Captain Commando

Houve um tempo em que nossa desditosa Dona Capcom Fazemos Qualquer Negócio era menos mercenária salafrária perdulária e ainda não tinha se prostituído se vendido ao sistema capitalista opressor. Nesse saudoso tempo que a japaiada insiste em esquecer tivemos beat’em ups no mínimo memoráveis, envolvendo pancadaria urbana (Final Fight), Belinas & Lagartixas (Cadillacs & Dinosaurs), clones barrigudos do He-Man (Magic Sword), fantasia medieval rpgística (King of Dragons e Dungeons & Dragons) e até uma ficção científica estreando bichões melequentos do cinema (Alien vs Predator). Nesse ritmo e nessa enxurrada de games bão dimais da conta, tava na cara que ia chegar uma hora que a inspiração da D. Capcom Fazemos Qualquer Negócio iria pro ralo do ofurô.

E chegou! Mas a produtora dos Lutadores de Rua não ia deixar seus programadores à toa. Depois de muita chibatada no lombo, tortura chinesa, agulhas debaixo das unhas, choques nas partes, empalamentos anais e poesias concretas declamadas com pompa, eis que os programadores encontraram ideias prum novo jogo de briga generalizada. Agora, o tema seria o futuro, com toques de tecnologia e ficção científica, o que abriria brecha pra mais viagens na maionese liberdade artística. Resgatando um velho personagem que aparecia nas capas dos jogos antigos do Nintendinho (o tal do Capitão Commando, um militar marrento que dava desafios aos jogadores, vai daí o nome da nossa amaldiçoada considerada CapCom), os desenvolvedores lhe deram uma nova roupagem (hahaha!) e lançaram enfim o game daquele personagem sem graça que aparecia nas caixas das fitas do Megaman.

E pronto, tava armado o circo! Eis que em 1991 fomos brindados no mundo todo pelos nossos queridos piratas contrabandistas e ladrões de carga com aquele arcade bizarro e colorido, com fases mais esdrúxulas ainda. Estrelando um herói de óculos escuros, um ninja doidão, uma múmia molenga e um nenezinho que pilotava um robô. CRUZ-CREDO, CUMPÁDI! Isso é o que dá abusar dos cogumelos.

E VAMOS LÁ QUE VAI COMEÇAR A MACUMBARIA A BAIXARIA!

COMMANDO!!!

Estamos de novo na pacata cidade de Metro City, que já foi governada pelo prefeito cassado Haggar e seu mundaréu de maracutaias. Mas agora estamos no futuro, mais precisamente no ano de 2026. Mas, se você imaginava que Metro City teria futuro, esqueça. Nessa data, o crime mostrou que verdadeiramente compensa e a cidade estava uma maravilha de se ver, com roubos, assaltos, sequestros, massacres, chacinas, atentados a bomba, comércio saqueado, azeitona e pipoco pra tudo que é lado, presuntos estropiados em cada esquina e tudo mais. Já as virgens defloradas, bem…nada é perfeito, né?

O principal grupo criminoso da época, formado por uma gangue interminável de irmãos gêmeos que nunca morrem (e uns samurais de terracota, fazendo o papel dos Andore da parada) é chefiado pelo cientista e mafioso Scumocide (que os comedores de sushi e tempurá chama pelo singelo nome de Genocide). Desnecessário dizer que o fulano é pirado, doido, maluco, sanguinário, megalomaníaco e que matou a mãe por causa de mistura em pleno dia de Natal, né? Pior que isso, Scumocide adora fazer experiência genéticas de vez em sempre e criar mutantes melequentos e monstrengos ferozes, variando às vezes para mutantes ferozes e monstrengos melequentos. O cara tem tanto parafuso solto que sua base voadora, que tem a sua cara, paira sobre os céus poluídos de Metro City. Viu o que dá votar no Haggar? Na próxima vez, vote no Tiririca…

Aliás, de onde foi que os produtores capcomianos tiraram esse nomezinho escroto de Scumocide, hein? Com tanto nome bonito por aí, como José, João, Antônio, Sebastião, Augusto, Raimundo Nonato, Cléverson, Wanderklaydisson, Uéverson, Sephiroth, etc, os caras batizam o vilão de seu novo beat’em up com um cacareco desses? Se eu fosse tabelião nem deixava registrar…

