Dossiê Mortal Kombat- FINISH HIM!!!

O Fliperama do Zé Doido está menstruado! Preparem os absorvente, o O.B., a água oxigenada e os cutelos, porque esse post será mais sangrento do que açougue pós-tiroteio na primeira página do Notícias Populares! É hoje que as forças reacionárias da moral e dos bons costumes e o Ministério Público vão fechar esse humilde blog com a acusação de meter um brutality corromper a nobre juventude da família brasileira!

Desde que veio ao mundo, rompendo a placenta e jogando gosmas e vísceras pra tudo que é canto, a série Mortal Kombat sempre caminhou lado a lado com as polêmicas. Uma hora falavam que o jogo era muito violento e agressivo, noutras que exibia muito sangue e tripas expostas, em outras ocasiões que não tinha Jesus no coração e incentivava a violência gratuita…pô, meu, já que é pra ter violência, que seja gratuita, afinal, a grana tá curta, tem muita conta pra pagar e os blu-rays de PS3 e os discos de X-Box tão pela hora da morte! E com fatality do Sub-Zero pra levar até o tutano do osso junto!

Entre uma mutilação genital e outra, MK vem desde 1993 como uma das franquias dos games de porradaria mais queridas entre os gamers do polegar ensanguentado. Além disso, é uma das poucas séries 100% concebidas e produzidas no Ocidente, sem amarelices baratas e combos infinitos. Por isso, no post de hoje, com muito ketchup e groselha sabor carne, o Fliperama do Zé Doido orgulhosamente apresenta o dossiê da primeira trilogia do Mortal Kombat, os 3 primeiros títulos, naquele tempo em que toda rodoviária tinha o seu fliperama, que o SNES reinava absoluto, que dava pra comprar um Master System no Natal em 30x sem juros e em que o Júnior Baiano cagava na seleção do Zagallo. Uai, e o novo Mortal Kombat do Negão e do Xisboca? E o Mortal Kombat vs DC? Oras, aqui nós gostamos é dos jogos velhos. Porque panela velha é que faz comida boa…

E VAMOS LÁ QUE VAI COMEÇAR A SANGRIA DESATADA BAIXARIA!

Choose your destiny!

Entre o final de 1992 e o começo de 1993, Street Fighter e suas mil versões variantes reinava absoluto. Era baduken daqui, tréki-tréki-turuken dali, tiger robocop acolá, gilete do Guile cortando tudo e aquela porradaria amarela, limpinha, sem sangue, na qual só faltava os brigões se cumprimentarem e perguntarem como ia a família. E a dona Capcom rindo à toa e feliz como se tivesse ganhado prêmio da Tele-Sena, lançando toda semana um Street Fighter Champion Edition, Street Fighter Turbo, Street Fighter Loser Edition, Street Fighter de Rodoviária, Street Fighter piratão nojento de trinta personagens pro Nintendinho, Street Fighter e o caralho a quatro…

Mas eis que a Midway, softhouse que sempre ficava pela metade do caminho, apavorou e anunciou o arcade que prometia ser o mais menstruado violento de todos os tempos, de arrepiar os cabelos da Vovó Mafalda. Um fliperama que cada murro arrancaria baldes e mais baldes de hemoglobina, com lutadores invocados e apelões, e, mais legal ainda, montados através da captura de movimentos reais de atores!!! UAU, EU ESCUTEI A AGULHA CAINDO DO OUTRO LADO DA SALA! Se não bastasse Pit Fighter, ainda queriam insistir nessa caganeira!

