Street Fighter: A Última Batalha

Fim de ano é época de quê? Capitalismo selvagem do Papai Noel, panetone mofado no supermercado, comilança, bebelança, especial da Xuxa e…FILMES INCRÍVEIS, como a velha história dos fantasmas dos Natais passados que visitam o velho avarento e do cabocro amargurado que ia se suicidar e é salvo por um anjo, além da clássica história do moleque que é deixado sozinho em casa e tem que enfrentar os ladrões com as mais bizarras armadilhas! Bom, se você estava procurando por esses ótimos filmes pra entrar no clima natalino, VOCÊ ENTROU NO BLOG ERRADO, porque Street Fighter: The Movie (1994) é capaz de transformar um Carnaval em Sexta-Feira Santa de tão ruim que é.

Games e cinema sempre se deram tão bem quanto ouriços radioativos e ornitorrincos de duas cabeças no cio. Os exemplos são vários: tivemos a picaretagem de Double Dragon, as atuações INCELENTES do horrendo Tekken, a incursão furada do Super Mario Pereirão nas telonas e o azarado Mortal Kombat que, apesar de não ser grande coisa, tem uma Kitana que é uma dilicinha. Tivemos filmes regulares, ruins, péssimos, podres, imprestáveis, desgraçados e Street Fighter. Não necessariamente nessa ordem.

Escrito com muitos erros de português e dirigido depois de levar uns cinquenta pontos na carteira por um tal de Steven de Souza (HEIN?? Um cineasta com nome de cantor de tecnobrega? Mas será que eu escutei uma certa agulha caindo em algum canto da casa???), o filme baseado no foderengo game da D. Capcom Fazemos Qualquer Negócio tem, apesar das críticas,os seus méritos: ele conseguiu matar o Raul Julia, afundar a carreira mais ou menos afundada do Van Damme, enfear a chinesinha lusitana Ming-Na, deixar a Kylie Minogue embagulhada, transformar o Zangief num russo efeminado, dar um prejuízo gigantesco pra Capcom (HAHAHAHAHAHA!), lançar um dos jogos mais podres da franquia e provar que, sim, o mundo não tem mais salvação, 2012 tá aí, desgraça pouca é bobagem e a comida do porco é lavagem. Fique conosco e acompanhe esse epic fail cinematográfico que envergonha a Sétima Arte. O Zé do Caixão deve ter platinado.

E VAMOS LÁ QUE VAI COMEÇAR A BAIXARIA A PORCARIA!

Nos cafundós do Tio Bison

Nos confins do Planeta Terra, em algum lugar entre Roraima e a Moldávia do Norte, esquina com a Vila do Seu Barriga e o Bairro do Limoeiro, existia o sereníssimo país chamado SHADALOO, onde só haviam guerrilheiros sanguinários e plantadores de arroz até a chegada do General M. Bison (Raul Julia, o Gomez da Família Addams e o Chico Mendes de Amazônia em Chamas, em seu último papel), quando a população shadalooense foi cruelmente substituída por guerrilheiros de arroz e plantadores de sanguinários. O doido milico declara guerra ao mundo inteiro e implanta em sua republiqueta uma DEMOCRADURA, onde quem não concorda com o governo vai pro paredão. Assim, Shadaloo virou uma coisa linda de se ver, cheia de tiroteios, explosões de minas terrestres, massacres, fuzilamentos e defloramentos de virgens, até a chegada dos malditos ianques imperialistas, que já vieram acabar com a festa.

Liderados pelo Coronel William Guile (Van Damme naquele papel que ele tenta esquecer até hoje) e pela Tenente Cammy (a cantora australiana Kylie Minogue, sem as sensuais varizes que imortalizaram a inglesinha de SSF2), as forças de paz das Nações Unidas fazem a paz do jeito que todo estadunidense gosta: METENDO BALA EM QUEM VÊ PELA FRENTE! Pra piorar, o General Bison fez uma leva de prisioneiros pra barganhar com as Forças de Paz, sequestrando dentre eles o amigão brasileiro do Guile, Carlos “Charlie”Blanka (Robert Mammone, com esse nome só pode ser um brasileiro do Paraguai!) e o cientista “mundialmente” conhecido Dr. Dhalsim (Roshan Seth, praticamente um figurante do Caminho das Índias, ARÊ BABA!), orientador do doutorado do Franjinha! Doidão que só ele, Bison obriga o cientista devoto de Vishnu a transformar o soldado brazuca num monstro verde e de cabelo vermelho pra combater as tropas inimigas. UAU, EU ESCUTEI A AGULHA CAINDO DO OUTRO LADO DA SALA! Beleza de plano, hein, Bison? Por acaso você andou fazendo estágio de vilão com o Cruzador Imperial Mez?