Mas os incríveis heróis do Team Commando (os quatro que você irá selecionar) não vão deixar barato essa palhaçada toda. Batendo o pau na mesa e gritando de dor em seguida, nossos quatro destemidos paladinos da lei, da justiça, da paz, da moral e dos bons costumes estão lá prontos para defender a tradição, a família e a propriedade. Enfie a ficha (ui!) com jeito e bastante carinho e escolha um dos Commandos:

Capitão Commando: o herói que dá título ao jogo e que todo mundo vai se estapear no fliperama pra jogar com ele! De nariz empinado, cabelo loiro topetudo de gel e óculos de camelô, o cabocro é o xerife da galera e também o personagem mais equilibrado (leia-se: não cheira e nem fede) da turma. No seu ataque especial, ele sua suas luvas do poder pra soltar uma descarga elétrica no chão que faz os inimigos se mijarem de choque. Também solta fogo pelos punhos.

Ginzu the Ninja: não poderia faltar um ninja, né? Pegando um papel recusado pelo nosso estimado Ryu Hayabusa, Ginzu é o braço direito do Capitão e não deixa barato: mais forte que uma capivara, mais rápido que um tatu e mais inteligente que uma maritaca, ele é de longe o melhor personagem do jogo. E ainda decepa os inimigos em pedacinhos em grande estilo mortalkombatiano, pra chocar a família brasileira! No seu ataque especial ele usa as suas incríveis bombas de fumaça para contaminar os pulmões alheios.

Mack the Knife: a porção feminina do game, um doce perfume de bacalhau no meio dos cuecas! Lógico que ninguém no flíper vai querer jogar com ela, a custo de ser zoado pro resto da vida! Mack é uma múmia alienígena (HEIN??? SANGUE DE SHAO KAHN TEM PODER!) que luta com facas e, apesar de meio fracote, é rápida e boa pra quem curte esmagar botões e elaborar estratégias frenéticas contra os chefões. Tanto que seu ataque especial é uma giratória sem graça com os punhais. NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: Mack roubou o título duma canção de Louis Armstrong e não pagou um mísero centavo de direitos autorais.

Baby Head: enfim, a massa pensante no meio desses brutamontes porradeiros. Baby é um bebê (dããã) birrento, chorão e fedido que tem uma inteligência incrível! E que ainda por cima pilota um mecha forte pra caramba! UAU, EU ESCUTEI A AGULHA CAINDO DO OUTRO LADO DA SALA! Que raio de personagem você foi inventar, hein, D. Capcom? Assim como os Haggares da vida, é o personagem pesadão que arranca metade da barra de sanguinho com uma bofetada só. O preferido dos noobs que perdem duas fichas já na primeira fase! No seu especial ele solta uns mísseis e detona umas granadas.

E será esse elenco “exótico”que enfrentará os mutantes, gordões atropeladores, piriguetes elétricas, maloqueiros de canivete, gordinhos cuspidores de fogo e neanderthais (!!) da gangue do Titio Scumocide José da Silva. Achou bizarro o naipe dos inimigos, estupefatos leitores? Então espere por samurais vivos de barro, ninjas fantasmagóricos, robôs que lutam kung-fu e travestis frankensteins em meio à horda. Captain Commando é um dos games mais aleatórios, viajados e de enredo sem noção que existem. E acredite: VAI FICAR PIOR…

O Patropi deve ter platinado!

Mó doideira, meu! Sei lá, entende?

No mais, Captain Commando é um beat’em up tradicional, com todos os clichês dos gênero revistos e ampliados: um botão de soco e outro de pulo, voadoras, ataque especial que tira sua energia ao apertar os dois, caixas e tambores com itens, comidas como carne assada e frutas pra aumentar seu sanguinho. Aliás, é o único jogo que tem uma quantidade absurdas de frutas que recuperam energia, provando que os videogames são ótimos aliados para uma vida sedentária saudável.

Temos também as armas que caem pelo caminho e que nesse game estão simplesmente CABULOSAS: além de revólveres invocados e metrancas, tem lança-mísseis (UIA!), lança-chamas (UÊBA!), estrelas ninja (JISUISAMADO!) e…rufem os tambores: ROBOZÕES GIGANTES! No estilo dos caramujos e lagartões do Golden Axe, QUE NÃO É GAME DO HE-MAN UMA PINOIA!!! Ó O FUMO, JASPION! Pensa que é pouca porcaria?