E, em março de 1993, veio a mundo a primeira edição de Mortal Kombat! Do vídeo abaixo dá pra ter uma ideia da polêmica que o jogo ia causar! Pela primeira vez em arcades tínhamos um game digno dum Aqui Agora narrado pelo Gil Gomes:

Desnecessário dizer que Mortal Kombat era coisa do capeta, né, do jeito que nóis gosta! Sem aquela pasmaceira de lutadores vindos do mundo todo do Street Fighter e do World Heroes, MK apresentava uma lista de brigões sangue-no-zóio, mais invocados que jagunço bebedor de sangue de galinha, cujo mais bonzinho matou a mãe por causa da mistura em pleno dia de Natal, interpretados por atores CONHECIDÍSSIMOS e FAMOSÍSSIMOS com o carisma da Marimoon tirando bicho-de-pé do dedão. Vamos a eles:

Johnny Cage: astro canastrão de Hollywood e clone do Steve Seagal nos filmes de pancadaria. Na verdade, é uma celebridade de terceiro escalão que não consegue arrumar papel nem de figurante no Você Decide. Tem vários golpes consagrados no mundo gamer, como o famoso spacatto com patolada nas parte. Seu fatality é um foderengo gancho que arranca a cabeça do freguês com um murro só (CADILDIS!!!). Johnny Cage sempre bota os óculos escuros de camelô após dar um flawless victory, e a pergunta que não quer calar é: como, no meio das cacetadas, aqueles óculos saem sem nenhum arranhão?

Kano: assassino ciborgue das ruas, notório ladrão de galinha vestido de feirante (só faltando a caneta atrás da orelha!) e representante das classes baixas no MK. Seu nome vem sendo confundido em todos os fliperamas do mundo com o de um tipo de utensílio utilizado em redes de esgoto. Como fatality, tem um murrão que enterra a mão no peito de adversário e sai com o coração junto. Kano é até hoje considerado o maior quebrador de cabaços conquistador de mocinhas de família da série MK, pois *alerta de piada sem graça*  ele arranca os corações das minas!

Sonya Blade: agente policial duma das polícias mais criativas do mundo a nível de uniforme (afinal, qual polícia a gente vê que contrata só mulheres boazudas de beleza exótica as veste com maiôs?), sempre menstruada durante o jogo, não tem absorvente que resolva! E a moça dá um beijo tão ardente em seu golpe mortal que dá até vontade de tirar a roupa…PRA APAGAR O FOGO! Realmente, Sonya sabe como deixar um homem aos seus pés, essa mulé fogosa quando cata um deixa só o osso!

Sub-Zero: garoto-propaganda da nova cerveja da Antarctica, um ninja que vai dar uma bela dor de cabeça em você! Especialista em magias de gelo, solta um Pó de Diamante de dar inveja no Hyoga de Cisne e no Maradona! O preferido da rapaziada apelona e, pra muitos, até hoje o herói do Mortal Kombat. Também versado na arte de arrancar cabeças, Sub-Zero não se contenta e leva junto a espinha dorsal do sujeito em seu fatality. Um lutador pra gelar a cabeça.

Scorpion: artrópode invertebrado da família dos aracnídeos, cujo veneno se encontra no rabo, ou seja, sua maior arma é usar a BUNDA! Um clone do Sub-Zero com a roupa ninja amarela (na verdade, é o mesmo boneco com a palheta de cores alterada! O que a baixa memória RAM e um processador mais fraco que motor de Fiat 147 não faz, hein?) que é do mal, tem poderes demoníacos e Papai do Céu não gosta! Quem não se lembra do seu desleal golpe do gancho, que puxa o inimigo (COME HERE!) ou da sua teleportação cagada de dar inveja no Dhalsim? Ou do fatality em que ele tira a máscara, mostra o fiofó e caveira e cospe fogo no meliante? Caiu na conversa dos maloqueiros do fliperama e achou que o Scorpion era irmão do Sub-Zero? POBRE MORTAL…

Raiden: monge oriental com chapéu de bambu que é ligado nos 22o volts! Fala sério, o homem dá mais choque do pilha Rayovac vencida. Todos os golpes de Raiden são baseados em raios, relâmpagos e eletricidade, por isso espere apelações por parte desse eletricista da CPFL que não usa botinas de borracha. Evidentemente que no seu fatality ele torra o cara na tomada até explodir os ossos do coitado. Mas, de resto, Raiden é um lutador mediano. Porém, a sua importância na papagaiada do game história do jogo é complexa, uma narrativa tão envolvente e uma mitologia tão emocionante capazes de fazer os roteiristas do Tekken dormirem de tédio e ainda mijarem na cama.

