Bucky O’Hare: Pernalonga com LSD

Bem-vindos ao especial de Páscoa…atrasada do Fliperama do Zé Doido! Você leitor que já está há cinco dias passando mal de tanto comer chocolate com amendoim e você leitora cheia de espinhas por causa do chocolate branco, aproveitem para comemorar o feriado pascal fora de época no site mais decrépito de todo o universo internético! Nós aqui no FZD matamos Jesus, esperamos Ele ressuscitar e matamos de novo para ter ovo de Páscoa o ano inteiro.

Por isso, para comemorar o nascimento do Coelhinho da Páscoa, preparamos um post especial sobre o arcade de um dos coelhos menos conhecidos do mundo pop e hoje praticamente esquecido. É o Pernalonga? NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO! É o Sansão da Turma da Mônica? NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO! É o Orelhão, o Coelho Malucão? NÃÃÃÃÃÃÃÕOOO! É o Paulo Coelho? NÃÃÃÃÃÃÃÕOOOO! Trata-se de Bucky O’Hare, um plágio roedor de Bucky Rogers e Flash Gordon, que tinha um desenho e uma HQ de suas aventuras espaciais, um coelho alienígena de pelo verde, e que um belo dia se transformou num arcade bão dimais da conta e num jogo marromeno pro Nintendinho. Bom, ninguém conhece ele, né?

Pois bem, pegue o seu chocolate recheado de LSD com antidepressivo vencido contrabandeado da Rússia, beba umas cachaças e lamba as costas dum sapo, porque ter um game estrelado por um coelho alienígena cuja tripulação era formada por uma gata com jeito de atriz pornô, um pato de quatro braços e um robô ciclope é de arrepiar as barbas verde-fluorescentes do Syd Barret! Mas, no final das contas, rendeu uma ótima mistura de beat’em up com run’n’gun na placa rosa com bolinhas laranjas da Konami. ENTÃO VAMULÁ!

COELHINHO, SE EU FOSSE COMO TU, TIRAVA A MÃO DO BOLSO E BOTAVA NO…

Patacoadas galáticas…ou melhor seria dizer coelhadas?

Criados em 1978 pelo quadrinista Larry Hama após uma overdose de LSD e peiotes introduzidos por via anal e duma garrafa inteirinha de Velho Barreiro com carqueja, Bucky & tripulação peluda (vije, será que a Jenny não se depila? MEDO…) são destemidos heróis galáticos dum universo paralelo (onde o som se propaga no vácuo, onde pessoas respiram fora da atmosfera e todo mundo se veste como se estivesse num clipe do Devo!) que representam os interesses da Federação dos Animais Unidos (United Animals Federation). Só que as coisas andavam brabas: o Partido Socialista dos Ornitorrincos Unificados tinha ganhado as últimas eleições e no primeiro dia de governo eles lançavam o Plano Cruzado e Torto! Ou seja, o universo dos animais tava que era uma zona só.

Para piorar, havia o terrível Império Sapo (Toad Empire), que, como todo bom império que se preza, quer dominar todo o universo com seus desígnios capitalistas e expansionistas. Isto é, quer enfiar em tudo que é planeta uma filial da sua cadeia de hambúrgueres de moscas e mosquitos! Para piorar, o tal império é comandado por um supercomputador inteligente (sei, sei) champado KOMPLEX, com o Windows 95 instalado e com o DOS na memória. Não há dúvidas: o universo dos animais está mais fodido que boneca inflável em Dia dos Namorados.