Só que alegria de pobre dura pouco e essas armas invocadas, apesar de tirarem muita energia, duram muito menos que nos outros games, uns dois ou três disparos e já era! CAI FORA, MACAUBAL! Pelo menos, não tem aquela sacanagem de perder a arma sempre que se passa duma zona da luz vermelha pra outra (do verbo faltou memória RAM). Aí também é forçar a amizade.

Defeitos à parte, vamos à aventura! Como sempre, teremos de atravessar amplas áreas de Matro City de 2026 até chegar ao covil do cumpádi Scumocide! Começaremos pela cidade detonada onde os soldados do vilão invadiram o banco; passaremos pelo museu dos dinossauros (??) que tem uma subterrâneo cheio de homens das cavernas (VIXI MARIA!); depois tem a vila oriental dos ninjas (não, não é a Hayabusa Village, pena!). Sentiu o drama? Pois bem, prepare-se para um pacato espetáculo no circo (??CUMA?), quando o game realmente se transforma numa palhaçada (e esse circo é apenas a fachada prum laboratório cheio de monstros). Cansado? Vá surfar um bocadinho no cais do porto e matar uns inimigos na fase de bônus , depois faça uma visita ao aquário da cidade (que também é um laboratório de fazer mutantes) e então aí a coisa fica NEGONA! Sem chances de escapatória, só lhe resta sair no braço com a vilãozada na base subterrânea da gangue e pegar uma carona no ônibus espacial até Callisto (uma das luas de Júpiter, Fliperama do Zé Doido também é cultura inútil!), onde, num restaurante de luxo (!!!UAI?), você enfim enfrentará o foderengo Scumocide, com capa de super-herói, corpanzil de deus grego, chifres de capeta e um disco de vinil servindo de auréola! É ou não é digno de se ouvir um agulha caindo do outro lado da sala?

A dificuldade começa muito de boa (até prum beat’em up de arcade engolidor de moedas!), mas fica pentelhuda cabeluda lá depois do estágio do circo! Os chefões, embora não tenham lá muito energia (como todos os inimigos), são um primor de apelação: tem o Shtrom da segunda fase que é um punk de cabelo espetado e roupa de mergulho que pula feito uma perereca reumática e atira dardos sem parar (e boa notícia: na fase do aquário você enfrentará DOIS deles! Vai afinar? VAI ENCARAR OU VAI PEDIR TEKKEN?), o Monster (NOME ORIGINALÍSSIMO!) da fase do circo que é um macacão verde de três olhos (mais bonito que o Chupacabra!), tem o Doppel que usa um controle remoto pra copiar o seu personagem (e também se divide em dois), o Blood que é um Rambo numa falta de vitamina danada…enfim, os chefões são bem mais criativos que em outros games mas são apelões demais! Até pegar a estratégia deles já vai umas duas fichas, que o diga o sensei Yamato do terceiro estágio e sua cabeleira rosa de carnaval!

Mas a pergunta que não quer calar é: que diabos é aquele pianinho no fundo do cenário do Scumocide, hein? Que que ele vai tocar lá? Punheta? Bach? Mozart? Beethoven? Chopin? Zeca Pagodinho?

Resumindo pra resumir!

O jogo do Capitão Commando é um feijão com arroz bem temperado, PF de boteco sem muito luxo e sem muita frescura, apenas com um bifão acebolado, um ovo frito e uma farofa pra dar um gosto. O game não traz praticamente nenhuma inovação pro gênero dos beat’em ups, mas compensa a FARTURA de originalidade pelos cenários absurdos e inesperados. Apesar de curtas, as fases surpreendem! E os inimigos, apesar das levas serem enormes, com uma crueldade oitobitsana (e sempre do mesmo inimigo! Ó o problema do processador lento!), são incrivelmente bizarros carismáticos! Impossível não simpatizar com as piriguetes elétricas e os ninjas malucos!

