFORMADA NUM MONSTRENGO CANIBAL! Vije, o que será que os zumbis fizeram com ela enquanto ela estava deitada naquele sofá? Rezando uma ave-maria com certeza não era…Aliás, nesse jogo você não salva a piriguete namorada no final. Afinal, pelo menos uma vez as princesas precisam se ferrar, né?

Censuras à parte (confira nas Curiosidades Curiosas, desce a barra de rolagem aí se tiver coragem, ô bunda-mole!), Splatterhouse teve conversões para o PC Engine/Turbografx 16 e para um console doméstico chamado FM Towns Marty, um videogame lançado apenas no Japão, mais obscuro do que poesia do Carlinhos Brown, além duma adaptação pro Wii Virtual Console e dos remakes em HD pro Xisboca 360 e pro Negão da Sony.

Splatterhouse foi um arcade que abriu caminho para que bons beat’em ups fossem feitos, além de ser um dos primeiros crássicos da Namco. Porém, com seu final aberto, tava na cara que iam enfiar uma continuação goela abaixo, ainda mais aproveitando o advento dos consoles domésticos de 16 bits no começo dos anos 90. Então, veio a sequência, que, como em todo filme de terror, já começava a estragar a franquia.

Splatterhouse 2: maldita sequência!!!

Quatro anos depois do Arcade, a Namco resolveu lançar essa sequência, apenas para Mega Drive. Pela capa do produto, o jogo prometia, com um alien cheio de dentes, um espectro parecido com o Geleia dos Caça-Fantasma e um polvo saído diretamente dum capítulo do Spectreman…sim, o jogo prometia ser uma continuação oportunista e feita nas coxas, e o mais curioso é que ele cumpriu tudo o que prometeu. Esse merece um lugar todo especial no coração dos cupinchas do Fliperama do Zé Doido.

Depois de escapar da mansão macabra, Rick é acordado pela máscara (agora transformada definitivamente numa caveira, talvez para não ter problemas de direitos autorais com a máscara de hóquei) e intimado a voltar ao casarão do primeiro game para resgatar Jennifer. Uai, a moça não tinha morrido naquela fase, quando ela estava rodeada pelos zumbis, dando mais que chuchu na cerca ameaçada pelos bichos famintos? Pois bem, mais uma das maravilhas que os roteiristas fazem. Daqui a pouco, com essa virtuosidade literária e essa cara-de-pau de ébano legítimo, já poderão escrever fillers pros Cavaleiros do Zodíaco ou roteirizar o gibi do Homem-Aranha!

E lá vai Rick, com sua fantasia de Halloween e sua cara de modelo anoréxica depois de tomar laxante, salvar a mulé. Marido bão tá aí!  Como sempre, com um arsenal de sarrafos, facões, serras elétricas e espingardas perfeitas para arrebentarem a cara de monstros catarrentos. Aliás, esse game tá precisando tomar um pouco de Melagrião e Magnopirol, porque quando todo inimigo morre, até os chefes, eles viram uma gosma verde.

Este game tinha tudo para ser um bom side-scrolling de porrada desordenada, captando o espírito do arcade original, mas…lembra do Devil May Cry? Cujo primeiro jogo era aquela maravilha de pancadaria, viciante, carismático, engraçado, épico, e o segundo, quando Dante e Trish vão pruma ilha dominada por um empresário que quer abrir os portais do Inferno, é uma tranqueira só? Pois bem, Splatterhouse 2 sofre desse quebrante, nem sal grosso, reza brava e folha de arruda tira a praga.

Como definir a sequência de Splatterhouse? Mais do mesmo, e tudo piorado, ainda por cima. Para começar, o game sacaneia já no options: os níveis de dificuldade são na verdade Normal, Difficult e Game Master!!! SANTA APELAÇÃO, BÁTIMA! Os produtores não tiveram pena dos jogadores, foi a seco, sem vaselinha, com areia e nem uma cuspidinha na ponta! Os itens, como as armas que Rick usa, também foram minguados a extremo (leia-se: faltou memória RAM no processador preguiçoso do Mega Drive), sobrando só alguns porretes e cutelos. O layout da tela, como dá pra ver aí em cima, ficou idêntico ao do original. Como no filme “Uma Noite Alucinante” (Evil Dead), o segundo título foi só um remake do primeiro.