Liu Kang: o coadjuvante sem carisma! Praticamente o elenco de apoio dum ator só do primeiro game! Um lutador de kung-fu sem camisa que mais parece genérico do Jackie Chan. Terrivelmente criticado no primeiro jogo, o figura acabou sendo o herói dos outros Mortal Kombat, o protagonista e até o mocinho da trama. Também, com aquele projeto de fatality no primeiro game, era a compensação que ele merecia. Mais apagado que o sargento Pincel dos Trapalhões, Liu Kang dá uma estrelinha, mete um uppercut no adversário e depois fica rindo pra tela.

Todos esses brigões foram digitalizados a partir de atores reais, os golpes todos foram concebidos a partir de suas presepadas. O que no começo parecia bizarro, ao contrário de Pit Fighter, Guardians of the Hood e Way of te Warrior, funcionou bem, dando um carisma único ao game. Já os golpes eram bem variados, indo desde as porradas mais reais até o festival de tiger robocops e helicópteros chun-lianos consagrados pelos Brigadores de Rua. Todos os lutadores têm um repertório comum de golpes, com comandos iguais para todos (como as rasteiras, a sequencia de socos na cara, os agarrões, o apelão uppercut, marca registrada da série, etc), além dos golpes característicos de cada um (quem não se lembra do soco no saco do Johnny Cage, do ataque-míssil do Raiden, a bolinha do Kano, o baduken magrelo de fogo do Liu Kang).

E temos,é craro, os FATALITIES! A fina flor do estupramento gamer, que ensinou desde cedo nossas crianças a resolver os problemas arrancando a cabeça do amiguinho. Responsáveis pela matança desenfreada de ursos pandas e palestinos, os fatalities davam o charme pra série e provavam que Street Fighter era coisa de bundão. Pra quê choriúken de fogo se a gente podia pulverizar o inimigo com o bafo de cachaça do Scorpion ou arrancar o coração do cidadão com o mano Kano? O fatality só poderia ser desferido no final da luta, quando, depois de tirar a energia do oponente, aparecia o letreiro FINISH HIM! (FINISH HER, no caso da Sonynha Diliça!). Os comandos tinham que ser feitos bem rápido e, quando a tela escurecia e tocava uma musiquinha sinistra, aí era só alegria. Além dos fatalities comuns, havia o stage fatality da fase da ponte (The Pit), na qual você derrubava o cabocro num monte de lanças e pregos com um gancho de dar inveja ao Maguila.

Os comandos eram simples: cinco botões, dois de soco e de chute e mais a defesa, sem aquela palhaçada de segurar o direcional pra trás. Aprende, Fatal Fury! O desafio era dos mais legais, apesar da repetição: selecionando um dos sete porradeiros, aparecia uma tábua vertical com a sequência de lutas (elemento característico da série, que se repetira até no PS3). Primeiro você enfrentava um a um dos brigões, depois passava pras lutas em duplas (vencer dois negos com uma barra de energia só…SANTA APELAÇÃO, BÁTIMA! Isso é pra zoar aquele folgado do fliperama que se gabava de dar perfect no Sagat!) e enfim chegava nos CHEFES! Sim, em MK os chefes eram apelões mesmo, duas cascas de ferida, sem truquezinho ou champion edition barato pra jogar com eles!

Primeiro vinha o Goro, um ogro de quatro braços com cara de tiazona véia, e depois o macumbeiro de catimbó Shang Tsung, que se transformava em todos os outros lutadores e ainda te bombardeava com badukens de caveira! Pra terminar bem com o festival de tripas expostas!