Como quase sempre acontece com a D. Capcom Vende Até a Mãe Pra Levantar Grana, Captain Commando ficou sem sequência. Foi só o fliperama de 1991, algumas adaptações pra outras plataformas, aparição em alguma coletânea e acabou-se o que era doce! Fora as participações especiais nos Marvel vs Capcom, claro! Uma pena, pois, por mais esquisito e doidão que fosse, a Capcom conseguiu dar vida e personalidade a um personagem chatonildo que só servia pra encher o saco! É mais um daqueles games que a safardana insiste em esquecer!

Mas não tem tempo ruim! Pegue seu emulador de arcade ou seu cartucho de Super NES e mande ver nos cupinchas do Compadre Scumocide. Captain Commando é a prova viva de que um game não precisa ser épico, inovador e cheio de traquitanas pra ser legal!

Curiosidades Curiosas:

– Captain Commando foi adaptado em 1995 pro Super Nintendo, num game simpático que é basicamente o que vimos no arcade, mas bem mais fácil e com regulagem de dificuldade mais amiga! BENZADEUS, no arcade ele é apelão até no nível mais baixo dos dip switches! Também foi adaptado pro PS1 com gráficos melhorados e figurou na coletânea Capcom Classics no PS2! Sequência que é bom nada, né, sacripantas? O único porém nas versões domésticas é que não dá pra jogar de quatro…nem dando uma cuspidinha na pontinha!

– Por motivos de localização (leia-se: justificativa furada), os personagens da versão do SNES têm os nomes do jogo japonês: Mack se chama Jennet e Ginzu virou Sho!

– Aliás, os nomes da múmia e do ninja são verdadeiros trocadalhos do carilho: “Mack the Knife” é na verdade uma música do grande Luisinho Braçoforte, digo, Louis Armstrong; e Ginzu faz referência àquela famosa faca, temida entre os maridos puladores de cerca, que você pode pedir pelo fone (011) 1406! Se não ficar satisfeito nós garantimos a devolução do seu dinheiro! LIGUE JÁ!

– Nosso considerado Capitão é personagem jogável do Marvel vs Capcom 1 e 2! E seus cafumangos são personagens assistentes, daqueles que entram, dão uma porrada e saltam fora! O mais legal é o especial de Commando: ele agarra o facínora e vem Mack rodando as facas, depois Ginzu tacando bombas de fumaça e Baby metendo fogo. Pra terminar com um choque de milhões de volts, com direito a pose heroica no meio da tela! Cuidado pra não melar as cuecas ou calcinhas!

– Há um curioso item raro em Captain Commando, que é um busto dourado do prefeito Haggar! Se pego, ele te dá um milhão de pontos de lambuja! Mas te garanto que é mais fácil comprá-lo naquele Mercado que é Livre do que esbarrar com ele na Metro City do futuro!

– Há uma continuação espiritual psicografada pelo Chico Xavier pros arcades, que foi lançada apenas no Japão, mas que tem aquele pique do Team Commando: BATTLE CIRCUIT! Um fliperama frenético e doidivanas quanto o do Capitão, mas infelizmente sem estupros com tentáculos! Fazer o quê, não se pode ganhar todas! Confere aí o breguétis:

E estamos esperando até hoje pelo Captain Commando 2, ouviu, D. Capcom? Tira a bunda da cadeira e vai lá programar o game, com mil carambolas!

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Esse post foi publicado em 16 bits, 32 bits, arcades, Capcom, clássicos, consoles, dossiê, enredos, fases, fliperama, jogos desconhecidos, lendas, Nintendo, personagens, Playstation, SNES e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Captain Commando

  1. Paulo Aquino disse:

    SANTA PIRAÇÃO, BÁTIMA!!

    Mas sei não, hein, sei não… Reparei que você esqueceu de “riscar” (sei lá como se faz isso…) algumas asneiras coisas na hora de escrever.
    E tô aqui pensando… Sabe aquelas tartarugas cheiradoras das calcinhas das gostosas do Dead or Alive (KKKKKKKKKK)? Aqueles queimadores de capim quelônios chegados numa pizza, mesmo que não sejam senadores nem nada?
    E se eles, viajandões como são, fossem parar neste jogo?

    SANTA VIAGEM NA MAIONESE, BÁTIMA!!

  2. Gustavo disse:

    Muito foda esse post.
    Adoro esse site.

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