Pior do que isso, como toda BONÍSSIMA adaptação dos arcades pros videogames domésticos, especialmente quando a máquina era um Corolla e o console era um Corcel de radiador seco, os gráficos ficaram desbotados, os sprites perderam definição e ficaram ou redondos ou quadradões demais, os cenários ficaram repetitivos, as cores ficaram com tons mortiços e a movimentação, sempre ela, ficou com aquela lentidão ótima para perder Continues. Quanto ao som…bem, o jogo é do Mega Drive, só daí já dá pra imaginar o estrago.

Os inimigos eram basicamente os mesmos (mudava a cor e um detalhe ou outro), e as fases também, só que a ordem e as áreas eram um pouco diferentes, só pra enganar os trouxas. Você vai ter que passar pelos mesmos corredores, o mesmo jardim infestado de mortos-vivos, os mesmos porões lotados de vermes e cadáveres desconjuntados…e, se a gente pensar melhor, a história também é a mesma (Rick atravessando a mansão pra salvar Jennifer). Lembra do Salamander 2, que repetia os mesmos cenários e inimigos, só mudando as cores? Pois é, a mutreta é bem por aí.

Para variar, dessa vez Rick livra Jennifer dos monstros, pois alguma coisa deveria ser diferente em relação ao game original, do contrário forçaria a amizade! O melhor final feliz, meu caro leitor que está tremendo mais que vara verde de medo dos monstros catarrentos, é trancar essa fita no fundo da gaveta, fazer umas rezas pra Padim Ciço e ir jogar o Splatterhouse 3, esse sim um beat’em up digno do nome.

Splatterhouse 3: A Casa dos Horrores parte 50!!!

Um ano depois da tragédia que foi a segunda versão, a Namco se redime com os fãs de Rick Taylor e lança o capítulo final da trilogia, acertando um gol de placa com direito a mais cabeças decepadas e tripas expostas. E com muita coragem, pois nessa época já existia Mortal Kombat e a maior diversão das criancinhas dos anos 90 era arrancar o coração do amiguinho na unha.

Desta vez, depois do crânio e do capacete de goleiro de hóquei, resolveram dar uma cara digna pro Rick: a máscara agora é verde e o deixa com o rosto do Jim Carrey é uma caveira estilizada com olhos vermelhos e um monte de nervos. A jogabilidade melhorou da água pra Caninha 51 pro vinho, adotando a engine do Streets of Rage. Essa foi a maior mudança: ao invés de andar apenas para a direita ou para a esquerda, os cenários agora possuem uma profundidade maior. Os corações que mediam o life foram trocados por duas barras, a de energia e a de poder.

Desta vez, Jennifer e Rick arrumaram um pimpolho, o birrento e manhoso David, que nem a Supernanny dá jeito! Agora um pai de família, Rick precisa arranjar uma casa decente para sua família e para a máscara sobrenatural, de preferência uma casa que não tenha fantasmas, zumbis e abominações. O rapaz dá uma sorte tremenda e descola uma bela duma mansão de vários andares (seis no total, com mais de vinte cômodos em cada andar. Caramba, a parapsicologia dá tanto dinheiro assim?). Só que, como desgraça pouca é bobagem, o barraco é mal-assombrado! Sobra pra quem passar o rodo nas almas penadas?

Jennifer e David são raptados pelos cramulhões, a moça é obrigada a passar as cuecas e fazer comida pros monstrengos e o filho é condenado a escutar todas as músicas do Restart 24h por dia, e você terá que salvá-los atravessando os aposentos dos seis andares da mansão, todos eles habitados pela fina flor da monstrengagem. Sério, até o ursinho de pelúcia do David se transforma numa besta-fera! Eu sempre achei que os Ursinhos Carinhosos tinham parte com o Demo.

Porém, além dos itens de energia (OBA, ELES APARECERAM!), você poderá transformar Rick no incrível SUPER RICK! Essa foi a grande sacada do game: recolha as bolas de cristal azuis e, quando a barra de poder estiver cheia, aperte A e veja Rick soltando a franga rasgando a camisa e se transformando num brucutu de dar inveja no Hulk. Super Rick é ótimo pra enfiar umas bolachas nos chefões mais gosmentos, além de ser tão casca-grossa que é quase impossível arrancar um teco de seu sanguinho.

No mais, Splatterhouse 3 é um beat’em up com pegada clássica, voadoras certeiras, socos rápidos e agarrões desleais, tudo o que nós esperamos dum bom game de briga. Pelo visto, a Namco criou vergonha na cara e, depois de jogar muito Final Fight e Streets of Rage, resolveu também dar a sua copiadinha.