Mortal Kombat é um jogo bem simples, se for ver. Os cenários, apesar de bem feijão com arroz e repetitivos (dá pra decorar a sequência: tem as masmorras do Goro’s Lair, a arena do Shang Tsung, a sala do trono, a sala das estátuas dos lutadores, a ponte, o jardim oriental) são bem-feitos, apesar de não terem nenhuma parafernália exagerada de jogo de luta do Neo Geo. Nos golpes, não tem nada daquela frescura de diagonais, de segurar botão, de fazer aquela sequência de dar nó no dedo, de acumular barra de especial e soltar o poder quando a energia tá vermelha. No mais, até personagem secreto tem: dá pra enfrentar o ninja palmeirense Reptile (o Sub-Zero com roupa verde) no fundo da ponte fazendo umas traquitanas lá.

Por essas e outras cagadas e gambiarras é que Mortal Kombat conquistou o pessoal dos fliperamas! Lançado para todos os videogames de sua geração e censuras à parte (confere lá no fundo da The Pit, ops, do post, lá nas Curiosidades Curiosas), esse game de ciclo menstrual irregular e de fluxo descontrolado mereceu uma sequência à altura.

Mortal Kombat 2: quando a dengue hemorrágica fala mais alto!

Dez meses depois do arcade e um pelote de adaptações fajutas pro Nintendinho, em novembro de 1993, o mosquito da dengue veio fazer novas vítimas! A Midway e sua amante fogosa Acclaim anunciaram o incrível Mortal Kombat 2, continuação do game mais violento e satânico de todos os tempos, responsável pela destruição da civilização judaico-cristão ocidental e fenomenológica! Mais medonho que isso só o governo do Itamar que assolava o Brasil! As primeiras imagens já apavoraram a família brasileira: o secreto Reptile e o chefão Shang Tsung entre os personagens jogáveis, além do retorno dos nosso já conhecidos, com fatalities ainda mais apelões!

Em abril de 1994 saiu enfim a bagaça, fazendo jus às expectativas. Agora são doze sanguinários para se escolher: cinco do jogo original (Johnny Cage, Raiden, Sub-Zero, Scorpion e Liu Kang, agora alçado à categoria de protagonista), dois não selecionáveis de MK1 (Shang Tsung e Reptile) e mais cinco totalmente novos (o monge chapeludo Kung Lao, o monstro tartakana Baraka, as dilicinhas mascaras Mileena e Kitana e mais o briguento Jax). E cada personagem tem, além dos golpes normais, combos e golpes especiais e também uns dois ou três FATALITIES POR PERSONAGEM! Carnificina pouca é bobage, a comida do porco é lavage e o carro da puta é Voyage! Eita, e não é que a cumádi Midway se superou!!! Do jogo original só sumiram Sonya e Kano, que aparecem acorrentados na arena do Shao Kahn. Mas por quê, hein? Mais uma frescura um mistério da embromação mitologia da série.

Os chefões também mudaram e ficaram mais apelões do que no fliperama anterior (agora não tem mais as batalhas em dupla e a tábua de batalhas foi substituída por uma montanha pontiaguda, com Shao Kahn no topo): primeiro o Kintaro, um cruzamento de Goro com tigres assassinos de listras quadriculadas do sul do Sri-Lanka depois de comer muito feijão com abobrinha, e por fim o imperador Shao Kahn (imperador? hahahahaha), que mais parece a Vera Verão fantasiada pra desfilar na ala das encalhadas da Mangueira!

Os cenários mudaram radicalmente da água pra Caninha 51: o jogo todo se passa num mundo paralelo chamado Outworld, a dimensão de Shao Kahn, muito mais kabuloso do que a ilhazinha particular do Shang Tsung. A ponte do primeiro jogo voltou mais invocada, e agora temos florestas com árvores monstruosas, portais dimensionais, calabouços inundados de piscinas de ácido (eita!), palácios voadores e toda a sorte de cenários foderengos! O stage fatality da ponte mudou e ficou mais violento (agora o inimigo é estripado de frente!) e a piscina de ácido ganhou um singelo golpe fatal com direito a cadáver cozido em ácido sulfúrico! Mais singelo do que romance de novela das seis.