Então, lá vai a Federação enviar os seus incríveis heróis nômades pelo espaço sideral, para fazer concorrência com a Enterprise e a Frota Estelar de Nerds Bitolados do Dr. Spocky: junto com o capitão Bucky O’Hare, viajavam a gata pentelhuda peluda Jenny, em sua jornada para encontrar o planeta das ceras frias (não, não, o Bucky não cata ela; estamos falando dum desenho e duma história em quadrinhos norte-americana, ou seja, todo mundo é virgem e pudico); o piloto Deadeye Duck, filho bastado do Patolino com a Sheeva do Mortal Kombat que sobrevive no espaço graças à pensão alimentícia de seu pai, o mais famoso escada do Pernalonga; o robô de um olho só Blinky, cumprindo a cota para deficientes físicos e seres robóticos da série (afinal, estamos falando duma série com consciência social, né); e o moleque de roupa de astronauta Willy, o gênio da série, único portador dum cérebro 100% funcional. Desnecessário dizer que no fliperama ele virou o coadjuvante, afinal, se você quiser usar sua inteligência num jogo, largue esse fliperama e vá jogar Professor Layton!

Pois bem, depois dos quadrinhos nos anos 80, no começo dos 90’s surgiu uma série animada de Bucky O’Hare & cupinchas, que deu um prejuízo lascado para a produtora Sunbow. Dois games vieram na sequência, ambos feitos pela Konami e sem a assinatura do Hideo Kojima. Ou seja: apenas você, gamer bitolado e sem vida social, e uma cambada de chineses conheceu o arcade lisérgico do coelho cor de limão radioativo.

Porém, a Konami não fez feio e soltou na praça (e nas quebradas!) um arcade divertido e sem amarelices papa-fichas. Por isso, nós do FZD podemos dizer com orgulho que Bucky O’Hare foi o fracasso mais bem-sucedido de toda a história da oficina de fundo de quintal de Titio Kojima. E TOME LSD!

Meu, Bucky O’Hare é um lance assim que…sei lá, entende?

Será com o coelho alien, a gata de cabelo brega, o pato de quatro braços e o robô cegueta que o incauto jogador que investir a sua ficha vai jogar. Todo mundo vai querer selecionar o Bucky, enfim, vai sair porrada no fliperama para ver quem fica com o herói, mas os quatro personagens só se diferem mesmo pelas figuras. Ao contrário de vários arcades, aqui não tem o lance do fracote ágil e rápido, do forçudo estilo Haggar e do apelão como o Mustapha de Cadillacs & Dinosaurs; todos os personagens selecionáveis são praticamentes iguais. Por isso, liberte o animal que existe dentro de você e escolha duma vez a Jenny pentelhuda e delicie-se, mas lave as mãos antes de apertar os botões!


Neste game, a Konami fez uma salada de fruta com o gênero do beat’em up (aquele tipo maravilhoso de jogos, em que você sai num scroll lateral arrebentando quem vem pela frente) e o gun’n’run (atirar e correr e pular por plataformas, quem já virou peneira fuzilado no Contra sabe do quê eu tô falando), utilizando a conhecida (e eficiente!) engine de Sunset Riders. Daí você sempre estará atirando sua arma laser na sapaiada de longe e, quando estiver perto dos batráquios, dará um murro ou uma facada nos cidadãos. Simples, hein? Divertido, né? SIIIIIIIMMM! Espere só para ver o dilúvio de rajadas, balas, granadas e explosivos na tela pra ver o tamanho da desgraça!

Também, ao contrário dos outros games de plataforma e porrada generalizada, Bucky O’Hare não possui o famoso ataque especial (ataque + pulo) que arranca um tolete da sua barra de sanguinho. Agora você dispõe de bombas que sacodem a tela toda da máquina e viram as hordas de inimigos pelo avesso.  ELAS SÃO INFINITAS!!!! UAU, EU ESCUTEI A AGULHA CAINDO DO OUTRO LADO DA SALA! Porém, a força destrutiva delas é medida por cinco pontos de energia (sendo que você começa com três ao perder um Continue). Com três, é só um traque de festa junina; com cinco, é praticamente o peido atômico do Satan Goss depois de comer feijoada.