Splatterhouse 3 também começou com aquela farra de ter mais de um final, influenciado pelos eventos do jogo. Tudo por causa desse maldito reloginho aí das tela. Como não poderia terminar sem fazer uma esplendorosa cagada, esse cronômetro é meio que um medidor de missões, pois, terminando as fases e salvando David e Jennifer no tempo certo, você habilita finais diferentes: tem a versão com os dois salvos, a que só a Jennifer se ferra, o final que o David morre e aquele em que Rick perde a mulher e o filho pra zumbizada. Esse último final, aliás, é o preferido da Sônia Abrão, pois é o que mais dá audiência!

Splatterhouse 3 é, como o primeiro, um baita jogo viciante que merece nossas fichas, nosso tempo e nossos nervos de jogador neurastênico. Pô, Nettherrealm, se botou o Kratos no Mortal Kombat do Negão, por que não enfiar o Rick na versão do Xisboca? Conversa lá com o pessoal da Namco, passa uma conversa, quem sabe eles não aceitam? Com vaselina e jeitinho, resolve-se qualquer coisa.

Bom, terminando aqui nosso dossiê sobre Splatterhouse…espere…ESTOU OUVINDO VOZES! EU VEJO GENTE MORTA! O QUE É ISSO, TODOS OS OBJETOS DA MINHA CASA ESTÃO VOANDO! SOCORRO, TEM UMA HORDA DE ZUMBIS NA MINHA JANELA! SPLATTERHOUSE NO NINTENDINHO, COMO PODE? É MENTIRA! AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!!!! BELIBEKAM CATABANTA, BELIBEKAM CATABANTA, KIKERÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

Splatterhouse: Wanpaku Grafitti- esse sim dá medo!!!!

CRENDEUSPADRE!!! AVE-MARIA! VALEI-ME MEU SÃO SNAKE! Esse jogo é medonho, de dar medo até no monstro dos Olhos Famintos. A gente sempre tenta esconder os passados mais obscuros, mas eles são que nem fantasma, sempre aparecem mais cedo ou mais tarde pra puxar nossa canela.

Um ano depois do sucesso do arcade foderengo do Splatterhouse, a Namco (ainda chamada de Namcot) lançou um cartucho apenas para o NES com uma história própria, até porque o NES ia torrar se tentasse rodar os jogos do fliperama. O resultado taí, nessa capa amarelenta e cheia de ideogramas. CRUZ-CREDO, CUMPÁDI!

Com os cenários desenhados num estilo cartunesco e os personagens em SD (Super Deformed, ou seja, com corpos pequenos e cabeçorras enormes), agora Rick ressuscita como um zumbi e, sem contar a alegria da Jennifer ao ver seu amado saindo da tumba que nem um cadáver ambulante infectado pelo G Virus (tem fetiche pra tudo!), agora a moça é sequestrada pelo King Pumpkim, uma abóbora de Dia das Bruxas gigantes! VADE RETRO! Desse jeito, a coisa não vai terminar bem!

Realmente, esse jogo faz qualquer ser humano borrar as ceroulas. Afinal, quer coisa mais assustadora do que o chefão da primeira fase dançando Thriller com quatro zumbis verdes, em estilo 8 bits? Ou privadas malignas possuídas pelo Capeta atacando com esguichos e com aquele peixe japonês muito comum nas praias de Santos e do Guarujá, o TOROÇO DE BOROSTA? Só faltaram mesmo a geladeira diabólica, a camisinha assassina e o Carnossauro pra completar a desgraça.

Por sorte, este game de aventura em estilo plataforma ficou restrito somente ao Japão. Porém, para nosso azar, os importabandista não perdoam e incentivam a globalização distribuindo qualquer game picareta do Oriente pelas nossas feiras de camelô e shoppings de traquitanas. Por isso, se você jogar um dia o Splatterhouse: Wanpku Grafitti, faça uma cópia e faça outra pessoa jogá-lo no prazo de sete dias, livrando-se da maldição. Do contrário, o bicho-papão sai do armário do seu quarto e vai te pegar. Cuidado, leitoras do FZD, pois o bicho-papão pode fazer coisas muito feias com vocês!

Agora até eu fiquei com medo!

Curiosidades Curiosas:

– As referências aos clássicos do terror pipocam em todos os títulos da série Splatterhouse: podemos ver citações a Sexta-Feira 13 (o visual de Rick, em especial no primeiro jogo, lembra bastante o assassino Jason Vorhees), A Hora do Pesadelo (principalmente por causa dos cenários macabros), A Noite dos Mortos-Vivos (os zumbis melequentos saindo da terra), A Mosca, Alien, A Bolha Assassina (por causa da aparência de certos inimigos) e até o pouco conhecido (e bão dimais da conta!) Balada para Satã.