Aliás, os fatalities são um caso à parte: exagerados até perder de vista (comn Liu Kang virando dragão, Reptile arrancando a cabeça do meliante com a linguona de sapo, Mileena chupeteira sugando o cara e cuspindo os ossos, o beijo da Kitana que faz o inimigo gozar até dizer chega inchar até explodir), agora temos também os golpes fatais conhecidos como Friedships e Babalities! No primeiro, o lutador não mata o oponente, mas faz uma série de macacaquices sem graça (Johnny Kage autografa a foto, Kung Lau tira um coelho do chapéu, Liu Kang faz malabarismo, Scorpion faz propaganda do bonequinho), dignas dum escada do Zorra Total recém-demitido da Praça É Nossa! Só faltou o Carlos Alberto de Nóbrega! E o babality transforma o oponente num bebezinho chorão e cagão que nem umas cintadas da Supernanny cortam a birra!

Fala sério: MK2 é, além de muito melhor do que o primeiro, cheio de easter eggs sabor picanha mal-passada com recheio de alcatra sanguinolento! Além dum cenário secreto (a Goro’s Lair), tem três lutadores secretos que ficam dando sopa no fundo dos cenários (Smoke, Noob Saibot e Jade, cópias do Sub-Zero, Scorpion e Kitana com cores diferentes) e até truque pra habilitar o jogo do PONG e alguns games de navinha escondidos! Mais extras e opcionais do que Fuscão tunado com motor de Chevette!

Oscilando entre o pastelão e a fantasia épica, Mortal Kombat 2 fez sucesso por ser exatamente um jogo que surpreendia todo mundo. De longe, foi o MK melhor adaptado para os consoles domésticos (sem grande limitações e com muito SANGUE! Até o SNES da dona beata Nintendo ficou de paquete!) e a versão que começou com o lance dos segredos.

Pra variar, a Midway estava rindo à toa e já começaram os rumores sobre o terceiro Mortal Kombat. Depois do piratão de responsa Mortal Kombat 2/5 pra Super NES (sim, um crássico das locadoras, dava até pra jogar com o Shao Kahn!) e de muito falatório besta, em fevereiro de 95 apareceram as primeiras imagens. E, em junho, eis que cabeças começaram a rolar nos fliperamas desse Brasil varonil1

Mortal Kombat 3: AGORA É SÉRIO! TEM QUE DAR FATALITY SEM RIR!

As primeiras imagens já deixavam claro: lutadores com digitalização mais realista, cenários mais sombrios, personagens mais agressivos, mais segredos e golpes especiais, menos pastelão e mais terror. Saía de cena Chaves & Chapolin e entrava o Cine Trash com Zé do Caixão, um oferecimento Fliperama do Zé Doido, a perfeita casa de jogos para enforcar aulas e fugir do serviço!

Agora são 19 açougueiros, somando os selecionáveis, os secretos e os chefões. De MK2 voltam apenas Liu Kang, Kung Lao, Sub-Zero (com uniforme novo e sem máscara, com direito a cara de mau e cicatriz invocada!), Jax (com braços mecânicos de prótese. Sacumé, MK3 é um jogo democrático que permite até a presença de lutadores com necessidades especiais! Pensa o quê, Mortal Kombat com consciência social!) e Shang Tsung com cara de moleque e rabo de cavalo de metaleiro. Cacildis, cumé que o véio rejuvenesceu ao longo dos jogos! O que será que ele toma? Cogumelo do Sol? Xarope Melagrião? Caracu com ovo caipira? De MK 1 reaparecem Sonya Blade e Kano, agora sem a roupa de feirante! Do MK2 rodam Mileena, Kitana, Baraka, Johnny Cage e Scorpion, sem motivo aparente.