Pelo arremedo de história que acompanha a progressão das fases, confira só a viagem na maionese que é o universo de Bucky O’Hare: começa com os sapos invadindo o Planeta Warren, a terra natal de Bucky (o Planeta dos Coelhos, vizinho de parede meia do Planeta dos Macacos), escravizando a coelhada, mutilando as criancinhas, incendiando as vilas e estuprando as virgens, enfim, aquelas maravilhas com as quais estamos acostumados desde as priscas eras do Machado Dourado. Aventurando-se nesse mundo cheio de florestas e ruínas greco-romanas (parece até clipe da Enya), você será chamado a invadir o Planeta Punk (o planeta dos Ramones??) e resgatar os escravos obrigados a trabalhar sem CLT e recebendo atrasado.

O duro é que, escapando das cavernas roxas (vije, aquele chá de cogumelo não desceu bem) e armadilhas de fogo do campo de concentração dos sapos, você descobre que os coelhos eram escravizados na construção duma gigantesca estação espacial cheia de armas, com um canhão capaz de alterar as condições climáticas de todo o universo, que nada deve a umas estrelas da morte por aí. VIXI MARIA, CUMPÁDI! Não contentes em plagiar Flash Gordon, Star Trek e Looney Toones, agora enfiaram o Star Wars no meio da bagaça.

É a partir da terceira fase que o desafio começa a variar (também, depois duma rodada violenta de louco louco loucomelo de zebu), e a jogabilidade muda para um shooter vertical em gravidade zero, com seu personagem impulsionado por foguetes no meio duma maré de inimigos! SANTA REBORDOSA, BÁTIMA! Essa é uma das boas sacadas do arcade de Bucky O’Hare: a variação nos desafios de jogo. Mais pra frente (nas fases 6 e 7), o game vai copiar com a maior cara-de-pau shoot’em ups consagrados como R-Type e Darius Force, misturado com as pranchas motorizadas das Tartarugas Defumadas Ninjas. Sem contar que a fase 8, no coracão do planeta da sapaiada, tem o mesmo esquema de gravidade zero. Haja delirium tremens!

Depois de destruir a maquete em sucata do cafofo do Darth Vader, os heróis são chamados a um cinturão de asteroides solto no espaço para resgatarem um sacerdote do planeta dos ratos (!!! Vai, mistura chá de lírio com conhaque Presidente, não guenta bebe leite!). E você caminhará entre os astroides e AEROLITOS sem atmosfera nem gravidade, respirando e se segurando ao chão como se estivesse num barranco do rio de Piracicaba. CACILDIS! Só faltou mesmo um submarino amarelo!

Porém, quando você achou que a ressaca ia passar, aí é que ela piora: resgatando um ratão vestido como um filósofo de toga e coroa de louros, preso num vórtice dimensional (arrisque um coro desafinado: “rodoviária de maluco é posto de gasolina…”), e o macumbeiro galático começa a fazer crescerem árvores e moitas floridas nos asteroides! Haja ácido.

Depois, livrando o planeta dos ratos das pererecas e rãs, você descobrirá que todos os planetas da galáxia estão poluídos, e a única salvação é uma tal de “Energia da Vida”(Life Force), que está enterrada na Toad Star e que serve de gerador para as engenhocas daquele 486 bichado e sem kit multimídia chamado KOMPLEX. E toca a sua tripulação de animais doidos invadir o planeta dos batráquios de língua grande.Uma história digna dum prêmio Nobel e, se fosse dirigida pelo Zé do Caixão, ainda ganharia um Oscar, uns palavrões e uns peitos de fora da Jenny (afinal, estamos falando dum filme nacional, certo?)

Apesar da história, incrivelmente, o game flui bem. O sistema funciona perfeitamente, os comandos são bem precisos, a movimentação da mente é muito sensível e os pulos são realmente longos, evitando as armadilhas. Os chefões também são umas figuras carimbadas, verdadeiros delírios de ácido: sapos ciborgues, crocodilos mutantes, aranhas radioativas, máquinas assassinas…sem contar que todos os subchefes (e haja subchefes, hein!) e chefões têm a mesma estratégia: quando eles começam a piscar em vermelho, os bichos só faltam carregar a barra de especial e te massacrar com um combo marvelversuscapiconiano de responsa. Para te ajudar no meio do tiroteio, umas portas dimensionais vão se abrir em meio às fases (que nada, é tudo alucinação mesmo!)e soltar umas bolas verdes de energia que se transformam em poucos e bons itens: pistolas (para melhorar o seu poder de fogo, digo de laser viajandão), corações (restauram sua vida, ou seja, uma ponte de safena embrulhada pra viagem), moedas e barras de ouro (pra você pagar uma gilete pra Jenny) e esferas com relâmpagos (melhoram a potência das bombas).