Ajudado por seu cupincha emo e fã do Pê Lanza Zangief (Andrew Bryniarski, o Cigano Igor ucraniano) e pelo hacker virjão(!!) e jogador de DoTa Dee Jay (Miguel A. Nuñez Jr., nada a ver com o jamaicana cuca-fresca!), Bison ainda quer construir a sensacional BISONOPOLIS (CRUZ-CREDO, CUMPÁDI! É nessa hora que você descobre que deveria ter visto o filme do Pelé!), uma metrópole com jeitão de acrópole grega, no seu paizeco afundado que nem consegue se classificar pra Copa do Mundo.

Se você achava que Dhalsim cientista, Dee Jay nerd e Zangief com pinta de metrossexual já era demais, se prepare que o filme ainda te reserva muitos badukens de fogo no meio dos bagos.

YOU LOSE! HAHAHAHAHAHAHAHAH

Daí você me pergunta: Tio Zé, cadê os outros personagens? Sente o drama: correndo paralela à trama da companhia do Coronel Guile, temos a jornalista (!?) Chun-Li (a chinesinha Ming-Na Wen, que não mostra nem a coxa nas cenas de luta), que, acompanhada pelo cameraman Balrog (Grand L. Bush. Isso mesmo, o chefão boxeador do arcade) e pelo motorista E. Honda (Peter Navy Tuiasosopo, um havaiano balofo fazendo papel de japonês!), busca vingança contra Bison por ele ter matado seu pai. Desnecessário dizer que a chinesinha e seus capangas da imprensa são capturados pelos vilões, afinal Chun-Li, quem você pensa que é pra enfrentar um bandidão desses? O Paulo Francis? O Tintin? O Chapolin Colorado? Esses jornalistas, vou te falar…

No meio desse fogo cruzado, os malandros Ryu (Byron Mann e sua cara de filipino raquítico) e Ken (Damien Chapa) tentam aplicar um golpe milionário no cafetão e traficante de armas Sagat (Wes Studi, um Sagat sem Tiger Robocop). EPA, QUE NEGÓCIO É ESSE? Que raio de filme ousa transformar Ryu e Ken em coadjuvantes e ainda por cima em ladrões pé-de-chinelo com jeitão de dupla sertaneja universitária? CAI FORA, MACAUBAL! Acontece que, durante uma agradável orgia de traveco com scat de montão festinha de Bison e Sagat, no qual Ryu luta contra Vega (Jay Tavare, um figurante de luxo!), a turma blindada do Titio Guile chega pra desarmar o circo e lá vão os nossos dois heróis de quimono em cana.

Porém, Guile tem uma gambiarra infalível na manga, mais eficiente que plano econômico do Sarkozy: além de forjar sua morte, o coronel vai usar Ken e Ryu como espiões infiltrados na base do Bison, localizada num bunker debaixo das ruínas dum templo budista no meio da selva. Pra, na hora certa, entrar lá batendo o pau na mesa e quebrando tudo o que vê pela frente, para resgatar os reféns do ditador e seu amigo Blanka transformado em chupacabra.