Agora os novos briguentos em tudo combinaram com o tom mais sombrio e violento do game: temos o guerrilheiro com máscara de gás Kabal, o índio pajé catimbozeiro e matador de garimpeiros Nightwolf, os ninjas robóticos Cyrax e Sektor (cópias do Sub-Zero e do Scorpion com entradas USB, chip 3G e hd de 1 Tera, em 10x sem juros nas Casas Bahia, aproveite!), Sheeva, a prima safadona do Goro, capaz de fazer um filme pornô com sete “coadjuvantes”, a coroa fogosa e cavalona Sindel e o meganha Curtis Stryker, ganhador máximo das estrelinhas de bom aluno nos cursos do BOPE e da ROTA.Os secretos são o Smoke também ciborgue (soltando fumaça, ou seja, com o fusível queimado!) e Noob Saibot, como sempre um noob. Os chefões são o centauro Motaro, apelão até o último fio de crina, capaz de fazer o Goro parecer a Princesa Toadstool, e o Shao Kahn véio de guerra mais desmunhecado apelão do que nunca.

Agora o game está mais sério, ou seja, o tom de chanchada de fantasia do game anterior foi pra privada do Netherrealm. Segundo a história da bagaça, agora Shao Kahn resolveu virar macho e invadir a terra com seus asseclas e monstrengos, tocando o maior puteiro e fazendo aquela coisa linda que é toda invasão: bancos invadidos, supermercados saqueados, virgens estupradas sem vaselina, esquadrões da morte pela rua, tiroteio e chacinas todo dia com os gambé, subindo o morro pra deixar corpo no chão…vije, mas cadê a novidade? Os fatalities continuam apelões e bem mais violentos (vide Stryker torrando o cara com seu taser e Shang Tsung triturando o freguês como se ralasse queijo!), mas agora acabaram os friendships e babalities! Em compensação, os lutadores ganharam o botão Run e uma barra de stamina, para se aplicar combos e sequências de golpes que dariam vergonha no Killer Instinct! Aprende, Rare! Ó o fumo, Nintendo!

Os cenários agora são urbanos: tem o interior dum banco, a estação do metrô, o cemitério, a rodovia, uma catedral macabra…e vários deles têm dois andares, que você pode acessar jogando seu amiguinho para cima com um gancho. As mudanças em relação ao antecessor foram kabulosas: os comandos tradicionais dos golpes e dos fatalities mudaram radicalmente pra sequências mais difíceis, o computador é bem mais apelão, a defesa não segura mais tanto dano…pelo visto, a Midway criou vergonha na cara, fez crescer pelo no saco e virou adulta, dona do próprio nariz e autorizada a comprar revista de mulé pelada na banca!

Mas, como tudo que é bom pode ser estragado melhorado, em 1996, após cagar mole lançar adaptações de MK3 para todos os consoles domésticos (é sério! Até o 32X teve a dele! MEDO…), baixou o santo mercenário dinheirista da Capcom na mizifia Midway e vieram dois upgrades FODEROSOS de MK3; para as plataformas de 16 bits (leia-se: videogame de pobre pirateiro e frequentador assíduo do Fliperama do Zé Doido!) veio o Ultimate Mortal Kombat 3. Um MK3 vitaminado, cheio de lutadores antigos e novos (Kitana, Scorpion, Kameleon, Ermac, Rain, Reptile) e com apelações zoadas pra tirar a aura sombria do MK3 (tipo a volta dos babalities e friendships, além do animality, golpe fatal que transformava seu lutador num bicho pra trucidar o freguês!), dentre outras apelações. Para os 32 bits (leia-se: videogame de bacana, tirando o 3DO, é claro, que servia só pra reportagem furada na Ação Games) tinha o Mortal Kombat Trilogy, um “slugfest” no estilo do King of Fighters ’98, com todos os personagens dos jogos anteriores, todos os cenários e apelações como o infame Brutality, um combo que explodia o freguês e lançava sangue, linfa, ossos, nervos e tutano pela tela toda! Tá pensando o quê, aqui não tem combinho cheio de firula com barra de especial não, cumpádi!

Resumindo depois de dar todo o sangue…e haja sangue, parceiro!