Quanto à máscara de hóquei do Rick, o principal problema dela foram os direitos autorais. Para driblar as ‘otoridade’, no segundo jogo ela foi substituída por uma caveira, ganhando sua forma definitiva apenas na terceira parte. Apenas no Wanpaku Grafitti ela foi mantida como na versão original.

– Ainda sobre a máscara, na conversão para PC Engine ela foi tingida de vermelho (??).

– Censura: na conversão para a versão americana do Turbografx 16 (que nada mais é que o nome do PC Engine no Ocidente), algumas mortes de monstros foram suavizadas, sem tantas tripas ou gosmas ou cabeças arrancadas. E o chefão da quarta fase do primeiro Splatterhouse, a fase da capela, que era uma cruz invertida rodeada de cabeças e crânios, foi apagada. Mas isso apenas na versão norte-americana da adaptação. QUEQUIÉ, TÁ CAGANDO NAS CALÇAS, GRINGAIADA? NUM GUENTA BEBE LEITE!

– Os manuais das versões pro Mega Drive vinham acompanhados duma história em quadrinhos que narrava os acontecimentos do game. Lá, a máscara de Rick mais parecia a cara do Caveira Vermelha, compadre arqui-inimigo do Capitão Imperialista Neoliberal Puritano América.

– Splatterhouse ganhou uma boa conversão pro PS3 e pro Xbox 360, via PSN e Live Arcade. Nessa versão há um curioso easter egg: fotos da Jennifer NUA NA PLAYBOY! Mostrando tudo mesmo, do jeito que veio ao mundo. Essa é pros jogadores que curtem jogar com uma mão no controle e a outro no…TECLADO DO PC!

– Corre um boato de que Splatterhouse foi banido nos EUA devido à sua violência. Nada foi confirmado, as versões pro Sega Genesis foram normalmente licenciadas, mas o arcade original só pintou por lá via PSN, Live Arcade e Virtual Console. HAJA CAGAÇO! Aqui no Brasil os botecos geralmente tinham uma máquina, cortesia dos contrabandistas.

– Splatterhouse nunca virou filme, tampouco chegou perto de virar. Uma pena.

Reiteramos que Rick Taylor e sua máscara de carnaval deveriam entrar de penetras no Mortal Kombat 9. Alguém aí me apoia?

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5 respostas para As tripas vão rolar: Splatterhouse!!!

  1. Paulo Aquino disse:

    Cara, valeu por esse artigo! Tava precisando me divertir com os artigos do FZD, ainda mais depois de umas coisas tristes que andam rolando na falida vida real (mas deixa quieto)…

    Sabia que em 2003 eu aluguei Splatterhouse 3, joguei ele (E FIZ TODOS OS FINAIS) trancado no quarto no escuro? E que eu jogava Doom no meu tempo de adolescente?
    Por que acha que meu saco é cabeludo?

    E olha que apesar de eu ser mais um gamer do tipo porradeiro (vide meu pack de Street Fighter Alpha), encaro os mais diversos gêneros de videogame.

    DÚVIDA: aprendi aqui um novo termo videogamístico: platinar. O que é platinar? Tem a ver com fazer 100%? Se for assim, já fiz isso com alguns jogos meus.

  2. SonozakiBastard disse:

    Muito bom esse blog! Acabei por descobrir ele hoje quando pesquisava por Final Fight no nosso querido mestre Google. Estarei acompanhando o blog daqui pra frente. =D

    Este artigo é excelente. Tudo exposto aqui condiz com os meus sentimentos da série. O segundo jogo realmente é tenso. Só faltou falarem do mais novo jogo da série pra PS3. Ainda não joguei, mas ouvi falar que é um lixo sem tamanho.

    Pro champz aí de cima, até onde eu sei, “platinar” é a mesma coisa que, “terminar”, “zerar”, “virar” e “explodir” (sim, explodir, já ouvi falarem isso) o jogo.

  3. Milena disse:

    Eu jogo esse jogo desde minha infância nunca consegui largar de tão foda que é! *-*
    simplesmente sou viciada nele.
    Ótimo artigo,adorei ler!

  4. Lenarte disse:

    Tava de bobeira na net e achei esse blog! Muito legal esse artigo de um dos jogos q eu + gosto desde o tempo do mega drive. Valeu galera!

  5. nossa quanto tempo ,esse era meu jogo preferido do mega drive,eu tinha na epoca uns 13 anos quando eu joguei ,e ja to com 34 anos e minha paixao por games continua…

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