Bucky O’Hare tinha tudo para ser mais um arcade ladrão e feito nas coxas, praticamente um caça-níqueis gamer, mas, graças a São Snake do Quixeramobim e aos asseclas do Sua Santidade Hideo “Cobra Sólida” Kojima, amém nóis tudo, deu origem a um game divertido e dinâmico, com gráficos cartunescos sem exageros (aprende, Capcom!) e um som decente, até com vozes digitalizadas. Ah, e tinha a opção de comportar até quatro jogadores simultâneos. Dava para jogar Bucky O’Hare de quatro, desde que com bastante lubrificante e muito carinho!

Por isso, aproveite que o bando do fliperama está concentrado em seus badukens e choriúkens e meta a língua na cabeludinha da Jenny! Depois que o efeito do ácido passar, coma uma paçoquinha com Guaraná Picolino que a ressaca passa.

Curiosidades Curiosas:

– O desenho de Bucky O’Hare passou no Brasil! Segundo testemunhas ouvidas pela reportagem (aqueles bitolados em Ragnarok Online ali no canto, babando na PlayBoy duma paladina level 99) afirmam que o desenho foi exibido pela Rede Globo em horários nobres como manhãs de sábado e madrugadas após o Corujão. Logo, Bucky O’Hare fez um sucesso absurdo no Brasil como tapa-buraco do Xou da Xuxa, sendo o mais desconhecido entre os desenhos obscuros. A última reprise de Bucky O’Hare no Brasil foi pelo canal Locomotion, no final dos anos 90 e começo do ano 2000. Com uma “excelente”dublagem feita em Miami com direito a sotaque chicano!

– Bucky O’Hare teve uma engine copiada de Contra e TMNT, um recurso que a Konami utilizou em vários outros games, como Sunset Riders (IIIIIIIIRRRAAAAAAA!), Mystic Warriors (“Sunset Riders de ninja”) e até o desconhecido Wild West Cowboys of Moo Mesa( baseado no desenho “Os Cowbois de Moo Mesa”, outro célebre tapa-buraco, este do SBT). Não sabia que existia esse último jogo? Nem nós! Aguarde por uma matéria com o selo de qualidade imprestável do FZD!

– O arcade de Bucky O’Hare nunca foi adaptado para nenhum console doméstico. Porém, ainda pelas mãos da Konami, foi lançado um outro game para o NES, cuja capa ilustra essa matéria. Com uma jogabilidade inspirada (leia-se chupinhada na caradura na frente das fuças da Capcom) em Megaman, o título do Nintendinho era até divertido e fez a alegria de muito proprietário de Phantom System e Turbo Game. Confiram:

Resumindo, Bucky O’Hare é um ótimo jogo para os gamers antiecológicos apreciadores do famoso esporte de jogar sal nas costas dos sapos. Este é o post especial de Páscoa atrasada do Fliperama do Zé Doido, com um ovo de chocolate inteiramente recheado de ácido e cogumelos especialmente para você! Ah, e antes de jogar este arcade, não se esqueça de saborear um refresco de chá de fita cassete, hein?


Anúncios
Esse post foi publicado em arcades, clássicos, enredos, fases, fliperama, jogos desconhecidos, personagens, resenhas e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Bucky O’Hare: Pernalonga com LSD

  1. Pingback: Sunset Riders- ETA TREM BÃO, SÔ!!!! | Fliperama do Zé Doido- fichas a dez centavos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s