Desnecessário dizer que a missão será um fail digno de nota. Ah, e estávamos nos esquecendo: na hora da investida final, na cena em que o exército japonês é enviado em seus incríveis tanques anfíbios (não, eles não se combinam pra formar um robô gigante, uma pena!), é apresentado em incríveis trinta segundos o personagem mais APAGADO da história de Street Fighter: o SENSACIONAL, O ÚNICO, O INCRÍVEL, O FANTÁSTICO, O EXTRAORDINÁRIO, O…CAPITÃO SAWAAAAAAADAAAAAAAA! (Kenya Sawada, ator japa que não serve nem pra elenco de apoio da Malhação, cujo papel de maior destaque foi no sentai Kakuranger, PODEM ACREDITAR!) Brilhando em seus 30 segundos e alguns quebrados de fama, com suas DUAS INCRÍVEIS FALAS! E que ainda participou do game baseado no filme! Fala a verdade: o Capitão Sawada merecia um Troféu Imprensa Oscar por sua ESCALAFOBÉTICA atuação em Street Fighter, né?

Resumindo pra fazer aquele textinho vagabundo no verso da fita VHS!

Imagine um Street Fighter sem baduken, sem choriúken, sem tréki-tréki-turuken, sem gilete do Guile e sem helicóptero da Chun-Li. Ruim? Piore mais: transforme a Chun-Li numa repórter enxerida, o Honda num caminhoneiro havaiano, o Balrog num cinegrafista com pinta de Maguila, o Dee Jay num hacker nerdão estilo Sheldon, Ryu e Ken em dois charlatões e Dhalsim num cientista algemado. Tá no fundo do poço? Pois bem, aproveite que a sessão de cinema já foi pro saco e pague o ingresso com seus DÓLARES BISÔNICOS com a cara do Raul Julia, já que tá no inferno abrace o Blanka!

Street Fighter: The Movie/ Street Fighter: A Última Batalha (ufa, que bom!) nem roteiro tem, é só um pretexto pra desfilar um bando de atores canastrões caracterizados como os personagens da franquia. Em resumo, é safadeza da Capcom mesmo, que seria capaz de vender a mãe pra pagar a dívida de Wall Street! Então, como explicar os personagens que só aparecem por aparecer e depois somem, como o Vega, e outros que não tem nem cinco linhas de fala, como o T.Hawk do filme (Gregg Rainwater), que não tem nada a ver com o índio mexicano parrudo e que tá lá fazendo ponta como soldado do Guile? A maior forçação de barra é quando os personagens são obrigados a se caracterizarem como no jogo e a protagonizarem sequências de luta bem toscas: um exemplo é a Chun-Li que do nada começa a lutar kung-fu, e depois o Balrog pega umas luvas de boxe pra dar uns murros e o E. Honda havaiano fica peladão e se descobre um virtuose no sumô! O mais forçado ainda é o Dhalsim, que, durante a explosão do laboratório, fica com as roupas rasgadas e careca que nem no game! Mas sem Yoga Teleport!

O filme do Street Fighter é daquelas coisas que fazem a gente ter vergonha de um dia ter comprado alguma coisa da Capcom! Só faltou mesmo uma DLC vagabunda com um final alternativo pro filme! Mas toda tragédia tem o seu lado positivo: se não fosse por esse filmeco de Intercine, como poderíamos ter conhecido o Capitão Sawada e seu incrível talento?

O FZD está lançando a campanha “Capitão Sawada no próximo Marvel vs Capcom”! Participe você também!

Curiosidades Curiosas:

– Todo mundo debaixo desse céu sabe que Street Fighter The Movie veio dum game internacionalmente conhecido e admirado em todos os fliperamas de rodoviária dos rincões desse Brasil de meu Deus! Então, fazer um game baseado num filme baseado no jogo é o cúmulo do pleonasmo, né? Mas não, fizeram um arcade com a história, os cenários e os personagens do filme. SANTA CAGANEIRA, BÁTIMA! Com conversões pro Saturno, pro PS1 e pro 3DO! É com muito pesar que apresentamos o vídeo logo abaixo:

– Street Fighter: A Última Batalha foi também o último filme do ator porto-riquenho Raul Julia, morto de câncer em 1994 antes da estreia do filme. Ele se destacou especialmente pelo seu papel em O Beijo da Mulher-Aranha (1985- nada a ver com possíveis amantes dum certo Peter Parker!), dirigido por Hector Babenco e baseado no romance de Manuel Puig. No Brasil, ele ficou mais conhecido como o Gomez da Família Addams, mas seu papel de maior destaque foi como o seringueiro e ativista Chico Mendes de Amazônia em Chamas, um excelente filme! No final de Street Fighter tem até uma homenagem do elenco! Termina aqui a parte séria do Fliperama do Zé Doido, podem ficar sossegados que já passou!