Mortal Kombat pode ser considerado como a gambiarra que deu certo! A Casa dos Artistas do mundo dos games! O Jaspion dos jogos de luta! A eterna pedra no sapato do Street Fighter! Um alívio para todos os gamers porradeiros que têm amor aos seus polegares e que não suporta mais apanhar dos japas viciados em games da SNK! Uma ofensa à moral e aos bons costumes da família brasileira acostumada a assistir ao Aqui Agora ao som de Zezé di Camargo & Luciano e a achar o Datena o maior intelectual brasileiro desde o Jacinto Figueira!

E o mais legal é que cada título do MK tem o seu charme que o diferencia dos outros: enquanto que o primeiro parece o rascunhão dum filme trash de Kung-Fu, o segundo é uma fantasia ao estilo chanchada (com efeitos especiais de seriado japa) e o terceiro é uma ficção científica apocalíptica com cenários de papelão pra ser exibida no Corujão e curtida com muita ressaca! Melhor que isso, impossível.

Mortal Kombat é também uma das primeiras franquias bem-sucedidas de games 100% ocidentais! Isso mesmo, ninguém toma chá, come sushi, bebe saquê, torce pelo Kashima Antlers e paga pau pra Titio Kojima no escrete de Ed Boon e John Tobias! É uma conquista dos games e, em se considerando que a série está viva desde a década de 90, a despeito das cagadas e falências de produtoras, já é um mérito.

Por isso, caro leitor, aproveite para saborear um bom coxão mole mal-passado, e leitora, reabasteça o estoque de absorventes, porque em Mortal Kombat tem mais sangue do que hemocentro do SUS!

FINISH HIM! ZÉ DOIDO WINS! FLAWLESS VICTORY! FATALITY!

Curiosidades Hemoglobíninas  Curiosas:

– Os arcades de Mortal Kombar foram adaptados para praticamente todas as plataformas domésticas, até pros portáteis! Aprende, Dona Capcom macioteira! Tirando os piratões do Nintendinho, tivemos as versões de MK1 para Mega Drive, Super NES e até uma cult pro Master System (jogo restrito praticamente ao Brasil!). O MK2 ganhou versões pros 16 bits da Nintendo e da Sega, pra PC (coisa rara!) e até pro Sega 32X!

– Ultimate Mortal Kombat 3 é, até então, o mais adaptado de todos. Restrito aos consoles domésticos, ele tem também versões para PC, Macintosh, Game Boy Advance, Nintendo DS, Nokia N-Gage, iPhone, iPad, Samsung Galaxy e, ufa, pra qualquer traquitana que rode games!

– Censura: as adaptações do primeiro MK sofreram na mãos dos censores quando de seu lançamento para SNES e Mega. No Super NES, nada de sangue: fatalities não tinham tripas e os uppercuts no máximo soltavam umas faisquinhas brancas. No Mega Drive, a sanguinolência tinha que ser habilitada por códigos. No Super Nintendo havia a opção de usar Game Genie para mudar as cores, mas daí o jogo travava mais do que Street Fighter de rodoviária. Já no Master System foi a falta de capacidade do processador, que é chato, feio, bobo, tonto e quadrado! Porém, a partir de MK2, acabou essa hipocrisia e o pau comeu solto sem camisinha!

– Mortal Kombat é célebre também por causa de seus bugs e glitches, cortesia da turma de programadores preguiçosos! Tinha Goro prateado, fatality que não arrancava partes do corpo, lutador preso em canto de cenário…um primor de vagabundagem!

– O SNES tem um raro MK pirata que era melhor do que muita versão original: Mortal Kombat 2/5! Com direito a todos os chefes e personagens secretos habilitados e vídeo de demo do Killer Instinct! Confere aí:

– Além dos games, MK deu origem a um desenho animado para vídeo (que servia como prólogo ao filme), dois filmes pra cinema (Mortal Kombat e Mortal Kombat Anihilation), um seriado (Mortal Kombat- A Aniquilação, transmitido em algum lugar dos loucos anos 90 pelo Warner Channel) e uma série feita por fãs apenas para a Internet (Mortal Kombat Legacy). E o Street Fighter, o que tem? Dois desenhos animados (um anime melodramático e um cartoon estilo G.I.Joe, ARGH!), um “filmaço” com o Van Damme (hahahahahahahaha), um show com atores no Japão (CRUIZCREDOJISUISCRISTIM!) e uma sequência impagável no filme City Hunter, com Jackie Chan! E KOF? Um filme japonês tosco que faz o Ultraman ser um filme oscarizado assinado pelo Steven Spielberg! E o Tekken? Bem, Tekken, como sempre, tem só a empresa dos Mishima mais falida do que o Baú da Felicidade!