– Prova de que Raul Julia já estava bem baqueado pelo câncer é na cena da luta contra Guile, no qual dá pra perceber que foi utilizado um dublê bem mais alto e mais forte. Pause lá e confira.

– Street Fighter: The Movie tem também uma cena extra depois dos créditos, que mostra a mão de Bison se mexendo por debaixo dos escombros de seu esconderijo. Mas graças a São Snake do Quixeramobim não tivemos uma sequência. UFA!

– A atriz Ming-Na Wen, que interpreta Chun-Li e é um pitéuzim, tem um pé em Portugal! Ela é uma chinesa nascida em Macau, antiga colônia lusitana ora pois, onde os gajos ainda estão a falaire na língua de Camões! Mas a miúda não tem bigodes e nem cheira a bacalhau! Ming-Na ficou mais conhecida por ter feito a voz e servido de modelo para a cientista Aki Ross do filme do Final Fantasy!

– A emissora de televisão para a qual Chun-Li, Honda e Balrog trabalham tem o sugestivo nome de GNT. Mas nada a ver com o canal das vinhetas de mulé pelada!

– Praticamente todos os lutadores da época (contando com os do Super Street Fighter II) participaram da adaptação cinematográfica, com exceção de Fei Long. Enfim uma luz de esperança!

– Além dos dólares bisônicos e duma bandeira preta com uma caveira, a produção ainda quis criar um idioma próprio pra Shadaloo, a fim de deixar o filme mais “cabeça” de vento. Mas as únicas palavras do idioma shadalooense que nós ouvimos durante a película é uma esquisita saudação nazista, proclamada como “Hooji Generalo Bizono!”.

Já que o filme é ruim mesmo e não tem salvação, quando sair do cinema, não se esqueça de gritar a plenos pulmões: “CAPITÃO SAWADA, CADÊ VOCÊ, EU VIM AQUI SÓ PRA TE VER!”.

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3 respostas para Street Fighter: A Última Batalha

  1. Paulo Aquino disse:

    *arrumando uma cueca nova depois de um banho caprichado, depois desta cagada épica*

    Isso mesmo, podem me zoar à vontade, eu fui no cinema e encarei essa bomba, lá nos idos de 1900 e Cavaleiros do Zodíaco estreando na Manchete.

    Esse filme é aquele típico abacaxi de Domingo Maior, o “por hoje é só, pessoal” que o seu fim-de-semana não merecia. A saideira que o seu domingo não merecia. Acho que é por coisas assim que segunda-feira o pessoal fica de “Ah, bom dia é o %&*!@#$%*!$!!…”…

    O elenco desse filme, bróder… …deve ser mais carismático que elenco de apoio de Rebelde.

    Já viu um do Dead or Alive, conhecido aqui como DOA – Vivo ou Morto?

    Depois dessa, me vê umas dez fichas! Eu vou pro Final Fight! Esses maloqueiros todos vão ver o que que é vício!…
    Acho que depois vou procurar aquele Pastor Gamer…

    • zemarcelo disse:

      Hahahhahahaha! Esse eu nem cheguei a ver no cinema, foi direto no VHS mesmo, assim como o filme do Mortal Kombat. O SF eu achei uma bomba, já o Mortal Kombat eu confesso que curti da primeira vez que vi, com aquelas locações malucas do Outworld, as cenas coreografadas de luta e a dilicinha da Kitana.

      Sim, não consegui escapar do DOA. Lembro até do trailer no cinema, com as mulé se estapeando só de biquíni, só isso vale o esforço de assistir a essa bomba e ver o momento mais “vergonha alheia” de nosso considerado Ryu Hayabusa protagonizando uma trama fraquinha. Deveriam fazer pro cinema um crossover do DOA com aquele outro jogo de luta de meninas de biquíni, o VS., lembra, da época do PS1?

      Opa, tão aí as fichas, cumpádi Paulão! Só tome cuidado na quarta fase com o Rolento, o Chefão Nojento!

  2. Gustavo disse:

    E tem gente ki fala qui o filme é doido.

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