Confiram abaixo o trailer do primeiro filme do Mortal Kombat, uma tosqueira que merece ser lembrada pelas gerações futuras:

É isso aí, macacada querida! Arranquem braços, pernas, corações espinhas, fígados e úteros de seus coleguinhas, que Papai do Céu gosta e que é na violência que se resolve tudo! E, se o Shao Kahn não criar vergonha na cara e não tirar aquela fantasia da ala das baianas, vai levar PORRADA! Com muita groselha Milani pra cabeça!

Anúncios
Esse post foi publicado em arcades, clássicos, consoles, dossiê, fliperama, lendas, Master System, Mega Drive, Nintendo, Nintendo 64, Playstation, resenhas, SNES e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Dossiê Mortal Kombat- FINISH HIM!!!

  1. Paulo Aquino disse:

    MORTAL KOMBAT!!!!!!!… TAN-TAN-TAN-TAN-TANTANTAN-TAN-TAN-TAN-TANTANTAN-TAN-TAN-TAN-TANTANTAN-TAN-TAN-TANTANTANTAN!! *pirando na música-tema dos filmes de MK*

    Parece que você reservou este artigo aos MKs que verdadeiramente prestam.
    Mas o que você acha do MK Armageddon (de 2006)? Tem lá suas falhas, mas tambem tem todos os carinhas da franquia.
    Tá certo que a partir do 5, pintaram uns caras tão carismáticos quanto aquele grupo Banana Mecânica. Mas aquela “dilicinha” da Li Mei, e tambem a Ashrah…
    Devia ter visto a “dilicinha” que eu fiz no modo de edição de personagens, mas que mesmo sendo gostosa eu a fiz uma apelona de marca maior.

    Agora aquele MK vs DCU é uma cagorréia federal, uma autêntica cagada clássica dos tempos modernos. Cagou até na produtora, que não agüentou e faliu.
    E o Shao Kahn, aquele “Dark He-Man”, nunca me enganou… …Village People dando rolê de Conan o Bárbaro!

    • zemarcelo disse:

      Vije, compadre Paulão, o MK Armageddon é aquele do PS2, né? Estou até hoje pra jogar, bem que o pessoal tinha falado que ele é legalzinho. Ele é o MK Unchained do PSP? Se for, esse aí eu até dei umas jogadas e achei legal, apesar do monte de lutadores bizarros que eu nem sabia o nome. Eu lembro só do Kenshi que agora voltou numa DLC e do Shujinko, que é o aprendiz que você joga no modo RPG.

      Mortal Kombat vs DC? Hahahahahahahahahaha! Eu joguei e é um pastelão só. Primeiro que nem sangue tem; depois, botar herói da DC dando fatality, cara, isso parece até uma mistura indigesta de bacalhau com arroz doce de leite condensado! Bem-feito a produtora ter falido! O duro é que no mundo dos games nem sempre o povo aprende e agora tá vindo essa tragédia chamada Tekken vs Street Fighter que dá medo só de pensar…acho que isso é resultado da profecia maia!

      Quanto ao Shao Kahn, bem…ele viraria chiclete de bárbaro fedido no Golden Axe com aquela roupitcha! Mas até que renderia uma ponta dele como chefão “chiquérrimo” no God Hand, ou como aquelas naves que mais parecem carro alegórico da Imperatriz Leopoldinense no Parodius! E montado no lombo do Motaro com umas plumas ele ficaria simplesmente um luxo de Vera Verão do Outworld!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s